Eraldo Leite - A renovação de Ancelotti
- Atualizado em 16/05/2026 08:10
Foto: Rafael RIbeiro/CBF
Carleto até 2030
Esta será a primeira copa do mundo em que o Brasil terá no comando um técnico estrangeiro. E não será a última, porque em 2030 também será o italiano Carlo Ancelotti o treinador da seleção. A extensão do contrato, anúncio feito pela CBF na última quinta-feira (14), visa dar segurança ao técnico e confiança em sua capacidade de levar o Brasil à sexta conquista mundial.
Se o Brasil for campeão nos Estados Unidos ele deixará igualado o último grande jejum de 24 anos, que foi o intervalo entre o Tri (1970) e o Tetra (1994). Mas, se não ganhar, esse recorde negativo irá para 28 anos. Ao ampliar o contrato de Ancelotti até 2030, quando a Copa voltará a ser disputada em três países – Portugal, Espanha e Marrocos – a CBF sinaliza que ele tem o direito de errar agora, porque terá um ciclo inteiro para acertar na próxima. Tite quando assumiu a seleção brasileira, em 2016, também teve esse tempo de adaptação até à Copa da Rússia (2018) e um ciclo inteiro até à Copa do Catar (2022). Apesar dos resultados expressivos, com 60 vitórias em 81 jogos, ou seja, 80% de aproveitamento, Tite perdeu ambas as copas para seleções de médio porte, como Bélgica e Croácia, caindo nas quartas-de-final.
Ancelotti ainda não tem números que impressionem (aproveitamento de 56,6%) e já sofreu derrotas surpreendentes, como para Bolívia e Japão. Mas seu prestígio cresce entre os torcedores por causa de sua trajetória e o impacto que causa no mundo do futebol: um técnico muito vitorioso em clubes importantes da Europa dirigindo a seleção mais vitoriosa do planeta. A CBF aposta também em seu carisma para conquistar simpatia não só para a seleção em campo, mas para a própria entidade, que tem seu prestígio abalado e constantemente questionado devidos às últimas gestões desastradas. Com cinco anos de trabalho Carleto (já vamos nos tornando íntimos) verá o ocaso de uma geração (Casemiro, Alisson, Thiago Silva, Marquinhos, Neymar), o amadurecimento de estrelas do momento (Vinícius Jr., Raphinha, João Pedro, Estêvão) e o surgimento de novos talentos como Endrick, Rayan e as joias da base que o Brasil produz no atacado. E ficará na história se conseguir montar uma seleção que caia no gosto da torcida brasileira e trazer a taça do hexa.
Histórias de Copa do Mundo
Quando fui cobrir a minha segunda copa do mundo, no México em 1986, havia grande expectativa pelos jogos da seleção brasileira em razão do Tri em 70 (16 anos antes). Os mexicanos se apaixonaram pelos brasileiros por causa daquele time fantástico de Pelé, Gerson, Tostão e Jairzinho e adotaram com sua a nossa seleção. De fato, constatei, em Guadalajara, o encantamento dos mexicanos, que se postavam nas calçadas acenando bandeirinhas, enquanto passava o ônibus da seleção de Zico, Sócrates e Careca a caminho do estádio para jogar.




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