Quando falamos em saúde e longevidade, alguns pilares fisiológicos são fundamentais para que isso aconteça.
Durante muito tempo, a força muscular foi considerada o principal marcador físico associado ao envelhecimento saudável — e ela continua sendo extremamente importante para a autonomia funcional e qualidade de vida.
No entanto, a ciência mais recente tem mostrado que a aptidão cardiorrespiratória, representada principalmente pelo VO? máximo (capacidade do organismo de captar e utilizar oxigênio), se consolidou como um dos mais fortes preditores de longevidade já identificados.
Diversos estudos indicam que níveis mais elevados de aptidão aeróbia estão fortemente associados a menor risco de mortalidade e melhor saúde ao longo da vida.
Isso não significa adotar uma visão reducionista, na qual um sistema seria mais importante que outro.
Pelo contrário.
O que a ciência mostra hoje é que a longevidade funcional depende da integração e do desenvolvimento equilibrado de diferentes capacidades do corpo, entre elas:
Mas é importante reconhecer e valorizar aquilo que as evidências científicas mais recentes têm demonstrado com maior clareza.
A ciência mostra que quatro sistemas do corpo estão fortemente associados à longevidade e à qualidade de vida:
VO? máximo
Força muscular
Equilíbrio
Saúde cerebral
Treinar essas capacidades significa viver mais e melhor.
1- VO2 MÁXIMO
A aptidão cardiorrespiratória é considerada um dos mais fortes marcadores fisiológicos de longevidade. O VO? máximo representa a capacidade do organismo de captar e utilizar oxigênio durante o exercício.
Valores mais elevados estão associados a melhor saúde cardiovascular, maior capacidade funcional e menor risco de doenças crônicas.
Estudos mostram que indivíduos com maior aptidão cardiorrespiratória podem apresentar até 80% menor risco de mortalidade.
Referência: Mandsager K. et al., JAMA Network Open, 2018.
2- FORÇA MUSCULAR
A força muscular é um dos principais determinantes da autonomia funcional. Ela está diretamente relacionada à capacidade de realizar atividades do dia a dia, como levantar da cadeira, subir escadas e manter independência ao longo do envelhecimento.
Pesquisas mostram que indivíduos com maior força muscular apresentam cerca de 31% menor risco de mortalidade.
Referência: García-Hermoso A. et al., Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 2018.
3- EQUILÍBRIO E CONTROLE MOTOR
O equilíbrio depende da integração entre sistema nervoso, visão e propriocepção. Ele é um importante marcador da saúde neuromuscular e da capacidade funcional no envelhecimento.
Um estudo mostrou que pessoas incapazes de permanecer 10 segundos em um pé só apresentaram 84% maior risco de mortalidade.
Esse trabalho, conduzido pelo pesquisador brasileiro Claudio Gil Soares de Araújo, ganhou destaque internacional na área de medicina do exercício.
Referência: Araújo CGS et al., British Journal of Sports Medicine, 2022.
4- SAÚDE CEREBRAL
O exercício físico promove importantes adaptações no cérebro. Entre os principais benefícios estão a melhora da memória, aumento da capacidade cognitiva e maior neuroplasticidade.
A prática regular de atividade física está associada a uma redução de aproximadamente 30% a 35% no risco de declínio cognitivo ao longo do envelhecimento.
Referência: Erickson KI et al., PNAS, 2011.
INTEGRAÇÃO DOS SISTEMAS: A LONGEVIDADE FUNCIONAL
Esses quatro sistemas funcionam de forma integrada. Quando treinamos o corpo, estimulamos simultaneamente o sistema cardiorrespiratório, o sistema muscular, o controle neuromotor e a função cerebral. O movimento regular é um dos mais importantes determinantes de saúde ao longo da vida.
CONCLUSÃO: TREINE PARA VIVER MELHOR
A longevidade funcional depende da preservação de quatro pilares: VO? máximo; Força muscular; Equilíbrio; Saúde cerebral.
Treinar essas capacidades significa preservar saúde, autonomia, mobilidade e qualidade de vida ao longo dos anos.
Bons treinos!
Marcos Almeida - mestre em ciência da motricidade humana