Setembro Amarelo: reconhecer os sinais também é uma forma de cuidar da saúde mental
Nem sempre o sofrimento emocional é percebido por quem está por perto. Mudanças de comportamento, isolamento e alterações na rotina podem ser sinais de que alguém precisa de ajuda. Saber como agir diante dessa situação é o primeiro passo para ajudar quem enfrenta o sofrimento emocional. No mês do Setembro Amarelo, especialistas reforçam a importância de reconhecer esses sinais, oferecer acohlimento e buscar ajuda profissional, enquanto a rede pública de Campos oferece diferentes caminhos para quem precisa de atendimento em saúde mental.
De acordo com especialistas, nem sempre é fácil diferenciar uma tristeza de um quadro depressivo grave. No entanto, a psicóloga Nágila Coutinho destaca alguns dos sinais que merecem atenção são mudanças de humor, irritabilidade, isolamento social, queda no rendimento, alterações no sono e no apetite, choro frequente, sensação de vazio, desesperança, cansaço constante e dificuldade de concentração.
“Também é importante observar falas como ‘não aguento mais’, ‘queria sumir’ ou ‘seria melhor se eu não estivesse aqui’. Quando esses sinais persistem ou se intensificam, eles indicam que a pessoa pode estar precisando de apoio”, explica a profissional.
As psicólogas explicam que a diferença entre uma fase ruim e um quadro que precisa de acompanhamento está na identificação de sofrimento prolongado que esteja afetando diversas áreas da vida.
A psicologa Patrícia Barreto esclarece como identificar os sinais em crianças e adolecentes, visto que são seres em desenvolvimento e que ainda estão aprendendo a identificar e lidar com as emoções e desafios da vida.
“No caso das crianças e adolescentes é preciso ter muito cuidado. É comum que devido a essa imaturidade emocional alguns comportamentos e reações sejam encarados como preocupantes. O mais importante é estar por perto, oferecer ajuda para lidar com as emoções, ajudando a nomear e como expressar de forma assertiva. Caso identifique que há sofrimento na forma como a criança/adolescente esteja lidando com as questões cotidianas ou comportamentos que não são comuns daquela criança ou adolescente e esses comportamentos aparecerem em mais de um espaço, como escola, casa e outros lugares que ele frequente, podem ser sinais de que está na hora de buscar ajuda profissional”, orienta a especialista.
Nesses momentos, é fundamental que as pessoas em sofrimento emocinal sejam acolhidas sem julgamento, conforme explica Nágila.
“Escutar com atenção, levar a dor a sério e evitar frases que minimizem o que a pessoa sente, como “isso é exagero” ou “vai passar”. Perguntar de forma direta e respeitosa como ela está, oferecer companhia e incentivar que busque ajuda profissional, se necessário. Em muitos casos, o simples fato de alguém se sentir ouvido com respeito já reduz o isolamento e abre espaço para cuidado”, comentou.
Em Campos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, há a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que oferece diferentes níveis de cuidado em saúde mental, desde o acompanhamento ambulatorial até o atendimento intensivo e o acolhimento em situações de crise.
Ainda de acordo com o município, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são dispositivos de porta aberta, onde a população pode procurar diretamente as unidades, sem a necessidade de encaminhamento prévio, para que a equipe avalie a demanda e indique o acompanhamento mais adequado.
Já no caso do Ambulatório Ampliado de Saúde Mental é necessário encaminhamento e agendamento prévio. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e oferece acompanhamento com psiquiatras e psicólogos.
Em uma situação de crise em saúde mental, a orientação é procurar inicialmente uma Unidade Pré-Hospitalar (UPH), um Posto de Urgência (PU) ou um hospital geral. Após a estabilização do quadro, o paciente é encaminhado para o CAPS de referência de seu território, conforme a avaliação da equipe.
A prefeitura informou ainda que as ações de cuidado, prevenção e valorização da vida desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde acontecem durante todo o ano e não ficam restritas ao mês de setembro.
“Durante o Setembro Amarelo, a temática da saúde mental e da valorização da vida é incorporada a diferentes atividades e eventos realizados pela Secretaria. Neste ano, entre as ações específicas previstas, está um encontro com servidores da Secretaria Municipal de Saúde, programado para o dia 24 de setembro, com atividades voltadas à saúde mental, ao cuidado e à valorização da vida”, explicou a prefeitura.
Onde buscar ajuda em Campos:
- CAPS Infantil Dr. João Castelo Branco: atendimento de crianças e adolescentes menores de 18 anos em sofrimento psíquico. Localizado na Rua Salvador Corrêa, 218, no Centro. Atendimento regular de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A unidade também dispõe de leito de acolhimento à crise com funcionamento 24 horas.
- CAPS II Dr. João Batista de Araújo Gomes: atendimento de adultos com sofrimento psíquico, especialmente moradores da margem direita do Rio Paraíba do Sul, na região de Guarus. Localizado na Rua André Luís, nº 54, Jardim Carioca. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
- CAPS III Dr. Romeu Casarsa – atendimento de adultos com sofrimento psíquico, com acolhimento à crise 24 horas e leitos de retaguarda. Localizado na Rua Doutor Siqueira, nº 152, no Parque Tamandaré. Atendimento regular de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com plantão permanente para situações de crise.
- CAPS III Dr. Makhoul Moussalem – atendimento de adultos com sofrimento psíquico, com acolhimento à crise 24 horas. Localizado na Rua Doutor Everton Paes da Cunha, nº 5, no Parque Califórnia. Atendimento regular de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com plantão permanente.
- CAPS AD III Dr. Ari Viana – Álcool e Outras Drogas – atendimento de adultos com necessidades relacionadas ao uso abusivo de álcool e outras drogas, com equipe multiprofissional, oficinas terapêuticas e acolhimento à crise. Localizada na Rua José do Patrocínio, nº 102, no Centro. Atendimento regular de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com acolhimento de situações de maior gravidade em regime 24 horas.
A população também pode contatar o Centro de Valorização da Vida (CVV) através do número 188 ou via chat 24h, ambos de forma gratuita e sob total sigilo.