Grupo denuncia 'assédio eleitoral' em padaria de Campos
17/10/2022 18:53 - Atualizado em 18/10/2022 18:35
O clima de polarização na disputa presidencial também está presente nas ruas de Campos e também vai parar nos tribunais. Um grupo denominado “Esquerda Campos” protocolou no Ministério Público (MP) uma denúncia de assédio moral contra a Padaria Fórum do Pão, na praça do Liceu de Humanidades. De acordo com a acusação, funcionários do estabelecimento estariam utilizando camisas amarelas com número 22 nas costas e frases que seriam uma alusão ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

O proprietário, José Tadeu Rodrigues, negou as acusações e disse que as camisas fazem referência à participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

A denúncia relata que, além das frases e do número 22, a padaria também está decorada com bandeiras do Brasil e toalhas nas cores verde e amarela que, embora não configure crime, também seriam uma alusão a Bolsonaro.

Por telefone, José Tadeu disse que não houve nenhuma imposição aos funcionários. “É totalmente improcedente. Ninguém obrigou a nada, houve uma conversa com os funcionários e eles aceitaram. Em todas as Copas do Mundo nós fazemos camisas comemorativas, como essa, que tem o escudo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol)”.

O caso foi encaminhado para a Procuradoria Eleitoral de Campos, que vai decidir se dá continuidade à denúncia, abrindo uma investigação, ou se arquiva o caso.
A equipe de reportagem procurou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que disse que a demanda deveria ser enviada à Procuradoria Regional Eleitoral (PRE). Por sua vez, a PRE informou que a competência do caso é do MPRJ, onde, de fato, o caso foi registrado. 
Posteriormente, o MPRJ informou que foi determinada a realização de diligências para apuração do caso. "A representação foi recebida pela Promotoria Eleitoral junto à 98ª Zona Eleitoral. No entanto, outra notícia de mesmo teor também chegou ao conhecimento da Promotoria Eleitoral junto à 76ª Zona Eleitoral responsável pela fiscalização da propaganda eleitoral", diz a Promotoria em nota, que continua:

"Foi determinada a realização de diligências preliminares para apuração dos fatos, bem como para delimitar o campo de atuação, uma vez que a mesma conduta pode, em tese, caracterizar diferentes ilícitos eleitorais: propaganda/campanha eleitoral irregular, abuso de poder econômico e crime eleitoral, etc., sem prejuízo da apuração dos ilícitos que tocam à legislação trabalhista. No momento, aguarda-se o cumprimento das diligências e não há outras informações seguras que possam ser prestadas", conclui.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS