O SENSO COMUM NÃO PENSA, REAGE DE IMEDIATO.
18/04/2026 | 09h15

No debate público, especialmente quando falamos de Direito e política, a polêmica raramente nasce do acaso. Ela costuma surgir quando uma ideia toca em algo que as pessoas já tomavam como certo, confortável ou intocável.

O senso comum, por definição, não é fruto de reflexão aprofundada. Ele é construído pela repetição: opiniões compartilhadas, discursos midiáticos, interpretações simplificadas e, muitas vezes, interesses travestidos de consenso. Por isso, quando alguém apresenta uma leitura que contraria esse padrão, a reação inicial dificilmente é analítica, ela é defensiva.

É aqui que se revela um ponto essencial: a polêmica, em muitos casos, é antes emocional do que racional.

A psicologia social já demonstrou, em diversas ocasiões, que o ser humano tende a rejeitar informações que desafiam suas crenças prévias. No campo jurídico e, sobretudo, na esfera política isso se agrava. Por um lado o Direito, que deveria ser um sistema técnico de organização da realidade, frequentemente é percebido pelo público como um espaço de confirmação de expectativas e não de confronto com elas.

Na política não é diferente quando a grande massa, mesmo que esteja sendo protegida, se sente de alguma forma ameaçada.

Quando uma interpretação jurídica ou política rompe com o senso comum, ela não é imediatamente avaliada por sua consistência normativa ou pelas condições fáticas, pela coerência hermenêutica ou pela fidelidade às fontes. Em vez disso, ela é filtrada por critérios subjetivos: “isso parece justo?”, “isso combina com o que sempre ouvi?”, “isso favorece o lado com o qual simpatizo?”.

Perceba o problema: a reação não é dirigida ao argumento, mas ao desconforto que ele provoca.

No campo político, o fenômeno é ainda mais intenso. Ideias que atingem estruturas de poder, interesses consolidados ou narrativas dominantes tendem a gerar resistência imediata, não porque estejam erradas, mas porque são inconvenientes. E o inconveniente, no debate público, costuma ser tratado como inadequado antes mesmo de ser compreendido.

Isso explica por que muitas discussões se tornam rapidamente inflamadas e pobres em conteúdo. A polêmica passa a ser alimentada por recortes, distorções e respostas apressadas de quem sequer tomou propriedade do conteúdo contestado, ou seja, o argumento original sequer é enfrentado em sua integralidade.

Dito de forma direta: grande parte das controvérsias não decorre de divergência técnica, mas de uma recusa em abandonar zonas de conforto intelectual, se é que é possível falar em intelectualidade nesses casos.

Um jurista atento ou mesmo um cidadão maduro precisa compreender essa dinâmica. Nem toda reação negativa indica erro. Muitas vezes, ela apenas revela que a ideia apresentada rompeu a superfície do consenso acrítico e expôs tensões que estavam latentes.

E é justamente nesse ponto que o debate deixa de ser confortável e começa, de fato, a ser sério.
Compartilhe
A rara exceção de um estadista em tempos de escassez
17/04/2026 | 08h35
Há momentos na história em que os fatos recentes confirmam aquilo que a análise já vinha sugerindo há muito tempo. A política brasileira, especialmente no período republicano, tem sido marcada por uma ausência quase estrutural de estadistas. E, quando eles surgem, tornam-se inevitavelmente figuras de contraste.

A recente decisão de Anthony Garotinho de colocar-se novamente no centro do debate público, ao anunciar sua pré-candidatura ao governo do Estado do Rio de Janeiro, não é um movimento trivial. Ao contrário, é sintoma de um vazio. Segundo a própria avaliação do ex-governador, os atuais pretendentes não reúnem condições para retirar o Estado da crise em que se encontra, a saber, uma crise agravada pelo cenário político recente que culminou, inclusive, na renúncia do então governador Cláudio Castro em 2026.

O diagnóstico pode soar duro, mas encontra respaldo na realidade institucional do Rio de Janeiro, marcada por instabilidade, disputas fragmentadas e uma sucessão de lideranças incapazes de formular um projeto duradouro de poder.

E aqui reside o ponto central: a República brasileira, ao longo de mais de um século, acostumou-se a produzir gestores de ocasião, mas raramente homens de Estado.

No Império, a política era compreendida como construção. Havia continuidade, direção e, sobretudo, responsabilidade histórica. Figuras como Dom Pedro II não governavam para ciclos eleitorais, mas para gerações. Seus contemporâneos, igualmente, compreendiam o poder como missão, não como oportunidade.

A República, por sua vez, substituiu esse horizonte por uma lógica imediatista. O resultado está diante de nós: crises recorrentes, ausência de planejamento e uma política frequentemente reduzida à disputa de curto prazo.

É nesse cenário que a figura de Garotinho retorna com relevo.

Sua trajetória não é a de um aventureiro. Foi prefeito de Campos dos Goytacazes, governador do Estado do Rio de Janeiro entre 1999 e 2002, deputado federal e candidato à Presidência da República, obtendo votação expressiva no cenário nacional. Não se trata, portanto, de um político circunstancial, mas de alguém cuja presença se projeta ao longo de décadas.

Mais do que cargos, há um elemento que o diferencia: a construção de um legado político com identidade. Vinculado ao trabalhismo, corrente que no Brasil possui raízes históricas profundas, Garotinho desenvolveu uma atuação voltada às camadas populares, com políticas públicas que buscaram responder às demandas concretas da sociedade.

E é precisamente essa combinação de experiência, densidade histórica e capacidade de diálogo com o povo, que o coloca no rol daquilo que, em termos clássicos, se poderia chamar de estadista.

Sua decisão de retornar ao debate estadual não pode ser lida apenas como ambição política. Ela revela, sobretudo, uma percepção: a de que o Rio de Janeiro atravessa um momento que exige mais do que candidatos, exige direção.

Ao afirmar que os atuais nomes não estão à altura do desafio, Garotinho não apenas critica seus adversários; ele reposiciona o debate. Ele o eleva. Obriga-nos a perguntar, novamente, o que é governar e, mais importante, para quê.

Se o Império nos legou exemplos claros de estadistas, a República, em sua longa trajetória, raramente conseguiu reproduzir esse padrão. Garotinho, com todas as suas complexidades, ressurge como uma dessas raras exceções.

E talvez seja justamente por isso que sua presença ainda incomoda grupos oligárquicos, não por aquilo que lhe falta, mas pelo contraste que estabelece com aquilo que, há muito tempo, deixou de existir na política brasileira.
Compartilhe
O Poder é Conquistado nas Urnas
16/04/2026 | 06h50


A ilusão de quem trata o jurídico como burocracia e o preço disso na política real

Ele estava prestes a vencer.

Campanha estruturada, apoio consolidado, discurso afinado. Nos bastidores, a sensação era de vitória inevitável. Aqueles ao seu redor repetiam: “agora é só esperar a urna confirmar”.

Mas havia um detalhe — aparentemente pequeno — que ninguém quis enfrentar com a devida seriedade.

O jurídico.

Tratado como setor acessório, quase um despachante de prazos, um “esticador de processos” para quando algo desse errado. Nada estratégico. Nada estrutural.

A eleição veio. A vitória também.

E, com ela, o início silencioso de algo que não aparecia nas fotos nem nos discursos: notificações, representações, questionamentos, investigações. Pequenos pontos soltos que, somados, começaram a formar um desenho perigoso.

Porque o erro nunca esteve na campanha.

Esteve na ausência de uma arquitetura de poder.

Quem enxerga o cenário com maturidade compreende que o Direito, na política contemporânea, não é reativo — é preventivo. Não atua quando o problema explode, mas exatamente para impedir que ele exista.

É uma engrenagem invisível que mitiga riscos antes do ato, ajusta condutas antes da acusação e orienta decisões antes que o dano se concretize.

Mas isso exige uma mudança de mentalidade que poucos estão dispostos a fazer.

Ainda há quem acredite que a campanha começa nas ruas e termina na urna.

Não termina.

Ela apenas muda de arena.

Sai do palanque e entra nos tribunais, nos órgãos de controle, nos gabinetes técnicos e — talvez o mais sensível de todos — na opinião pública, onde qualquer ruído pode ser transformado em crise.

E é nesse ponto que se define quem permanece e quem apenas passa pelo poder.

Porque, na prática, o mandato não se sustenta apenas com votos.

Ele se sustenta com decisões juridicamente inteligentes.

Por isso, um advogado especializado — alguém que não apenas atua, mas pensa o Direito Político, que escreve, publica e domina suas engrenagens — deixa de ser um simples defensor.

Torna-se um estrategista de trajetória.

Alguém capaz de preservar mandatos, viabilizar projetos e, sobretudo, garantir algo que poucos consideram no início da caminhada: a saída.

Sim, sair do poder também exige estratégia.

Porque entrar sem preparo jurídico é arriscado.

Mas sair sem ele é, quase sempre, devastador.

O passivo judicial não nasce no fim.

Ele é plantado, silenciosamente, ao longo de cada decisão mal orientada, de cada ato não revisado, de cada escolha feita sem o devido amparo técnico.

A política foi judicializada.

Gostemos ou não, este é o terreno do jogo.

E, como em qualquer jogo sério, não vence quem improvisa.

Vence quem compreende o tabuleiro antes de mover a primeira peça.
Compartilhe
A linguagem e o poder
15/04/2026 | 09h03
No universo da técnica jurídica, esse terreno nobre onde se encontram a lógica, a linguagem e o poder, há um fenômeno curioso que raramente é admitido, mas frequentemente praticado: a capacidade de se alcançar praticamente qualquer conclusão, desde que se dominem com habilidade as fontes do direito e os instrumentos da hermenêutica.

Em tese, o ordenamento jurídico oferece um sistema estruturado, com hierarquia normativa bem definida: Constituição no topo, seguida das leis, dos costumes, da jurisprudência e da doutrina. Contudo, na prática, essa hierarquia por vezes se transforma em mera sugestão elegante. Afinal, com uma boa dose de criatividade interpretativa, é possível inverter prioridades sem jamais declarar que o fez. Basta invocar princípios vagos, reinterpretar dispositivos claros ou, quando conveniente, recorrer a uma “leitura sistemática” suficientemente elástica para acomodar o resultado desejado.

A hermenêutica jurídica, que deveria servir como instrumento de revelação do sentido da norma, passa então a operar como ferramenta de construção desse sentido. Não se interpreta para compreender; interpreta-se para justificar. E aqui reside o ponto mais sofisticado e talvez mais irônico da técnica: a decisão já está pronta antes mesmo da fundamentação, mas é a fundamentação que recebe os aplausos pela sua “profundidade”.

Invocam-se princípios constitucionais com a solenidade de quem cita verdades absolutas, ainda que, na prática, tais princípios sejam utilizados de forma seletiva. O princípio da dignidade da pessoa humana, por exemplo, pode sustentar posições diametralmente opostas, dependendo da conveniência do caso concreto ou do resultado previamente pretendido. A ponderação, por sua vez, transforma-se em um verdadeiro álibi metodológico: pesa-se tudo, equilibra-se nada, e decide-se conforme o vento.

A jurisprudência, que deveria conferir estabilidade e previsibilidade, também pode ser manejada com notável destreza. Selecionam-se precedentes favoráveis, ignoram-se os contrários e, se necessário, distingue-se o caso concreto com uma sutileza quase artística. Quando nem isso resolve, cria-se uma “nova compreensão”, expressão elegante para designar uma mudança de entendimento que, curiosamente, costuma coincidir com a necessidade do momento.

E assim, sob o manto respeitável da técnica jurídica, decisões que afrontam a Constituição e as leis conseguem não apenas sobreviver, mas aparentar legitimidade. Não se trata de negar o direito, mas de reinterpretá-lo até que ele diga exatamente aquilo que se deseja que ele diga.

No fim das contas, a grande ironia é que o sistema continua formalmente intacto. A Constituição permanece escrita, as leis continuam vigentes e os manuais de hermenêutica seguem sendo ensinados. O que muda, silenciosamente, é o modo como tudo isso é utilizado. E nesse ponto, talvez a maior lição seja esta: no direito, mais importante do que o que está escrito é quem interpreta e com quais intenções.
Compartilhe
A arte de governar empreendimentos
14/04/2026 | 08h25

Grandes líderes não administram apenas negócios, eles conduzem destinos. Ao longo da história, observa-se que os empreendimentos mais sólidos não nasceram do improviso, mas de uma combinação rara entre visão estratégica, disciplina na execução e profundo senso de responsabilidade. Liderar, nesse contexto, é compreender que cada decisão reverbera não apenas no presente, mas constrói ou compromete o futuro.

A primeira virtude de um líder de alto nível é a clareza de propósito. Empresas que prosperam de forma consistente são aquelas guiadas por uma direção bem definida, onde valores e objetivos não se alteram ao sabor das circunstâncias. Isso exige não apenas inteligência técnica, mas maturidade decisória, ou seja, a capacidade de resistir a atalhos fáceis, de avaliar riscos com serenidade e de estruturar juridicamente cada passo de maneira segura. Afinal, um empreendimento mal estruturado pode crescer rapidamente, mas dificilmente se sustenta.

Outro ponto essencial é a governança. Grandes líderes sabem que não basta confiar: é preciso organizar, prever e proteger. Contratos bem elaborados, relações societárias equilibradas e uma gestão preventiva de conflitos são elementos que distinguem negócios amadores de empreendimentos verdadeiramente profissionais. Nesse cenário, a atuação jurídica deixa de ser reativa e passa a ser estratégica, funcionando como um instrumento de estabilidade e crescimento, e não apenas como resposta a crises.

Além disso, líderes de excelência compreendem o valor do tempo. Problemas ignorados tendem a se tornar litígios; decisões adiadas frequentemente geram prejuízos evitáveis. A antecipação, portanto, é uma das marcas mais claras da liderança madura. É nesse ponto que muitos empreendedores percebem que caminhar sozinho pode custar caro e que contar com orientação especializada faz toda a diferença na construção de um negócio sólido e respeitável.

Por fim, é preciso destacar que liderar empreendimentos é, em grande medida, um exercício de responsabilidade institucional. O verdadeiro líder não busca apenas lucro, mas estabilidade, longevidade e reputação. E esses três pilares exigem uma base segura, construída com técnica, experiência e visão de longo prazo.

Em um ambiente cada vez mais complexo, onde decisões empresariais se entrelaçam com aspectos jurídicos, regulatórios e estratégicos, a diferença entre crescer e permanecer relevante está, muitas vezes, na qualidade das escolhas feitas nos bastidores. E é justamente nesse campo silencioso, técnico e decisivo, que se constrói a verdadeira força de um empreendimento.
Compartilhe
Estoicismo e Política
13/04/2026 | 08h49

Em tempos de instabilidade institucional, discursos inflamados e decisões tomadas sob o calor das paixões, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de recuperar uma antiga sabedoria: a do Estoicismo. Longe de ser apenas uma filosofia de resignação individual, o estoicismo oferece um verdadeiro manual de conduta para aqueles que exercem ou aspiram exercer funções públicas.

Desde Zenão de Cítio até Sêneca, passando por Epicteto e culminando no imperador Marco Aurélio, a tradição estoica sempre esteve intimamente ligada à vida política. Não por acaso: governar exige domínio de si antes de qualquer domínio sobre os outros. Um homem incapaz de controlar suas emoções dificilmente será capaz de conduzir uma sociedade com justiça e prudência.

O estoicismo ensina uma distinção fundamental: há coisas que dependem de nós e coisas que não dependem. No campo político, essa máxima adquire valor estratégico. O verdadeiro estadista não se perde em disputas superficiais, tampouco se deixa capturar pela ânsia de aprovação popular. Ele compreende que sua missão não é agradar, mas agir conforme a razão e a virtude, ainda que isso lhe custe aplausos imediatos.

Essa postura contrasta com o cenário contemporâneo, no qual muitos agentes públicos orientam suas decisões pelo termômetro das redes sociais. A política, reduzida a espetáculo, perde sua substância ética. O estoicismo, por sua vez, resgata a ideia de que a autoridade legítima não nasce da popularidade, mas da integridade moral.

Marco Aurélio, em suas Meditações, escritas no meio de campanhas militares e crises do Império, não buscava justificar o poder, mas disciplinar a própria alma. Sua preocupação central não era parecer justo, mas ser justo. Eis um ensinamento de rara atualidade: o poder deve ser exercido como dever, jamais como vaidade.

Além disso, o estoicismo oferece ao homem público uma ferramenta essencial: a resiliência diante da adversidade. Crises políticas, ataques pessoais, derrotas eleitorais. Tudo isso faz parte da vida pública. O político estoico não se desespera nem se exalta; mantém-se firme, guiado por princípios, e não por circunstâncias. Essa estabilidade interior é, talvez, uma das maiores virtudes que um líder pode possuir.

Por fim, há um aspecto frequentemente negligenciado: o estoicismo não afasta o homem da política, mas o prepara para ela. Ao formar indivíduos mais racionais, disciplinados e conscientes de seus deveres, essa filosofia contribui diretamente para a construção de uma vida pública mais digna e responsável.

Em um país que ainda busca amadurecimento institucional, talvez seja o momento de resgatar essa tradição. Não como um exercício acadêmico, mas como uma prática concreta de formação de lideranças. Afinal, antes de reformar o Estado, é preciso reformar o homem.

E nisso, os estoicos ainda têm muito a ensinar.
Compartilhe
Campos e Macaé juntos por um único propósito
10/04/2026 | 10h19


Em tempos em que o excesso de trabalho, preocupações e rotina acelerada acabam consumindo nossa energia, iniciativas que unem saúde física, equilíbrio emocional e convivência social merecem destaque. É exatamente isso que acontecerá no próximo dia 26 de abril, em Macaé, em um evento especial promovido para quem deseja cuidar melhor do corpo e da mente.

A proposta é simples, mas poderosa: reunir pessoas, incentivar hábitos saudáveis, promover movimento, conexão e bem-estar. Mais do que um encontro fitness, será uma oportunidade para sair da rotina, respirar novos ares, conhecer pessoas e fortalecer a saúde física e emocional.

O evento contará com a participação de @gleicykellyrochaa e @rochainova_, reforçando a importância de uma vida mais ativa, equilibrada e consciente. Afinal, cuidar da mente também passa por cuidar do corpo, criar boas relações e encontrar momentos de leveza no meio das exigências do dia a dia.

O encontro acontecerá na academia Elite Cross Gym, no dia 26/04, às 08h. A participação é totalmente gratuita. Para participar, basta levar 1 kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue no dia do evento.

Além de muita movimentação, energia positiva e integração, os participantes também poderão aproveitar diversos sorteios ao longo da programação.

As inscrições podem ser feitas diretamente na recepção da academia ou pelo WhatsApp 22 99606-0872.

Campos e Macaé se unem, mais uma vez, em torno de uma ideia essencial: movimentar o corpo, fortalecer a mente e construir uma vida mais saudável.

Chame os amigos, reúna a família e participe. Esse é o tipo de evento que vale a pena viver.
Compartilhe
Diretas já no Rio
08/04/2026 | 07h49
A defesa das eleições diretas para governador no Estado do Rio de Janeiro não é apenas uma posição política. É, antes de tudo, uma posição jurídica, histórica e institucional. 

A história brasileira demonstra que os períodos de maior estabilidade e legitimidade são justamente aqueles em que a vontade popular prevalece sobre os arranjos de bastidor. O movimento das Diretas Já, na década de 1980, não foi apenas uma campanha eleitoral: foi uma afirmação civilizatória de que o poder político, pelo menos naquele momento, precisava nascer do voto e retornar constantemente a ele. Em certo ponto o Brasil amadureceu institucionalmente exatamente porque compreendeu que a legitimidade de um governante não decorre apenas da legalidade formal, mas da confiança popular que o sustenta.

No caso específico do Rio de Janeiro, essa reflexão ganha ainda mais relevância. Nosso Estado conviveu, ao longo das últimas décadas, com sucessivas crises institucionais, afastamentos de governadores, cassações, investigações e rearranjos políticos que enfraqueceram a confiança da população nas instituições. Em cenários assim, insistir em soluções exclusivamente parlamentares, ainda que previstas em determinadas hipóteses constitucionais, pode aprofundar a sensação de distanciamento entre governantes e governados.

Do ponto de vista jurídico, é verdade que a Constituição Federal admite, em determinadas circunstâncias, a eleição indireta para governador em caso de dupla vacância nos dois últimos anos do mandato.

Entretanto, é igualmente verdade que o Direito Constitucional contemporâneo não pode ser interpretado apenas pela literalidade dos textos normativos. A Constituição deve ser lida à luz de seus princípios estruturantes, dentre eles a soberania popular, o princípio democrático e a máxima efetividade dos direitos políticos. O voto direto não é um detalhe procedimental: ele é a expressão mais elevada da cidadania e o que se espera em uma República.

Por isso, entendo que na conjuntura atual, sempre que houver espaço jurídico para interpretação em favor da participação popular, esta deve prevalecer. O próprio Ministério Público Eleitoral já sustentou recentemente, perante o Supremo Tribunal Federal, que em determinadas hipóteses de vacância por causas eleitorais deve haver eleições diretas.

A eleição indireta pode ser juridicamente admissível em situações excepcionais. Mas o fato de algo ser juridicamente possível não significa que seja politicamente desejável ou institucionalmente prudente. Em um Estado tão complexo quanto o Rio de Janeiro, marcado por graves desafios na segurança pública, na gestão fiscal, na mobilidade, na saúde e na relação com os municípios, a escolha do chefe do Executivo nesse momento, mais do que nunca deve ter a força do voto popular e a legitimidade das urnas.

Governar o Rio exige muito mais do que maioria circunstancial em uma Assembleia. Exige autoridade política, respaldo social e capacidade de pactuação com a sociedade. E essas qualidades, em uma democracia que se pretende madura, nascem do voto direto.

Defender eleições diretas para governador, portanto, não significa desrespeitar a Constituição. Significa interpretar a Constituição em seu espírito mais nobre: o de garantir que todo poder emane do povo e em seu nome seja exercido.
Compartilhe
A diferença entre popularidade e respeito
07/04/2026 | 08h53
A diferença entre popularidade e respeito

Vivemos em um tempo em que muitas pessoas confundem visibilidade com relevância, aplauso com autoridade e popularidade com respeito. Nas redes sociais, na política, nas empresas e até mesmo na vida pessoal, tornou-se comum medir o valor de alguém pela quantidade de seguidores, curtidas ou capacidade de chamar atenção. No entanto, ser popular não significa, necessariamente, ser respeitado.

A popularidade costuma ser imediata. Ela nasce da emoção, do entretenimento, da exposição constante e, muitas vezes, da capacidade de agradar diferentes públicos. O popular é aquele que consegue despertar reações rápidas, gerar comentários, criar identificação instantânea e permanecer em evidência. Porém, aquilo que se torna popular rapidamente também pode ser esquecido com a mesma velocidade.

O respeito, por outro lado, é construído de forma mais lenta. Ele exige coerência, caráter, postura, preparo e responsabilidade. Enquanto a popularidade depende da aprovação momentânea das pessoas, o respeito depende daquilo que alguém é quando ninguém está olhando.

Muitos líderes, políticos, empresários e figuras públicas acabam cometendo um erro perigoso: passam a agir apenas para agradar. Dizem aquilo que o público deseja ouvir, evitam contrariar opiniões, abandonam princípios e transformam sua atuação em uma disputa permanente por aprovação. Com isso, podem até se tornar populares, mas deixam de ser respeitados.

O problema é que a popularidade raramente sobrevive às dificuldades. Nos momentos de crise, as pessoas não procuram apenas alguém simpático ou famoso. Procuram alguém firme, preparado, confiável e capaz de tomar decisões difíceis. É justamente nesses momentos que se percebe a diferença entre quem vive de aplausos e quem conquistou verdadeira autoridade.

Na política, essa diferença é ainda mais evidente. Há líderes que conseguem mobilizar multidões, mas não possuem conteúdo, visão de longo prazo ou compromisso com o bem comum. São populares enquanto alimentam emoções e discursos fáceis. Entretanto, quando surgem problemas reais, mostram-se incapazes de oferecer soluções concretas.

Por outro lado, existem pessoas discretas, às vezes até pouco conhecidas, que são profundamente respeitadas por sua seriedade, inteligência, lealdade e capacidade de agir com equilíbrio. Nem sempre são as mais populares, mas costumam ser aquelas em quem os outros confiam quando realmente precisam de orientação.

O mesmo vale para a vida cotidiana. Um professor respeitado não é apenas aquele que agrada os alunos, mas aquele que ensina com firmeza e dedicação. Um pai respeitado não é aquele que nunca impõe limites, mas aquele que educa com amor e responsabilidade. Um profissional respeitado não é aquele que fala mais alto, mas aquele que entrega resultados e mantém sua palavra.

Talvez um dos maiores problemas do nosso tempo seja justamente a inversão desses valores. Muitas pessoas passaram a buscar apenas visibilidade, esquecendo-se da importância da reputação. Desejam ser vistas, mas não se preocupam em ser admiradas. Querem ser notadas, mas não querem assumir o peso das responsabilidades que acompanham o verdadeiro respeito.

No fim das contas, a popularidade pode abrir portas, mas somente o respeito é capaz de mantê-las abertas por muito tempo. Popularidade atrai olhares. Respeito constrói legado.
Compartilhe
O que diferencia um candidato preparado dos demais
06/04/2026 | 14h26
A boa política começa antes das eleições. Ela se manifesta no modo como candidatos, lideranças e grupos se posicionam diante da sociedade mesmo antes do início oficial da campanha. O período pré-eleitoral é um momento importante para observar não apenas discursos, mas também comportamentos, coerência, postura ética e capacidade de liderança.

Em tempos de excessiva exposição nas redes sociais, é comum que muitos confundam boa política com marketing político. Evidentemente, a comunicação é importante. No entanto, uma boa imagem pública não se sustenta por muito tempo quando não existe preparo, seriedade e compromisso verdadeiro com a coletividade.

A política exige prudência. Prudência para escolher palavras, formar alianças, definir prioridades e compreender que toda ação pública produz consequências. O ambiente pré-eleitoral costuma ser marcado por disputas de vaidade, ataques pessoais e promessas exageradas. Mas os candidatos que se destacam de forma positiva costumam ser justamente aqueles que demonstram equilíbrio, capacidade de diálogo e respeito pelas instituições.

Uma das principais práticas da boa política é a construção de reputação. Reputação não se cria da noite para o dia. Ela nasce da coerência entre discurso e prática. O eleitor percebe quando alguém fala apenas para agradar e quando alguém realmente possui convicções, preparo e senso de responsabilidade.

Outro ponto essencial é a compreensão do funcionamento do Estado. Muitos candidatos entram na vida pública sem conhecer minimamente a estrutura administrativa, os limites legais do cargo que pretendem ocupar e as competências dos poderes. Isso gera promessas impossíveis de serem cumpridas e contribui para aumentar a frustração popular com a política.

A boa política também exige respeito aos adversários. Divergir faz parte da vida pública. Em uma república, diferentes grupos disputam interesses e visões de mundo. No entanto, o adversário não deve ser tratado como inimigo. O excesso de agressividade, radicalismo e ressentimento empobrece o debate público e afasta pessoas qualificadas da vida política.

Além disso, o período pré-eleitoral é uma oportunidade para que candidatos mostrem não apenas suas propostas, mas também sua postura. A forma como alguém trata assessores, aliados, servidores, jornalistas e cidadãos comuns revela muito mais sobre seu caráter do que qualquer slogan de campanha.

A política precisa voltar a ser vista como uma atividade séria, orientada pelo interesse público e pelo fortalecimento das instituições. Em um cenário de desconfiança e descrédito, aqueles que conseguirem demonstrar preparo, ética, sobriedade e compromisso com a coletividade certamente estarão mais aptos a conquistar a confiança da população.

Mais do que nunca, a boa política depende de homens e mulheres capazes de compreender que o poder não deve ser utilizado apenas em benefício próprio, mas como instrumento de responsabilidade, serviço e construção social.
Compartilhe
Sobre o autor

Evandro Barros

[email protected]

Advogado, historiador, escritor (+ de 10 livros) e pesquisador, com especialização em Direito Tributário; mestre em Cognição e Linguagem e Doutorando em Políticas Sociais - UENF, com tese dedicada ao Licenciamento Ambiental. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Congonhas (MG).