Bem legal (2) ou, Mais um!
21/04/2020 | 21h23
 
Sobre o post anterior, onde dei o meu destaque para os professores Enoque e André Ribas pelo envolvimento bem legal em que estão encarando este momento nada agradável, transformando limão em limonada, esqueci de mencionar (e que também merece um salve pela ação, criatividade e empolgação), o professor Tadeu Medina que está mandando muito nas redes sociais, sabendo valorizar seu currículo nesta época de pandemia. Os caras estão voando, rs. Bons treinos!
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Bem legal
21/04/2020 | 17h40
Bacana à cena relacionada ao movimento que se revelou durante esta epidemia do convid-19 - interessante observar que de fato aquela velha máxima que diz "é na crise que o homem cresce" realmente funciona.
Enoque e André Ribas, aos quais acompanho mais de perto, para mim, tem sido os destaques frente aos que tenho visto.
Bem legal, souberam capitalizar com muita simpatia, ação e competência se destacando nas aulas on-line, com um misto de artistas/atletas - muita criatividade em conjunto com um fôlego de campeão.
Bacana demais mesmo. Parabéns a todos os envolvidos pelo conjunto da obra. Bons treinos!
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Atletas de elite e a saúde são concorrentes?
20/04/2020 | 21h41
Ouço dizer que o esporte de elite e a saúde são mutuamente concorrentes, ou seja, que, no topo do esporte, os atletas estão num limite tão grande de overtraining que ninguém pode ser considerado saudável.
Eu não concordo com isso, e na verdade diria que os atletas que são capazes de obter consistentemente os melhores resultados só conseguem fazê-lo por ter uma base geral de saúde muito forte por trás deles.

De fato, absorver um programa de treinamento de alto nível e responder a esse programa exige uma constituição muito forte. Atletas que não possuem essa constituição se vêem perpetuamente sobrecarregados ou lesionados.
Mas o que entra nessa constituição do super-atletas é algo que pode ser desenvolvido?

Com vivências em atletas de todos os níveis, do ex-sedentário ao atleta de desempenho, eu percebo dois atributos muito importantes no processo de treinamento:

1. Recuperação de treinamento

2. Resposta ao treinamento

O primeiro, em última análise, determina quanto treinamento um atleta pode absorver ao longo de uma semana, mês ou ano ( e a cada dia, importante frisar, temos mais este controle, enquanto treinador).
O segundo determina quanta aptidão o atleta obtém de uma determinada carga de treinamento. Essas duas qualidades dependem amplamente do atleta ter um 'sistema saudável', o que, por sua vez, depende de o atleta ter uma vida saudável (parei de beber este ano de 2020 e a melhora foi considerável, em todos os meus aspectos da vida)!
Vou me aprofundar nessas duas qualidades fundamentais em um pouco mais.

O que determina a rapidez com que um atleta se recupera de uma determinada dose de treinamento específico?

Bem, considerando que a maioria dos eventos competitivos depende muito da capacidade do atleta de gerar energia a partir de açúcar (glicólise), a taxa na qual um atleta é capaz de reabastecer suas 'reservas de açúcar' depois de um período exaustivo de treinamento específico é certamente um fator importante em como eles se recuperam rapidamente e são capazes de iniciar o próximo período de treinamento específico.
O que determina essa taxa de reposição de açúcar no corpo é a insulina.

O principal papel da insulina é, em resposta à alimentação, abrir os portões das células musculares esgotadas para que possam ser reabastecidas. O problema surge quando as lojas estão sempre cheias, ou seja, o atleta tem muito açúcar em sua dieta.

Depois de algumas vezes isso acontecer, a insulina perde a motivação para enviar a mensagem, ou seja, o corpo se torna resistente à insulina.

Atletas que trabalham em competições do tipo "A" podem ter alguns dos sistemas gluco-corticóides mais bagunçados do mercado.

Além disso, se seu corpo está queimando açúcares preferencialmente, há uma boa chance de que seu pequeno mensageiro de insulina esteja cansado de dar voltas e quando você mais precisa dele para realmente recuperar as reservas de glicogênio no músculo, não tem.

Existem três aplicações práticas importantes aqui que servirão para melhorar sua base de saúde:

1. Não coma açúcar quando seu corpo não precisar deles


2. No início da temporada, minimize os momentos em que seu corpo precisa, ou seja, evite treinamento excessivamente estressante (depletivo). Em caso de dúvida, vá no mais fácil. Mas Z1 e Z2 são os focos.

3. TENTE priorizar no início da temporada sua vida para que minimize os estressores que não são de treinamento que, sem dúvida, afetam sua recuperação das demandas de treinamento específico. Ao menos, tente.

Um segundo papel importante da insulina na recuperação é que ela serve como um 'interruptor' entre anabolismo e catabolismo no organismo, ou seja, serve como um mensageiro importante para dizer ao corpo para mudar de 'quebrar' o corpo para 'construir' o corpo. Um atleta resistente à insulina também é resistente ao reparo e crescimento do corpo!

Atletas que estão perpetuamente inundados de cortisol devido a um treinamento excessivamente estressante (intenso) ou a uma vida excessivamente estressante, nunca experimentam o 'interruptor' que lhes permite reconstruir o corpo depois de derrubá-lo - um processo que é o cerne do treinamento eficaz !

A literatura tem esmiuçado e provado que o intervalo na resposta do treinamento a uma determinada carga de trabalho entre os atletas que levam uma vida mais estressante e aqueles que vivem da maneira mais simples pode chegar a 50%, ou seja, pode ser necessário o dobro do treinamento para obter o mesmo benefício de condicionamento físico quando um atleta tem outros estressores para lidar.
Obviamente, esses atletas também exibem um perfil de recuperação lento e não podem tolerar o mesmo nível de treinamento. Certamente não podem tolerar o dobro do treinamento necessário para acompanhar o ritmo de um atleta com um 'sistema saudável'.

Felizmente, esses exemplos ilustram a importância de começar com uma forte 'base de saúde'. Atletas que têm sistemas metabólicos/endócrinos muito saudáveis se recuperam muito mais rapidamente e se beneficiam mais do estresse específico do treinamento quando é a hora certa.
Bons treinos!
Fonte em auxílio no texto: Alan Couzens, M.Sc. (Sports Science)
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Medidores de freqüência cardíaca no pulso: avaliação
19/04/2020 | 20h09
Há alguns anos, dispositivos ópticos capazes de medir a freqüência cardíaca usando a tecnologia LED vêm aparecendo no mercado.
 
 
O método usado por esses monitores é chamado Fotopletismografia (PPG) e consiste em detectar as variações no fluxo sanguíneo que ocorrem em cada batimento, medindo a quantidade de luz que é absorvida e/ou refletida sob a pele.
Os dispositivos geralmente são colocados no pulso ou no antebraço do atleta com os emissores de LED em contato com a pele. Embora a técnica seja relativamente simples, é muito difícil obter medições precisas da frequência cardíaca, pois existem diferentes variáveis que afetam bastante a medida.
 
 
Abaixo, fatores que são intervenientes para que a leitura deste tipo de dispositivo, apesar de estar avançado bastante, colabore para que a leitura não seja fidedigna.
Temperatura ambiente
 
 
Baixas temperaturas, especialmente abaixo de 10-12 graus, afetam os capilares subdérmicos, dificultando as medições feitas pelo monitor de freqüência cardíaca.
 
 
Variações rápidas na frequência cardíaca
 
 
Variações rápidas na frequência cardíaca também podem afetar a precisão da medição. Temos um exemplo típico quando realizamos intervalos curtos de alta intensidade (HIIT), nos quais a freqüência cardíaca aumenta muito rapidamente. Nesses casos, muitos monitores ópticos são incapazes de acompanhar essas variações, de modo que a freqüência cardíaca medida é atrasada em vários segundos a partir da atual.
 
 
Ruído óptico
 
 
Existem diferentes elementos que introduzem ruído no sinal óptico, dificultando a detecção do ritmo cardíaco. Qualquer sinal de luz adicional recebido pelos LEDs impedirá a operação correta, daí a importância do posicionamento correto dos sensores. Além disso, o movimento do atleta durante a corrida também afetará a medição, especialmente quando ocorrer o "efeito cruzado", que consiste em uma interpretação incorreta do pulso cardíaco pelos sensores quando a cadência da corrida é igualada à freqüência cardíaca.
 
 
Cor da pele
 
 
Os seres humanos têm uma gama muito diversificada de tons de pele e com diferentes níveis de absorção de luz. A pele escura absorve muito mais luz do que a pele clara, dificultando a realização de medições precisas. Da mesma forma, existem muitos problemas nas medições em peles tatuadas ou muito peludas.
Bons treinos!
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Treinamento x Tecnologias (2)
17/04/2020 | 21h28
 
Ainda continuando o assunto sobre Treinamento x Tecnologias, iniciado aqui, prossigo por acreditar ser um ótimo tema como ser também extremamente atual, visto a tecnologia nos aproximar dos atletas, entendendo o seu organismo, com suas respectivas métricas de performance que nos facilita práxis dando qualidade ao trabalho chamado Treinamento Desportivo.
Esses avanços tecnológicos impõem ao atleta e técnico esportivo do século 21 um ambiente de trabalho com possibilidades impensáveis há apenas uma década. As ferramentas que dispomos atualmente para monitorar, medir, avaliar e analisar nossos atletas nos permitem ganhar eficiência, otimizando bastante cada um dos processos que fazem parte do treinamento esportivo. No entanto, essa oferta excessiva de dispositivos e ferramentas dificulta a seleção dos meios realmente úteis.
Nesse ambiente, precisamos ser capazes de selecionar as ferramentas que possuem um grau de validade suficiente para que possam ser incorporadas ao nosso modelo de trabalho. As informações que obtemos devem ser contrastadas e apoiadas por estudos de controle que garantam sua utilidade e veracidade, sem nos deixar levar pelo entusiasmo da novidade do mais recente "dispositivo revolucionário". Bons treinos!
 
 
Bem-vindos ao TrainingPeaks.
Descobri essa ferramenta há alguns anos pela minha assessoria e posso dizer, sem nenhum medo de exagero, que ela mudou completamente minha forma de encarar o treinamento justamente por ultrapassar a fronteira que separa os dados de suas respectivas análises.
O TrainingPeaks é uma plataforma que se integra a praticamente todos os smartwatches existentes, de Garmin a Suunto, digerindo os seus dados treino a treino e transformando-os em informação útil.
Ele mostra, em essência, quatro indicadores correlacionados:
TSS, ou Training Stress Score. Cada sessão de treino que fizer será convertida em TSS, uma espécie de base para toda e qualquer análise de esforço feita pela plataforma. Tudo contribui para o TSS: duração, intensidade, percurso etc. É a partir dele que conseguimos ter uma ideia mais clara da eficiência do treino por meio de outras três métricas: fadiga, condicionamento e forma.
Fadiga (ou ATL): É uma média exponencialmente ponderada dos TSS dos últimos 7 dias. Quanto maior a fadiga, maior o estresse que seu corpo estará e, portanto, menos ele conseguirá performar bem. Por outro lado, é justamente uma fadiga alta que garante a qualidade do treinamento no longo prazo uma vez que o estresse muscular é o responsável por fazê-lo mais forte.
Condicionamento (ou CTL): É uma média exponencialmente ponderada dos TSS dos últimos 42 dias, refletindo os efeitos dos treinos nos últimos três meses. Um fitness alto, portanto, significa um corpo forte, preparado para enfrentar picos de estresse maiores em uma prova.
Forma (ou TSB): É a subtração direta do Condicionamento pela Fadiga. Ou seja: se seu condicionamento estiver em 150 TSS e sua fadiga, em 165, sua forma será de -15. Por que isso é relevante? Porque uma forma negativa significa que sua capacidade de performance no dia imediatamente seguinte será mais baixa do que deveria; uma forma positiva, por outro lado, mostrará que você está mais apto a ter resultados melhores.
É aqui que tudo fica interessante: como o TrainingPeaks já é utilizado por milhares de atletas de todos os níveis e esportes em todo o mundo, há parâmetros claros de onde se deve estar por fase do treinamento.
Sabe-se, por exemplo, que manter a forma em níveis intensamente baixos (menores que -15) por tempo demais pode acabar gerando overtraining ou alguma lesão; que a faixa ideal para se melhorar o condicionamento gira entre -10 e +10 de forma; e até que há números específicos de condicionamento que você deve buscar caso deseje competir no alto nível em provas de corrida, ciclismo, natação ou triathlon.
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Cancelada!
16/04/2020 | 17h12
Mais uma prova de grande relevância no País cancelada diante da situação atual. Abaixo, comunicado da empresa que organiza o IronMan 70.3, etapa Rio de Janeiro. Bons treinos!
Prezado Atleta,

Tendo a saúde e segurança da nossa comunidade como uma prioridade, e baseados nas diretrizes e recomendações das agências de saúde em relação à pandemia do COVID-19, o Itaú BBA IRONMAN 70.3 Rio de Janeiro 2020, marcado para o dia 21 de Junho de 2020, será cancelado.

Este tem sido um período muito difícil mundialmente e reconhecemos que esta decisão gera uma decepção junto à nossa família do triathlon.

Todos os atletas inscritos no Itaú BBA IRONMAN 70.3 Rio de Janeiro 2020 terão seis opções listadas abaixo.

Transferência sem custos adicionais para a prova Itaú BBA IRONMAN 70.3 Florianópolis 2020 (12 de julho)

Transferência sem custos adicionais para a prova Itaú BBA IRONMAN 70.3 Maceió 2020 (2 de agosto)

Transferência sem custos adicionais para a prova Itaú BBA IRONMAN 70.3 Fortaleza 2020 (22 de novembro)

Crédito para inscrição no Itaú BBA IRONMAN Brasil 2020 (16 de Agosto)

Transferência sem custos adicionais para qualquer IRONMAN 70.3 no Brasil em 2021

Crédito para inscrição no IRONMAN Brasil 2021
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Treinamento x Tecnologias
16/04/2020 | 05h58
É praticamente impossível, hoje, dissociar treinamento de tecnologia. Com Stravas e Garmins e Suuntos tão largamente utilizados, a captação de dados referentes a todo um período de treinos se tornou quase tão natural quanto o próprio ato de correr.

A questão que aparece, no entanto, é outra: o que fazer com esses dados? Se o objetivo é tão somente enxergar em uma tela a quantificação do suor que você deixou no asfalto ou na trilha, tudo bem: não é mesmo preciso muito esforço de análise. Mas se, por outro lado, o objetivo for utilizar esses dados para melhorar o seu condicionamento físico e, consequentemente, sua performance, aí tudo muda de figura.

Nesse caso, os aplicativos mais populares, se usados de maneira isolada, tendem mais a atrapalhar do que a ajudar. Quer um exemplo? Imagine que você esteja se preparando para bater um recorde pessoal em uma prova qualquer e, além das planilhas que estiver seguindo, acabe naturalmente se baseando nos dados do seu Strava. Por lá, você não apenas verá o seu próprio desempenho, como também o de outros amigos ou atletas que segue - e facilmente acabará seduzido a se forçar mais e mais e mais a cada treino para poder "batê-los". O resultado natural disso? Cansaço. Que pode se transformar em queda de performance. Que fará você instintivamente se forçar ainda mais. Que piorará ainda mais o quadro até que ele se configure em um overtraining ou até mesmo em uma lesão.

Há incontáveis exemplos nessa mesma linha que atestam o perigo da tecnologia para o exercício - mas isso não quer dizer que não haja vantagens a serem colhidas. Diria mais, até: saber aliar a tecnologia certa ao treinamento é até fundamental para se otimizar a performance.

Mas, para isso, deve-se ir além de ferramentas sociais que medem desempenho e captam dados e mergulhar fundo na possibilidade de se interpretá-los.
CONTINUA NO PRÓXIMO POST
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Dicas para escolher seu tênis de corrida
14/04/2020 | 16h04
Principais quesitos quando busco um tênis para correr, por ordem de importância:
1-Conforto (um número acima do seu é sempre bem-vindo).
2-Tênis com menor Drop para treinos rápidos e mais consistentes, com melhor amortecimento, para treinos longos.
3-Terço anterior do calçado tem que ser bem flexível, o que indica que ele se adapta bem aos movimentos dos pés.
4-Tipo de pisada? Esqueça (ao meu ver)!!! Não significa nada, apenas se vc possuir uma supinação/pronação muito severa, justificando tal peocupação.
5-Bons treinos!
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Perguntas mais frequentes sobre exercício físico e a COVID-19
13/04/2020 | 22h56
Perguntas mais frequentes sobre exercício físico e a COVID-19
São Paulo, 13 de abril de 2020
A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) vem cumprindo seu papel representativo dos especialistas em Medicina do Exercício e do Esporte, bem como exercendo sua função social, divulgando
Informes e Notas, a respeito da COVID-19, dentro da área de atuação da especialidade.
Esta publicação atualiza informações contidas nas respostas às perguntas mais frequentes a nós enviadas, iniciadas em nosso Informe 3, de 30/03/2020.
Contamos, nesse atual informativo, com a parceria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO).
1) A distância mínima de 1 metro entre pessoas, que algumas instituições recomendam, é válida para qualquer situação, incluindo o exercício ao ar livre?
Resposta: Diferentes instituições, no país e no mundo, têm orientado uma distância mínima preventiva, de 1 a 2 metros. Obviamente, é uma recomendação geral, que consegue englobar a grande maioria das situações cotidianas de contato interpessoal, desde conversas até filas, e que normalmente envolvem muito baixa movimentação e/ou deslocamentos. Contudo, não há uma recomendação consensual e específica sobre um distanciamento mínimo para exercícios físicos ao ar livre. Dessa forma, em localidades onde não haja proibição legal decretada por autoridade competente, a melhor recomendação é a realização individual dessa prática e, de preferência, isoladamente, sempre evitando aglomerações (o que pode ser melhor controlado em locais conhecidos e próximos da residência) e com o maior distanciamento social possível.
2) Vi na imprensa que o distanciamento adequado entre pessoas é maior que o normalmente recomendado, quando se está em movimento, como no exercício de caminhada, corrida ou pedalar ao ar livre. Isso procede?
Resposta: Repercutiu na imprensa um único e recente estudo belgo/holandês, que sugeriu, para essas situações citadas, uma eventual ineficácia da distância mínima interpessoal, recomendada pela maioria das instituições. Isto porque haveria a possibilidade de uma pessoa se exercitando, em movimento, ter contato com eventual “nuvem” de gotículas expelidas por alguém infectado e treinando à sua frente. Dependendo da atividade e sua velocidade de deslocamento (e até do vento, bem como sua direção), o distanciamento precisaria ser maior, podendo variar e chegar até, pelo menos, 20 metros. Apesar de servir de alerta, cabe lembrar que essa pesquisa não foi submetida para publicação em nenhuma revista científica, não tendo passado pela necessária análise e crivo editoriais, pois os autores optaram por sua divulgação pública direta para, segundo eles, agilizar a divulgação. Certamente, mais pesquisas sobre isso são necessárias, para endossar essas conclusões. Por isso, não havendo proibição legal para a prática, o exercício ao ar livre, de forma individualizada e isolada, com os devidos cuidados (ver pergunta anterior), ainda é a recomendação mais prudente.
3) Pratico surf, que é um esporte individual e pode ser praticado sem contato físico. Qual o motivo para ser proibido, como temos visto em alguns locais?
Resposta: Desde o início desta pandemia, recomendamos atividades ao ar livre e lembramos os seus benefícios na saúde física e mental, desde que realizadas com os cuidados preventivos. Entretanto, pode haver proibição decretada por autoridade competente, em certas localidades. Nesse caso, onde estes gestores, avaliando a evolução local da doença, entendam ser preciso maior rigor nas restrições de mobilidades social, não se trata mais de seguir recomendações gerais, desta ou aquela instituição (inclusive a SBMEE), mas de cumprir a lei vigente. 
Essas decisões de fechamento de praias, assim como das atividades nelas praticadas, têm uma avaliação mais ampla de fatores influenciadores, tais como: o aumento de pessoas circulando, de diversas formas, em vias públicas; a imprevisibilidade de ocorrer um fluxo simultâneo de praticantes para um mesmo lugar; a chance de atrair não-praticantes para esse local; a dificuldade de liberação seletiva de atividade específica, onde outras práticas são comumente realizadas e poderiam também argumentar que seguiriam as mesmas recomendações preventivas – tudo resultando em potenciais e indesejáveis aglomerações. Como estes fatores podem variar num país de dimensões continentais e com diferentes estágios evolutivos da pandemia, recomendamos que antes de sair para praticar o surfe ou outras atividades ao ar livre, seja consultada a legislação local vigente quanto à eventual restrição da prática em sua cidade.
4) Tenho excesso de peso e, como parte do meu tratamento, me foi recomendado o exercício físico. Será que isto pode piorar a minha imunidade?
Resposta: Sabemos que pessoas com excesso de peso, especialmente obesos, apresentam maior risco para formas graves de COVID-19. Tal condição, presente em cerca de 55% da população brasileira, deve ter seu tratamento também mantido durante o período de restrição de mobilidade social. Isto inclui seguir fazendo o exercício físico que lhe foi recomendado, adaptando aos locais permitidos ou viáveis, e respeitando a prescrição adequada ao seu estado de saúde e nível de condicionamento. Como se sabe, pessoas ativas, cronicamente, apresentam melhora do sistema imunológico. Isso significa dizer que você pode, com segurança, manter seu treino e, simultaneamente, sua perda de peso. Apenas tome cuidado com dietas muito restritivas, as chamadas VLCDs (Very Low Calorie Diets; em português, dietas com calorias muito reduzidas). Estas não devem ser feitas até o fim da pandemia, pois podem ser debilitantes. Portanto, seguir perdendo peso, de forma moderada, sem exageros, é bem-vindo. Equilíbrio é a palavra de ordem, sempre com orientação médica e de profissionais especializados envolvidos.
5) Como o exercício pode auxiliar no risco de evolução para formas graves de COVID-19, em pessoas com Diabetes?
Resposta: Se você ou algum familiar é portador de Diabetes, seja tipo 1 ou 2, também tem um risco maior, infelizmente, de evolução para formas graves da doença. A notícia boa é que a solução está nas suas próprias mãos. Basta controlar a glicose adequadamente que os riscos reduzem bastante. Aí é que se insere o exercício físico. Considerado um dos pilares do tratamento do Diabetes, ele melhora as taxas de glicose no sangue e faz a insulina (que atua nesse controle) funcionar melhor no seu organismo. Sendo assim, siga com o seu programa de atividade física, afinal de contas, “exercício é remédio”. Lembre-se: o bom controle metabólico é a chave para você se proteger e o exercício físico é base do seu tratamento. Demais Informes e Notas referentes ao novo coronavírus, anteriormente publicados pela SBMEE, podem ser encontrados nas seguintes mídias:
- Instagram: @sbmee
- Facebook: sociedadebrasileiramedicinaexercicioesporte
Importante lembrar que nem tudo que reluz é ouro. Estudo para ser reconhecido e direcionado ao consumo tem que ser validado. Assim se resume à ciência. Bons treinos
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Expectativa x Realidade
11/04/2020 | 11h00
 
O IRONMAN® - marca registrada - é o maior circuito de triathlon do mundo, com mais de 170 provas distribuídas pelos 5 continentes, sendo 6 delas no Brasil.
São 5 provas na distância de 70,3 milhas (meio ironman) e uma na distância de 140.6 (ironman full), com datas (será que vão acontecer mesmo?) que seguem abaixo.
Lembrando que as datas de todas estas provas já sofreram alterações diante da pandemia ao qual estamos passando. Esta é a expectativa, mas será a realidade?
-Rio de Janeiro - 21/6 (70.3)
-Florianópolis - 12/7 (70.3)
-Maceió - 2/8 (70.3)
-Florianópolis - 16/8 (140.6)
-São Paulo - 6/9 (70.3)
-Fortaleza - 22/11 (70.3)
Bons treinos!
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Marcos Almeida

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