Segundo um amplo estudo da Universidade de New Castle (Austrália), quanto mais estabelecimentos de Fast Foods por perto, maior o índice de infartos.
A conclusão baseia-se em dados que avaliaram mais de 3000 pessoas, que sofreram infarto na Austrália entre 1996 e 2013.
Os prontuários dos pacientes foram analisados em vários aspectos, incluindo local de moradia.
Outros fatores de risco, como diabetes, hipertensão e obesidade foram excluídos.
O resultado foi que para cada loja de Fast Food na vizinhança, houve aumento de 4 infartos para 100 mil habitantes.
Os dados surpreenderam até os membros da Sociedade Internacional de Cardiologia, que não creditava tamanho impacto dos Fast-Foods na saúde cardíaca.
Em um país onde só em 2015 havia mais de 5000 mil estabelecimentos desse tipo de comércio, os dados nos servem de alerta, onde o crescimento do setor supera a expansão observada em países berço dos Fast-Foods de linha de produção.
_gostaria de fazer um parênteses:
há uma grande diferença entre Fast-Foods de linha e os artesanais, principalmente no que concerne à quantidade de saladas, sanidade das hortaliças, qualidade da carne e frescor no pré-preparo.
Um estudo publicado em agosto deste ano, no New England Journal of Medicine, avaliou a influência da vitamina D na prevenção do diabetes tipo II.
2423 pessoas foram acompanhadas por dois anos e meio.
Metade recebeu suplementação de vitamina D3 (4000 UI) e metade ingeriu cápsulas vazias.
Havia a especulação sobre a suplementação de vitamina D ser capaz de prevenir o surgimento de diabetes do tipo dois, em pessoas com tendência genética/fatores de risco.
Infelizmente segundo Dr. Pittas, pesquisador chefe, não se observou nenhuma relação entre o surgimento desse tipo de diabetes e a suplementação ou não de vitamina D.
Lembramos aqui que a vitamina D tem ação praticamente hormonal e é fundamental à manutenção da massa óssea.
Entretanto, não faz todos os "milagres" que se especulava há alguns anos.
O desenvolvimento de diabetes do tipo dois está diretamente relacionado aos maus hábitos alimentares, sedentarismo, obesidade e fatores genéticos.
Referência:
Pittas AG et al. Vitamin D Supplementation and Prevention of Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2019 Aug 8;381(6):520-530.
A vitamina B12 é fundamental para a formação dos chamados glóbulos vermelhos (hemácias) do sangue.
São essa células que transportam oxigênio e gás carbônico e sem o seu funcionamento simplesmente morreríamos.
A carência de B12 resulta em anemia, neuropatia (doença nos nervos) e em alguns casos até demência.
As principais fontes dessa vitamina são o leite, ovos, fígado, carne de porco, atum, salmão e truta.
Mas além de a ingerirmos na dieta, precisamos de uma substância produzida no estômago para absorver essa vitamina: o Fator Intrínseco.
OK... mas qual a relação entre diabetes e carência de B12?
No diabetes tipo I (depende de insulina) o sistema imune pode destruir as células do estômago que produzem o Fator Intrínseco. Dessa forma, diabéticos dependentes de insulina sofrem cinco vezes mais anemia perniciosa (por carência de B12) do que pessoas sem a doença.
Já os diabéticos do tipo II, que não precisam de insulina (na maioria dos casos), devem usar medicamentos como a metformina diariamente.
Esse medicamento reduz em muito a absorção de B12, podendo resultar na mesma anemia.
_Fica a nossa sugestão:
diabéticos devem monitorar as suas taxas de B12 com regularidade e consumir com frequência alimentos ricos em B12. Se necessário utilizar suplementos diariamente.
Segundo o IOF, sigla para Fundação Internacional de Osteoporose em inglês, cerca de 200 milhões de mulheres sofrem com osteoporose por ano no mundo.
No Brasil estima-se que 10 milhões de mulheres sejam atingidas (dados da ABRASSO).
Mas segundo os últimos levantamentos cerca de 33% das mulheres brasileiras com mais de 50 anos sofrem da patologia.
Infelizmente apesar de ser bem divulgada, o seu diagnóstico é quase sempre tardio. Na maioria dos casos após a paciente já te sofrido alguma fratura.
Além dos enormes impactos psicossociais, a osteoporose exerce forte pressão econômica:
_De acordo com a consultoria americana Cornestone Research Group, só no Brasil por ano, gasta-se 1,2 bilhão de dólares com o tratamento de fraturas e lesões referentes à doença.
Pesquisas recentes tem levantado um dado chocante: a relação entre fraturas por osteoporose e a morte.
O Dr Ben-Hur Albergaria, professor de Epidemiologia Clínica da UFES e vice-presidente da Comissão Nacional de Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que as fraturas podem ocorrer mesmo sem traumas, como em tosses e espirros.
Ainda segundo Ben-Hur de cada 4 pacientes que sofram fratura de fêmur, 1 vai a óbito por complicações decorrentes do trauma (embolia, infecções).
Dentre as pacientes que não vão a óbito, quase 80 % passa a ter limitações para atividades básicas, como se vestir ou tomar banho.
A ABRASSO estima que 1 a cada 3 mulheres com mais de 50 anos sofrerá alguma fratura relacionada à osteoporose no próximo ano no Brasil. Nos homens a proporção é 1 a cada 5 indivíduos.
As mulheres são mais susceptíveis devido à redução nos estrógenos com a idade e, os ossos masculinos tendem a ser naturalmente mais fortes e resistentes.
Obviamente além do fator sexo/idade, uma dieta pobre em cálcio (ou má absorção) e vitamina D ao longo da vida é determinante na evolução da patologia.
O auge de produção óssea na espécie humana ocorre aos 30 anos de idade. Sendo que a partir daí há uma tendência natural a perdas.
Por exemplo: em 3 ou 4 anos após a menopausa, a mulher perde cerca de 22% de massa óssea. Dessa forma ter uma "poupança" é determinante.
_pratique exercícios físicos.
_pegue sol por ao menos 10 minutos/dia.
_Ingira cálcio e vitamina D! Se não pode com leite, implemente outras fontes ou use suplementos.
_Evite tabaco e excesso de álcool.
Faça exames regularmente, pois a osteoporose não perdoa.
veja.com.br
Segundo artigo publicado na Gastroenterology este ano, o consumo de glúten não afeta a saúde intestinal de indivíduos saudáveis.
O estudo analisou dois grupos de pessoas saudáveis, que receberam dieta contendo glúten ou não.
A conclusão a que se chegou foi que indivíduos que não apresentam sensibilidade não celíaca ao glúten, muito menos eram celíacos, não exibiram nenhuma melhora na sua saúde gastrintestinal.
O glúten é um composto proteico que contem glutenina e gliadina, encontrado em cereais como trigo, centeio e cevada.
Importante frisar que a aveia naturalmente não apesenta glúten, mas pode ser contaminada devido ao processamento nas mesmas fábricas que beneficiam o trigo.
Pessoas com Doença Celíaca desenvolvem alergia/intolerância ao glúten, com quadros de distensão abdominal, cólicas e diarreia.
Estima-se que cerca de 2 % da população mundial apresente intolerância ao glúten.
Há uma crendice popular que o glúten teria efeito semelhante ao ópio em indivíduos autistas, o que foi desconsiderado por vários estudos científicos.
Em relação à perda de peso e emagrecimento, uma dieta sem glúten tende a apresentar até 35 % menos carboidratos, o que justificaria seus efeitos na redução de gordura corporal.
Ainda segundo estudos científicos, se houver substituição por outros carboidratos sem glúten, como arroz, batatas e aipim, os efeitos de emagrecimento são irrisórios.
Obviamente a escolha por cereais integrais, com até o triplo de fibras em comparação aos refinados, é no mínimo prudente. Afinal de contas, pós brancos tendem a não serem bons para a saúde quando ingeridos (açúcar, sal, farinha refinada, cocaína...)
uol.com.br
A chamada Dieta Cetogênica ou alimentação cetogênica baseia-se na redução acentuada no consumo de carboidratos de todos os tipos. Esses nutrientes ficariam compondo menos de 10% da alimentação diária.
A intenção é fazer com que o organismo use outras fontes de nutrientes para a sua manutenção: gorduras e proteínas.
Esse protocolo é utilizado há anos para o tratamento de certos tipos de epilepsia, onde parece reduzir em muito os sintomas.
No caso de diabéticos os dados também parecem positivos. Segundo um estudo amplo realizado no ano passado, alguns pacientes chegaram a parar de utilizar completamente medicações.
Na perda de peso e emagrecimento, essa dieta inicialmente parece uma ótima opção, uma vez que a redução na balança é observada com certa rapidez na maioria dos casos.
Contudo, este ano foi publicado um artigo no Journal of the American Medical Association, por médicos da Escola de Medicina de Nova York, no qual questiona-se os benefícios dessa dieta em médio e longo prazos.
Uma questão levantada é que esse tipo de dieta, se interrompida, pode provocar danos consideráveis, além da recuperação com sobra do peso perdido. Há inclusive dados científicos que demonstram uma desregulação drástica no controle da glicose sanguínea no abandono da dieta ou mesmo pequenos escorregões.
Segundo o endocrinologista e presidente da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) Mário Carra, em termos de emagrecimento os resultados são positivos apenas em curto prazo:
_o organismo entenderia que as inúmeras restrições dessa dieta são um "desafio de sobrevivência" provocando adaptações, que em suma resultariam em um gasto de energia bem menor no dia-a-dia.
Outras questões levantadas envolvem a redução importante no consumo de fibras, uma vez que há limitação no consumo de frutas e cereais;
Ah sim...em algumas abordagens o consumo de gorduras chega a 90%...e para que se alcance esse nível é comum o consumo de gorduras saturadas, que aumentam o "mau colesterol" LDL, associado ao infarto e AVC por centenas de estudos.
Outras consequências relatadas na literatura científica envolvem halitose, constipação intestinal, dores de cabeça, diarreias agudas, fraturas ósseas e carência de vitaminas e minerais.
Há também dados científicos, que relacionam a dieta descrita como causadora de importante estresse hepático, devido à utilização constante de gorduras como fonte energética.
Citarei um caso clínico que acompanhei:
_uma paciente obesa de 34 anos adotou a dieta cetogênica sob orientação de um colega da região por 3 meses.
Houve sim perda de cerca de 6 Kg de massa corpórea, mas boa parte de massa muscular e, observamos importantes efeitos colaterais:
queda de cabelos, fragilidade de unhas e uma deficiência grave de vitamina C...a ponto de apresentar sangramentos nas gengivas...
Não estou aqui para defender ou condenar essa dieta. Mas dificilmente um padrão tão rígido e drástico conseguirá ser mantido por um prazo longo.
Como sempre em ciência, dificilmente algo será excelente para todos e, o que pode parecer uma ótima alternativa em curto prazo, pode tornar-se fonte de muitos problemas em médio e principalmente longo prazo.
seleções.com.br
Pesquisadores do Kings College London publicaram dados científicos onde afirmam, que o consumo regular de vinho tinto é impactante na saúde intestinal.
O artigo publicado na Gastroenterology mês passado, sugere que a diversidade da microbiota intestinal é bem maior em pessoas que bebem regularmente vinho tinto.
Dados da pesquisa também correlacionaram a bebida a uma redução na taxa de infartos do miocárdio, dos níveis do "mau colesterol" e até mesmo de obesidade.
Acredita-se que os efeitos positivos do consumo de vinho tinto devem-se aos polifenóis presentes no mesmo.
Essas substâncias, além de importante ação antioxidante (combate aos radicais livres), agem como "alimento" para as bactérias intestinais do bem, a chamada microbiota intestinal.
Como de praxe, a sugestão é que se consuma uma taça de vinho tinto por dia, portanto, nada de "empurrar o pé na jaca" e se justificar com os benefícios trazidos pela "água de Dionísio".
O Mal de Alzheimer é uma doença onde ocorre deposição das chamadas placas beta amilóides nos neurônios e redução em um neurotransmissor, a acetil colina.
Em suma as transmissão nos nervos associados ao controle dos movimentos, memória, etc, fica prejudicada.
Já no Mal de Parkinson os neurônios que liberam outro neurotransmissor (dopamina) são degradados. Essa alteração pode provocar tremores involuntários, dificuldades na fala e marcha.
Nesse contexto de doenças associadas ao envelhecimento, eis uma boa notícia:
_pesquisadores publicaram no Pharmacology and Therapeutics um extenso estudo de revisão, onde sugerem que o consumo de gengibre pode reduzir ou mesmo prevenir o surgimento desses males.
Até mesmo a redução nos efeitos de AVC obstrutivo (vulgo derrame) tem sido atribuída ao gengibre.
Os benefícios dessa raiz são obtidos com o seu uso em chás ou como tempero. O seu consumo após aquecimento brando parece mais eficaz do que o uso cru (in natura).
Em pessoas saudáveis há dados que indicam melhora na memória e capacidade de aprendizado.
Mas fica a nossa observação: o gengibre reduz a tendência de coagulação sanguínea, de forma que seu uso regular pode potencializar medicamentos anticoagulantes.
O uso de gengibre e outros anticoagulantes como a aspirina (ácido acetil salicílico) pode levar a hemorragias. Portanto, caso vá fazer alguma cirurgia, suspenda o uso uma semana antes.
Pessoas com gastrite costumam utilizar pelo efeito anti-inflamatório do gengibre, que reduz as dores e queimações, mas se houver úlceras estomacais o risco de sangramentos aumenta consideravelmente.
Indivíduos com suspeita de doenças que afetam as plaquetas, como a dengue não devem fazer uso dessa raiz (bem como de AAS), sob o óbvio risco de sangramentos.
O milho (Zea mays) é um cereal, ou seja, faz parte da família do arroz, cevada e trigo.
Atração principal de pratos tanto doces quanto salgados, principalmente nas festas juninas. Cozido, em canjica, curau, pamonha, polenta, etc. São inúmeras as utilidades para esse alimento.
Originário do México, onde cresce uma variedade selvagem, o teosinto, de grãos duros e palha idem. A partir de 8 mil anos atrás, o milho foi sofrendo várias mudanças e ganhou as Américas, com cultivares de maior rendimento, grãos mais macios e paladar mais agradável.
Chamado de Abati pelos Guaranis, pesquisadores da EMBRAPA afirmam que o manejo de variedades ocorreu em vários países, além do México.
Apesar de ter sido parte importante da alimentação do Brasil colonial, o milho foi sofrendo depreciações, pois era associado ao consumo por escravos e classes menos favorecidas.
Mesmo sendo responsável por 40% da nossa produção de grãos (somos o terceiro produtor mundial), esse cereal perdeu espaço em nossa culinária. Sendo componente importante da ração animal.
Uma pena, pois o milho apresenta carboidratos complexos, que alteram aos poucos a glicose sanguínea. Apresenta proteínas, que se combinado com leguminosas, como feijões, lentilhas, soja ou grão de bico, forma uma proteína de Alto Valor Biológico, semelhante a da carne.
Vitaminas do complexo B e fibras ainda compõem o arsenal desse cereal saudável. Ainda podemos citar carotenóides como a zeaxantina, com importante ação antioxidante nas nossas células.
Os mais longevos se lembram do lanche da tarde com milho cozido em água e sal e o café quentinho que o brasileiro tanto adora.
Ah sim...os temidos transgênicos...segundo pesquisas publicadas na Nature especificamente sobre o milho, não há nenhum dado sobre o consumo de milho transgênico e danos à saúde humana.
Mas para os que preferem milho de origem orgânica, devem ter cautela de onde o adquirem, pois podem não apresentar defensivos agrícolas em seu cultivo, mas podem trazer parasitas.
Que tal apresentarmos aos nossos filhos o velho e bom milho cozido nos lanches? Ou mesmo a pipoca, que mantem muitas das propriedades do milho...só segurar a mão no óleo e sal.
Inúmeras informações abundam na internet a todo instante.
Infelizmente a maioria carece de base científica, ou mesmo, são inverdades deslavadas.
Uma notícia recente que invadiu as redes sociais, trata do uso de suco de côco quente para a cura de câncer.
Segundo a tal notícia, o cientista chinês Chen-Hui Ren, pesquisador que de fato existe e atua no Hospital Geral da China, teria descoberto a cura para tumores malignos.
Ainda segundo o divulgado, o suco de côco feito com a polpa ralada e aquecida em água, seria capaz de promover a regressão e mesmo a cura de todos os tipos de tumor.
O primeiro grande furo dessa mensagem é que o câncer nunca é uma doença só. Existem vários tipos de tumor e, cada um com uma etiologia, desenvolvimento e tratamento.
Não há uma única cura para todos os tumores. Muito menos uma atitude básica, que vá prevenir todos os possíveis tumores.
A todo tempo surgem profetas da cura nas redes sociais. Alguns se escoram em diplomas médicos ou de outras áreas. Ganham notoriedade com base no impacto que suas informações geram.
Infelizmente a imensa maioria é de charlatões, que buscam fama e consequentemente sucesso financeiro em cima de uma população com pouquíssima formação básica em química, português, biologia e que se torna solo fértil para os "criativos" de plantão.
É questão de tempo para uma novidade assaltar as redes sociais.
Seja uma fruta exótica, que emagrece ou cura tudo, de depressão a unha encravada ou um chá que rejuvenesce 10 anos...quem não se lembra do suco de Noni? O milagre operado pelo Goji berry? Sal rosa?, etc.