Outubro Rosa reforça prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, em Campos
Júlia Alves - Atualizado em 10/10/2026 08:22
Programação da campanha do Outubro Rosa é iniciada em Campos
Programação da campanha do Outubro Rosa é iniciada em Campos / Rodrigo Silveira
A campanha do Outubro Rosa reforça o alerta da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. De acordo com a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 78.610 casos da doença devem surgir entre 2026 e 2028 no Brasil. Com a identificação precoce, aumenta-se as chances de tratamento, enquanto a campanha busca conscientizar a população sobre a importância do cuidado com a saúde feminina durante o ano todo. Em Campos, a campanha é destacada através de diversas ações de conscientização e oferta de serviços, como realização de exames.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), de janeiro de 2025 até julho de 2026, foram realizadas 9.488 mamografias. Já o Programa Campos Sempre Rosa realizou 11.968 atendimentos e 79 biópsias entre janeiro e setembro deste ano, sendo que 94 pacientes foram encaminhadas para as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs). Enquanto no passado, foram realizados 8.721 atendimentos e 102 biópsias. Deste total foram encaminhados 152 pacientes para as UNACONs.
De acordo com dados do Inca, cerca de 17% dos casos de câncer podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como praticar atividade física, manter o peso corporal adequado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. A amamentação também é considerada uma forma de proteção contra o câncer de mama, segundo o Inca.
Esse câncer pode ser identificado logo nas fases iniciais e, por isso, as mulheres devem ficar atentas aos seguintes sinais e sintomas: nódulo na mama em mulheres com mais de 50 anos; nódulo na mama em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual; nódulo na mama de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade; saída espontânea de líquidos de um dos mamilos; lesão da pele da mama que não responde a tratamentos tópicos; aumento progressivo do tamanho da mama; pele da mama com aspecto de casca de laranja; retração na pele da mama; mudança no formato do mamilo; surgimento de pequenos nódulos no pescoço ou na região das axilas.
Ao apresentar algum desses sinais e sintomas, as mulheres devem sempre procurar um médico para verificar se trata-se de câncer. O Inca orienta ainda que mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis, pode ser no banho, durante a troca de roupa ou em outra situação do dia a dia. Não é necessária nenhuma técnica específica.
Foi o caso da enfermeira Ligia Pereira, de 47 anos. Ela conta que descobriu a doença em dezembro de 2017 após fazer um autoexame e encontrar um nódulo. Segundo Ligia, ela não tinha nenhum outro sintoma do câncer, nem caso hereditário na família. A partir daí, foi iniciada a investigação com mais exames até o diagnóstico confirmar.
“No dia 26 de janeiro de 2018 foi confirmado pós-biópsia. Receber o diagnóstico foi muito difícil no primeiro momento, mas me agarrei nisos com todas as forças a possibilidade de ter um tratamento. Em 2018, foi o processo de seis sessões de quimioterapia, cirurgia em setembro e dezembro, e 28 sessões de radioterapia. O momento mais difícil foi o resultado da biópsia. Em março, 15 dias depois da primeira sessão de quimio, o cabelo caiu em grande quantidade e eu tive que raspar o cabelo. Então, tomar essa decisão foi difícil. Então foram esses dois momentos mais críticos”, contou.
Ligia e Leila Ribeiro, fundadora do grupo voluntário Amigas Guerreiras
Ligia e Leila Ribeiro, fundadora do grupo voluntário Amigas Guerreiras / Arquivo Pessoal
O acolhimento e o apoio são fundamentais durante o tratamento
Lena Souza é presidente do Instituto Sawanna, que atende pessoas com câncer, doenças raras e degenerativas há dez anos em Campos. Atualmente, a fundação presta assistência a 468 famílias. Lena destaca que, além do tratamento médico, as mulheres precisam de acolhimento e apoio emocional durante o processo, com isso, a instituição desenvolve ações que ajudam a resgatar a autoestima das pacientes com câncer de mama.
“Elas precisam se sentir acolhidas, amadas e lembradas de que continuam sendo mulheres fortes e importantes. No Instituto Sawanna, procuramos oferecer esse acolhimento de diversas formas. Uma das ações que realizamos é a doação de próteses capilares, que têm um significado muito maior do que apenas recuperar os cabelos: elas ajudam a resgatar a autoestima, a confiança e, muitas vezes, o desejo de se olhar novamente no espelho e se reconhecer. É um gesto que ajuda a devolver um pouco da dignidade e da alegria durante o tratamento”, disse.
Lena Souza, presidente do Instituto Sawanna
Lena Souza, presidente do Instituto Sawanna / Rodrigo Silveira
Outro fator importante que Lena destaca é o apoio da família das pacientes durante o tratamento de câncer. “A família tem um papel fundamental. Muitas vezes, a melhor ajuda é simplesmente estar presente, ouvir, acompanhar nas consultas, respeitar os momentos difíceis e não deixar essa mulher se sentir sozinha. Palavras de carinho, paciência e compreensão fazem uma diferença enorme. O câncer também afeta emocionalmente toda a família, por isso o apoio precisa ser conjunto”, comentou.
Para Ligia, os pilares fundamentais para encarar a doença são: Deus, a família, os amigos e um projeto especial.
“Além da família, os amigos e da religiosidade com Deus, outra coisa fundamental foi o grupo de apoio. Quando eu já estava com o sintoma do nódulo e uma amiga me apresentou as Amigas Guerreiras com a liderança da Leila. Não tem preço conversar com outras mulheres que estão sentindo a mesma coisa que você, que estão com as mesmas dúvidas e com os mesmos sentimentos. Porque você ter um amigo, alguém da família que te apoia, é uma ajuda, mas conversar com mulheres que estão vivenciando o mesmo que você não tem preço. Então, o grupo de apoio Amigas Guerreiras me fez crescer para enfrentar a doença de cara, de peito aberto e com a certeza de cura”, relatou Ligia.
O Grupo Amigas Guerreiras é um projeto volutário criado há onze anos pela técnica de mamografia do Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), Leila Ribeiro. O objetivo é acolher e oferecer suporte à mulheres com câncer. O grupo possui projetos como: banco de lenços: são doados lenços, toucas e turbantes; banco de perucas: doações de cabelos recebidos para confecção de perucas; projeto Almofadas do Coração: são almofadas pós-cirúrgicas que são doadas para pacientes que fazem mastectomia; Mamas do Amor: são próteses externas feitas de alpiste e Cestas do Bem, onde são arrecadadas cestas básicas para doar para as famílias mais carentes das integrantes do grupo.
“O grupo nasceu de um desejo do meu coração de ajudar as pacientes oncológicas do hospital, eu sou técnica de radiologia e trabalho na mamografia do Álvaro Alvim e comecei doando lenços na Oncologia no Dia das Mães em 2015, e depois com apoio e carinho de todos nosso projeto foi crescendo e vieram mais projetos. Ver o sorriso no rosto de tantas pacientes é algo que me emociona muito, levar um pouco de alegria a essas mulheres em meio a tanto sofrimento me dá a certeza que Deus realmente tem uma missão na minha vida, que é abraçar e ajudar a todos que eu puder”, destacou Leila.
Leila Ribeiro
Leila Ribeiro / Arquivo Pessoal
Campos com programação especial do Outubro Rosa
A campanha no município foi iniciada com uma roda de conversa no Parquecentro Shopping, no dia 8 deste mês, em evento promovido pelo Instituto Sawanna. Mais de 50 mulheres prestigiaram a ação com o tema “É tempo de florescer”, que buscou conscientizar sobre a prevenção, o diagnóstico precoce do câncer, a importância da mamografia de rastreamento e do autoconhecimento do corpo. A coordenadoria do Centro de Referência e Tratamento da Mulher (CRTM) participou do evento.
Rodrigo Silveira
A programação segue com diversas ações que serão realizadas nos próximos dias em prol da campanha. No dia 14 de outubro, será realizada uma palestra na Subsecretaria Municipal de Igualdade Racial e Direitos Humanos (SIRDH), a partir das 9h. Já no dia 16, terá Acolhimento ao Projeto Social “Cuidando de Quem Cuida”, ação será voltada especialmente para mães de crianças atípicas.
No dia 18 será o Dia D do Outubro Rosa no CRTM, enquanto no dia 19 terá Roda de conversa “Entre Mulheres: Cuidar de Si Também é Prioridade”, sede da Construtora Realiza. Já no dia 21 de outubro terá Ação do Outubro Rosa junto ao Programa de Assistência ao Paciente com Asma e Rinite (PROAPAR). No dia 22 de outubro acontece a Roda de conversa na Policlínica da Família Dr. Henrique Oliveira (antigo CSU de Guarus).
Ainda entre os dias 26 e 30 de outubro, durante a Semana do Servidor Público, o CRTM estará presente, junto às demais secretarias municipais, com um estande dedicado à saúde da mulher. As servidoras públicas municipais terão acesso às ações de orientação, prevenção, cuidado e oferta de exames.
O município também receberá a Carreta Saúde da Mulher, do Programa Agora tem Especialista do Ministério da Saúde, que está prevista para chegar em novembro. Segundo a prefeitura, com a vinda do equipamento móvel serão ofertados exames e consultas às mulheres.
Outro destaque da campanha do Outubro Rosa na cidade é o “Projeto Prevenir”, uma parceria entre o Hospital Escola Álvaro Alvim e a instituição financeira cooperativa Sicoob Fluminense, realizada já há seis anos, que busca promover a instrução, prevenção, detecção precoce do câncer de mama, próstata e câncer de pele. Durante a campanha do Outubro Rosa, além de participar do programa de instrução, cerca de 400 mulheres acima de 40 anos vão realizar exames de mamografia, sem nenhum custo, após inscrição no site. Todas as vagas já foram preenchidas e os exames foram iniciados na segunda-feira (6).
Instituto Sawanna também intensifica ações durante campanha
O Instituto Sawanna também realizará outras ações durante a campanha, conforme destacou Lena. “Durante o Outubro Rosa, o Instituto Sawanna intensifica suas ações de acolhimento, conscientização e apoio às mulheres que enfrentam o câncer. Estamos preparando ações para levar informação, carinho e esperança, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Também buscamos proporcionar momentos de acolhimento e fortalecer a autoestima dessas mulheres durante uma fase tão delicada”, explica.
Lena deixa uma mensagem de apoio às mulheres que estão enfrentando o diagnóstico do câncer de mama, reforçando a importância de buscar apoio.
“A nossa mensagem é: não enfrente essa caminhada sozinha. Procure ajuda, faça seus exames, cuide de você e permita-se ser acolhida. O câncer pode mudar muitas coisas, mas não define quem você é. No Instituto Sawanna, acreditamos que cada mulher merece ser cuidada com amor, respeito e dignidade. E queremos lembrar a todas: vocês não estão sozinhas. Estamos juntas nessa caminhada, levando acolhimento, esperança e força para cada mulher”, reforça.
Ligia também reforça: “quanto mais cedo detectar, mais chance de cura. Então a mensagem é essa: se ame, se toque, se cuide e estimule outras mulheres a fazer o mesmo.”

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