Bruno Dauaire: "Mais uma vez fui o mais votado da cidade de Campos"
“Foi uma campanha que me deixou mais cansado mentalmente do que fisicamente. Em várias ocasiões, a gente se deparou com episódios que não são aceitos dentro de uma democracia e de um processo eleitoral”. Foi o que disse Bruno Dauaire (União Brasil), deputado estadual reeleito pela quarta vez, no Folha no Ar, na sexta-feira (9). Ele ainda comentou sobre a disputa interna com Thiago Virgílio (Republicanos), que não se elegeu ao cargo. O deputado também falou sobre Rodrigo Bacellar e a imagem do Legislativo fluminense. No decorrer da conversa, Bruno abordou a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) no Estado do Rio, a vitória de Douglas Ruas (PL) e os possíveis reflexos no interior do Rio. Por fim, ele projetou o 2º turno da eleição presidencial e os impactos de uma vitória de Flávio Bolsonaro, candidato do PL.
Desgaste da campanha – “Foi uma campanha que me deixou mais cansado mentalmente do que fisicamente. Em várias ocasiões, a gente se deparou com episódios que não são aceitos dentro de uma democracia e de um processo eleitoral, que sempre foi tranquilo na cidade de Campos. Inclusive, é a quarta eleição que eu disputei. Com equipes de outros candidatos arrancando os adesivos que a gente colava. Se não arrancava, colava os adesivos em cima dos nossos. Episódios, inclusive, de violência, que a gente repudiou ao longo da campanha. Então, tudo isso para mim foi mais estressante psicologicamente do que fisicamente, porque as pessoas que me conhecem ao longo desses anos todos de vida pública, conhecem o meu posicionamento ponderado e de diálogo.”
Concorrência dentro da máquina – “Como eu costumo dizer, eu não viro página, eu queimo página. Mais uma vez fui o mais votado da cidade de Campos, embora tenha concorrido com o Thiaguinho (Thiago Virgílio) dentro da própria máquina municipal, que teve uma forte mobilização ao apoio da candidatura dele. Foi uma eleição que a gente teve mais concorrência porque, se você pegar a minha votação da eleição de 2022 e de 2026, e somar com os votos que o Thiaguinho teve nessa eleição, dá mais ou menos a votação que eu tive (em 2022). Eu tive uma concorrência dentro da máquina pública, que foi fortemente mobilizada para apoiar o Thiago Virgílio, em um acordo que foi feito. Muita gente me perguntou, ao longo da campanha, quantos votos eu esperava fazer. Óbvio que a gente esperava fazer mais votos em Campos. Mas, depois que fecharam as urnas e ao longo dessa semana, a gente pôde ver como se deu essa eleição. Tanto eu quanto Wladimir fomos vitoriosos.”
Polêmica com Rosinha – “É bom lembrar que o próprio santinho, que a gente entregava na caminhada, e a própria equipe do Romário, era o santinho com o candidato a governador Garotinho. Então, acabou ali naquele momento alguém passando uma desinformação à ex-governadora Rosinha, que acabou insuflando ela gravar aquele vídeo. Mas eu acho que isso ficou muito claro, principalmente ao longo da campanha, do meu posicionamento em relação à decisão do grupo.”
“Pintaram a Alerj de quadrilha” – Pintaram a Assembleia Legislativa ao longo principalmente desse ano, começando no final do ano passado, de organização criminosa, de quadrilha, colocando todos os deputados no mesmo saco. Isso foi muito duro para quem defende a instituição. Quando voltei da secretaria (de Habitação de Interesse Social), eu usei o microfone da Assembleia por várias vezes para lembrar que ali tinham deputados sérios, comprometidos, com responsabilidade e defendendo a instituição. Porque naquele momento a instituição estava sendo atacada na sua totalidade.”
Rodrigo Bacellar – “Em relação à prisão do Rodrigo Bacellar, isso vai muito na questão da narrativa que todos os deputados enfrentaram ao longo desta eleição. Pintaram os deputados como se fossem todos eles criminosos. E isso de fato é uma narrativa implantada pelo Eduardo Paes e pela esquerda para que pudesse, de alguma maneira, atingir a candidatura do Flávio e também do Douglas Ruas. Só que, graças a Deus, isso não colou, até porque todos esses ataques generalizando os deputados acabou caindo por terra. Só houve uma permanência de 60% desses deputados. Eu confesso que nunca tinha escutado falar em relação ao ex-deputado Bacellar com essa relação com o crime organizado. Para mim foi uma surpresa muito grande. Mas de fato, criou-se um ambiente no Rio de Janeiro pior que o ambiente da época da Lava Jato, para tentar desmoronar qualquer candidatura à direita que pudesse favorecer o Flávio. Isso ficou claro nas intervenções do poder Judiciário ao longo desse tempo. Deixando de fora o Douglas Ruas da cadeira de governador, sendo presidente (da Alerj) e estando na linha sucessória. Todas essas intervenções judiciais, todo o temor que a Alerj viveu com especulações de operações e de prisão de deputados. Tudo isso foi implantado dentro de uma narrativa para prejudicar, com certeza, a eleição da direita no estado.”
Vitória de Ruas após intervenção do Judiciário – “Acho que foi feita justiça com o Douglas. Primeiro que o Douglas tem uma capacidade administrativa inquestionável. Pela idade, ele tem 37 anos, uma maturidade política impressionante. Então, eu particularmente sou um fã da postura estadista, da inteligência e do equilíbrio do Douglas. Mas, quando digo que justiça foi feita, é porque acompanhei esse processo desde o início e vi de perto a intervenção do Judiciário no estado do Rio de Janeiro, principalmente na questão da linha sucessória. Quando Douglas ganha para presidente da Assembleia, e não foi fácil, porque fizemos uma primeira eleição, que foi anulada, depois fizemos outra eleição, acreditávamos que a Constituição iria ser cumprida para que ele pudesse se tornar governador. Porque até hoje nós temos um governador interino, que é presidente do Tribunal de Justiça.”
Definição no 1º turno – “Nesse momento final, a Justiça acabou fazendo o papel dela, que é justamente dar a vitória no primeiro turno a ele (Ruas), cumprindo a Constituição e os arcabouços legais que determinam as regras do processo eleitoral. Quem não esperava isso foi o candidato Eduardo Paes, que foi o autor da ação de impugnação da candidatura do Garotinho, porque justamente esperava que esse efeito que está acontecendo com Douglas acontecesse com ele. Ele esperava chegar na eleição à frente do Douglas com uma votação que pudesse fazer com que ele tivesse maioria dos votos, possibilitando a vitória no primeiro turno.”
Ruas com maioria na Alerj renovada – “Houve uma renovação de 40% da Assembleia (Legislativa do Rio). Com 21 deputados eleitos pelo PL, foi um recorde. Nossa federação (União Brasil-Progressistas) teve nove e foi a segunda maior bancada, se eu não me engano. Eu acho que hoje o Douglas Ruas tem na Assembleia Legislativa uma maioria esmagadora dos deputados para ajudá-lo a governar esse estado complexo e difícil. Nós estaremos lá, ao lado do governo eleito, para poder dar sustentação a essa base de apoio. Ainda é muito prematuro discutir eleição de Mesa (Diretora). A eleição a governador sequer acabou oficialmente, acho que amanhã (sábado) de fato termina com a retotalização dos votos.”
“Ruas não será continuidade de Castro” – “Sou muito grato ao ex-governador Cláudio Castro por tudo que ele fez na cidade de Campos e na nossa região. Foi um governador que investiu muito no interior e me possibilitou também fazer muitos investimentos no interior. Mas o Douglas tem a maneira dele de organizar o Estado, eu tenho certeza disso. Tem certas coisas que não deram certo no governo Cláudio Castro e tenho certeza que não se repetirão no governo Douglas Ruas. Outras coisas que deram certo, tenho certeza que o Douglas vai aperfeiçoar para que possa melhorar. Mas eu não acho que vai ser uma continuidade do governo Cláudio Castro. Acho que a gente tem que corrigir a rota, consertar o que deu errado e melhorar e qualificar o que deu certo. Eu tenho certeza que o Douglas é a pessoa para fazer esse movimento.”
Saúde de Campos – “Conversando com o Douglas (Ruas), na época (da eleição à presidência da Alerj), dizia para ele todo o problema que a gente enfrentou da suspensão (dos repasses) cofinanciamento. Ele dizia: “Olha, meu primeiro passo é estabelecer um calendário regular de pagamento”. Talvez não possa atingir a expectativa que o prefeito tenha em relação ao cofinanciamento, mas o prefeito vai saber que vai poder contar com aquele valor naquele dia para poder organizar a saúde do município dele. O que não pode ser feito, que houve na gestão passada da secretaria de Saúde, é que a distribuição era injusta. Cidades como Duque de Caxias e Nova Iguaçu tiveram repasses altíssimos, enquanto cidades como Campos, que era polo regional, e outras cidades, a própria São Gonçalo, tiveram dificuldade de receber esses repasses. Então é uma luta que a gente vai travar.”
Proximidade com Flávio – “Wladimir é da nossa região e já foi prefeito de Campos. Ele conhece de perto os problemas da cidade e os problemas das gestões dos municípios do interior do estado. Vai poder contribuir demais com a nossa região. Eu acho que vai ser muito importante ter o Wladimir na Câmara e dentro de um partido vitorioso, já é na eleição de deputado e será na eleição de presidente. Relembrando aqui a época do nosso querido Paulo Feijó, quando ganhou eleição para deputado federal e tinha o Fernando Henrique muito próximo a ele. Nossa região cresceu e ganhou muito. E hoje o Wladimir é esta figura. A gente vai ganhar muito nessa interlocução. Teve uma votação muito expressiva no interior do estado, conhece os caminhos do Congresso e é querido pelo (candidato a) presidente. Tenho certeza que a gente vai ganhar muito nessa interlocução.”
Mobilização bolsonarista – “O bolsonarismo, a direita, hoje o bolsonarista e toda a direita, elas têm um poder de mobilização muito maior do que o campo da esquerda. Você percebe isso quando as pesquisas traçam esses percentuais e, depois da urna aberta, percebe um crescimento grande dos votantes da direita. Isso aconteceu quando o Flávio foi candidato a prefeito do Rio. As pesquisas apontavam um percentual e quando abriu a urna ele teve um crescimento muito grande. Sempre digo isso e disse nessa eleição: “A hora que abrir a urna, vocês vão se surpreender”. Porque o poder da direita de mobilização, de fazer com que o eleitor vá votar, é muito maior do que a esquerda. Isso é um ponto importante. Tanto é que a esquerda hoje, nesse início de segundo turno, tem tentado seguir as mobilizações feitas pela direita. Basta ver essas últimas passeatas que a esquerda tem feito.”
2º turno entre Lula e Flávio – “Não acredito que o Lula consiga achar esses votos para poder reverter essa situação. Dizer que a eleição está ganha também é impossível porque cabeça de juiz, bumbum de neném e urna eleitoral, a gente espera qualquer coisa. Mas acredito que o caminho para a vitória do Flávio Bolsonaro esteja muito mais próximo. Muito perto disso acontecer. Não vejo como, ainda mais agora, com essa informação que eu não estava sabendo em relação ao financiamento do filme do Lula. Cai por terra talvez o maior argumento em relação ao caso do Banco Master e do próprio PT. Como o segundo turno é muito mais curto, é um tiro só, isso vai prejudicar ainda mais no caso desses eleitores independentes que o Lula tem que convencer a votar nele. Então, é uma eleição muito próxima da vitória do Flávio Bolsonaro.
Pós-eleição a presidente – “Acho que a gente já está vivendo em uma crise institucional sem precedentes. Eu vou repetir aqui a frase do Tiririca: “Pior que está, não fica”. O grande guardião da nossa Constituição, o STF, passando por todas essas polêmicas. Eu acho que no primeiro ano de governo, a gente vai passar limpo o Brasil. Doa a quem doer. Eu acho que vão ser instaurados processos de impeachment e isso é uma consequência trazida pelas próprias atitudes dos ministros do STF. Acredito que o primeiro ministro seria o Alexandre Moraes e talvez seja por isso que ele não esteja afrouxando a corda, talvez ele esteja tentando dar o famoso all-in, tudo ou nada. Porque ele sabe que dificilmente, com a nova composição do Congresso, escapará de um processo. Se ele vai ser empichado ou não é outra história, mas dificilmente não passará por um processo de impeachment.”
Concorrência dentro da máquina – “Como eu costumo dizer, eu não viro página, eu queimo página. Mais uma vez fui o mais votado da cidade de Campos, embora tenha concorrido com o Thiaguinho (Thiago Virgílio) dentro da própria máquina municipal, que teve uma forte mobilização ao apoio da candidatura dele. Foi uma eleição que a gente teve mais concorrência porque, se você pegar a minha votação da eleição de 2022 e de 2026, e somar com os votos que o Thiaguinho teve nessa eleição, dá mais ou menos a votação que eu tive (em 2022). Eu tive uma concorrência dentro da máquina pública, que foi fortemente mobilizada para apoiar o Thiago Virgílio, em um acordo que foi feito. Muita gente me perguntou, ao longo da campanha, quantos votos eu esperava fazer. Óbvio que a gente esperava fazer mais votos em Campos. Mas, depois que fecharam as urnas e ao longo dessa semana, a gente pôde ver como se deu essa eleição. Tanto eu quanto Wladimir fomos vitoriosos.”
Polêmica com Rosinha – “É bom lembrar que o próprio santinho, que a gente entregava na caminhada, e a própria equipe do Romário, era o santinho com o candidato a governador Garotinho. Então, acabou ali naquele momento alguém passando uma desinformação à ex-governadora Rosinha, que acabou insuflando ela gravar aquele vídeo. Mas eu acho que isso ficou muito claro, principalmente ao longo da campanha, do meu posicionamento em relação à decisão do grupo.”
“Pintaram a Alerj de quadrilha” – Pintaram a Assembleia Legislativa ao longo principalmente desse ano, começando no final do ano passado, de organização criminosa, de quadrilha, colocando todos os deputados no mesmo saco. Isso foi muito duro para quem defende a instituição. Quando voltei da secretaria (de Habitação de Interesse Social), eu usei o microfone da Assembleia por várias vezes para lembrar que ali tinham deputados sérios, comprometidos, com responsabilidade e defendendo a instituição. Porque naquele momento a instituição estava sendo atacada na sua totalidade.”
Rodrigo Bacellar – “Em relação à prisão do Rodrigo Bacellar, isso vai muito na questão da narrativa que todos os deputados enfrentaram ao longo desta eleição. Pintaram os deputados como se fossem todos eles criminosos. E isso de fato é uma narrativa implantada pelo Eduardo Paes e pela esquerda para que pudesse, de alguma maneira, atingir a candidatura do Flávio e também do Douglas Ruas. Só que, graças a Deus, isso não colou, até porque todos esses ataques generalizando os deputados acabou caindo por terra. Só houve uma permanência de 60% desses deputados. Eu confesso que nunca tinha escutado falar em relação ao ex-deputado Bacellar com essa relação com o crime organizado. Para mim foi uma surpresa muito grande. Mas de fato, criou-se um ambiente no Rio de Janeiro pior que o ambiente da época da Lava Jato, para tentar desmoronar qualquer candidatura à direita que pudesse favorecer o Flávio. Isso ficou claro nas intervenções do poder Judiciário ao longo desse tempo. Deixando de fora o Douglas Ruas da cadeira de governador, sendo presidente (da Alerj) e estando na linha sucessória. Todas essas intervenções judiciais, todo o temor que a Alerj viveu com especulações de operações e de prisão de deputados. Tudo isso foi implantado dentro de uma narrativa para prejudicar, com certeza, a eleição da direita no estado.”
Vitória de Ruas após intervenção do Judiciário – “Acho que foi feita justiça com o Douglas. Primeiro que o Douglas tem uma capacidade administrativa inquestionável. Pela idade, ele tem 37 anos, uma maturidade política impressionante. Então, eu particularmente sou um fã da postura estadista, da inteligência e do equilíbrio do Douglas. Mas, quando digo que justiça foi feita, é porque acompanhei esse processo desde o início e vi de perto a intervenção do Judiciário no estado do Rio de Janeiro, principalmente na questão da linha sucessória. Quando Douglas ganha para presidente da Assembleia, e não foi fácil, porque fizemos uma primeira eleição, que foi anulada, depois fizemos outra eleição, acreditávamos que a Constituição iria ser cumprida para que ele pudesse se tornar governador. Porque até hoje nós temos um governador interino, que é presidente do Tribunal de Justiça.”
Definição no 1º turno – “Nesse momento final, a Justiça acabou fazendo o papel dela, que é justamente dar a vitória no primeiro turno a ele (Ruas), cumprindo a Constituição e os arcabouços legais que determinam as regras do processo eleitoral. Quem não esperava isso foi o candidato Eduardo Paes, que foi o autor da ação de impugnação da candidatura do Garotinho, porque justamente esperava que esse efeito que está acontecendo com Douglas acontecesse com ele. Ele esperava chegar na eleição à frente do Douglas com uma votação que pudesse fazer com que ele tivesse maioria dos votos, possibilitando a vitória no primeiro turno.”
Ruas com maioria na Alerj renovada – “Houve uma renovação de 40% da Assembleia (Legislativa do Rio). Com 21 deputados eleitos pelo PL, foi um recorde. Nossa federação (União Brasil-Progressistas) teve nove e foi a segunda maior bancada, se eu não me engano. Eu acho que hoje o Douglas Ruas tem na Assembleia Legislativa uma maioria esmagadora dos deputados para ajudá-lo a governar esse estado complexo e difícil. Nós estaremos lá, ao lado do governo eleito, para poder dar sustentação a essa base de apoio. Ainda é muito prematuro discutir eleição de Mesa (Diretora). A eleição a governador sequer acabou oficialmente, acho que amanhã (sábado) de fato termina com a retotalização dos votos.”
“Ruas não será continuidade de Castro” – “Sou muito grato ao ex-governador Cláudio Castro por tudo que ele fez na cidade de Campos e na nossa região. Foi um governador que investiu muito no interior e me possibilitou também fazer muitos investimentos no interior. Mas o Douglas tem a maneira dele de organizar o Estado, eu tenho certeza disso. Tem certas coisas que não deram certo no governo Cláudio Castro e tenho certeza que não se repetirão no governo Douglas Ruas. Outras coisas que deram certo, tenho certeza que o Douglas vai aperfeiçoar para que possa melhorar. Mas eu não acho que vai ser uma continuidade do governo Cláudio Castro. Acho que a gente tem que corrigir a rota, consertar o que deu errado e melhorar e qualificar o que deu certo. Eu tenho certeza que o Douglas é a pessoa para fazer esse movimento.”
Saúde de Campos – “Conversando com o Douglas (Ruas), na época (da eleição à presidência da Alerj), dizia para ele todo o problema que a gente enfrentou da suspensão (dos repasses) cofinanciamento. Ele dizia: “Olha, meu primeiro passo é estabelecer um calendário regular de pagamento”. Talvez não possa atingir a expectativa que o prefeito tenha em relação ao cofinanciamento, mas o prefeito vai saber que vai poder contar com aquele valor naquele dia para poder organizar a saúde do município dele. O que não pode ser feito, que houve na gestão passada da secretaria de Saúde, é que a distribuição era injusta. Cidades como Duque de Caxias e Nova Iguaçu tiveram repasses altíssimos, enquanto cidades como Campos, que era polo regional, e outras cidades, a própria São Gonçalo, tiveram dificuldade de receber esses repasses. Então é uma luta que a gente vai travar.”
Proximidade com Flávio – “Wladimir é da nossa região e já foi prefeito de Campos. Ele conhece de perto os problemas da cidade e os problemas das gestões dos municípios do interior do estado. Vai poder contribuir demais com a nossa região. Eu acho que vai ser muito importante ter o Wladimir na Câmara e dentro de um partido vitorioso, já é na eleição de deputado e será na eleição de presidente. Relembrando aqui a época do nosso querido Paulo Feijó, quando ganhou eleição para deputado federal e tinha o Fernando Henrique muito próximo a ele. Nossa região cresceu e ganhou muito. E hoje o Wladimir é esta figura. A gente vai ganhar muito nessa interlocução. Teve uma votação muito expressiva no interior do estado, conhece os caminhos do Congresso e é querido pelo (candidato a) presidente. Tenho certeza que a gente vai ganhar muito nessa interlocução.”
Mobilização bolsonarista – “O bolsonarismo, a direita, hoje o bolsonarista e toda a direita, elas têm um poder de mobilização muito maior do que o campo da esquerda. Você percebe isso quando as pesquisas traçam esses percentuais e, depois da urna aberta, percebe um crescimento grande dos votantes da direita. Isso aconteceu quando o Flávio foi candidato a prefeito do Rio. As pesquisas apontavam um percentual e quando abriu a urna ele teve um crescimento muito grande. Sempre digo isso e disse nessa eleição: “A hora que abrir a urna, vocês vão se surpreender”. Porque o poder da direita de mobilização, de fazer com que o eleitor vá votar, é muito maior do que a esquerda. Isso é um ponto importante. Tanto é que a esquerda hoje, nesse início de segundo turno, tem tentado seguir as mobilizações feitas pela direita. Basta ver essas últimas passeatas que a esquerda tem feito.”
2º turno entre Lula e Flávio – “Não acredito que o Lula consiga achar esses votos para poder reverter essa situação. Dizer que a eleição está ganha também é impossível porque cabeça de juiz, bumbum de neném e urna eleitoral, a gente espera qualquer coisa. Mas acredito que o caminho para a vitória do Flávio Bolsonaro esteja muito mais próximo. Muito perto disso acontecer. Não vejo como, ainda mais agora, com essa informação que eu não estava sabendo em relação ao financiamento do filme do Lula. Cai por terra talvez o maior argumento em relação ao caso do Banco Master e do próprio PT. Como o segundo turno é muito mais curto, é um tiro só, isso vai prejudicar ainda mais no caso desses eleitores independentes que o Lula tem que convencer a votar nele. Então, é uma eleição muito próxima da vitória do Flávio Bolsonaro.
Pós-eleição a presidente – “Acho que a gente já está vivendo em uma crise institucional sem precedentes. Eu vou repetir aqui a frase do Tiririca: “Pior que está, não fica”. O grande guardião da nossa Constituição, o STF, passando por todas essas polêmicas. Eu acho que no primeiro ano de governo, a gente vai passar limpo o Brasil. Doa a quem doer. Eu acho que vão ser instaurados processos de impeachment e isso é uma consequência trazida pelas próprias atitudes dos ministros do STF. Acredito que o primeiro ministro seria o Alexandre Moraes e talvez seja por isso que ele não esteja afrouxando a corda, talvez ele esteja tentando dar o famoso all-in, tudo ou nada. Porque ele sabe que dificilmente, com a nova composição do Congresso, escapará de um processo. Se ele vai ser empichado ou não é outra história, mas dificilmente não passará por um processo de impeachment.”