Mendonça afasta cúpula da PF e governo prepara reação
Dora Paula Paes - Atualizado em 09/09/2026 07:45
Ministro André Mendonça
Ministro André Mendonça / Divulgação/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta terça-feira (8), o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Para substituir Andrei Rodrigues, foi designado o delegado William Marcel Murad, diretor-geral substituto. Na sequência, o governo federal, através da Advocacia-Geral da União (AGU), prepara uma reação.  

A decisão também determina a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF para apurar a produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.

O pedido de Mendonça começou a ser analisado pela Segunda Turma do STF, em julgamento virtual extraordinário, e já havia obtido maioria de votos antes de o ministro Gilmar Mendes pedir vista. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam integralmente o relator. Ainda falta o voto da ministra Cármen Lúcia.

A Advocacia-Geral da União (AGU) prepara uma reação à decisão. Segundo interlocutores ouvidos pelo blog de Andréia Sadi, do G1, o governo deverá argumentar que a medida invade a competência privativa da Presidência da República para nomear e exonerar o diretor-geral da Polícia Federal.

Corte exposta
Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expõe mensagens e contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Após a divulgação do conteúdo, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a gravidade dos acontecimentos, que envolvem relações de Vorcaro com ministros da Corte, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a atuação de magistrados, “não autoriza atalhos”.
Manifestação
Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) pediram ao presidente da Corte, Edson Fachin, a convocação urgente de uma sessão pública para que o plenário determine uma apuração imediata e rigorosa dos fatos que atingem o tribunal.
Em uma manifestação dirigida a Fachin divulgada nesta segunda-feira (7), os signatários classificam o momento como a “mais aguda crise” da história do Supremo. Segundo o G1, o documento reúne nomes como Celso de Mello, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Rosa Weber.

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