Três anos após vandalismo, estátua de Tiradentes ainda não retornou ao Centro
Se Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi enforcado e esquartejado na história, sua estátua no Centro de Campos não teve um destino muito diferente. O patrimônio histórico instalado na praça Batalhão Tiradentes, em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário, ficou sem a cabeça após o que se acredita ter sido um ato de vandalismo em 5 de agosto de 2023, há três anos. Depois, foi retirada do local e não retornou.
Quando a estátua foi encontrada sem a cabeça, o funcionário de um estacionamento localizado na Rua Carlos Lacerda relatou à reportagem da Folha que o ato de vandalismo teria ocorrido durante a madrugada em que ocorria a festa do Santíssimo Salvador. Já nesta semana um morador, que preferiu não se identificar, relatou à reportagem que a estátua teria sido retirada pela Prefeitura de Campos para reparos.
A equipe de reportagem questionou a Prefeitura de Campos sobre o que ocorreu com a estátua, se foi retirada do local para realização de reparos e se há prazo para ser recolocada na praça, mas até a publicação desta matéria não obteve retorno.
A hipótese de vandalismo é posta em dúvida pelo historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Campos, Genilson Soares, que acredita em falta de manutenção na estátua do mártir da Inconfidência Mineira. Enquanto membro de uma instituição que preza pela preservação, ele também manifestou repúdio a qualquer ato de vandalismo e descaso com o patrimônio cultural.
“A peça apresentava problemas estruturais: o material de argamassa utilizado em sua confecção era precário e o tubo metálico central oxidou, comprometendo a estabilidade do monumento. Com isso, rachaduras na superfície permitiram a infiltração de água da chuva, o que causou o desmoronamento da cabeça da estátua. O dever da municipalidade é restabelecer a estátua restaurada ao seu local de origem e ter um olhar mais atento para os nossos bens culturais”, afirmou Genilson.
O jornalista e servidor federal Edmundo Siqueira, que tem se dedicado à preservação do patrimônio histórico e é blogueiro do Folha1, afirmou que o município precisa de ações de educação patrimonial. Ele destacou que o ocorrido com a estátua de Tiradentes foi um ato isolado, mas simbólico, e citou outros elementos culturais que se perderam e estão se perdendo em Campos.
“Três anos se passaram e não houve reposição ou mesmo um novo conjunto escultórico, para retomar algo próximo do corredor cultural que ali havia. Campos carece há décadas de ações efetivas em educação patrimonial, e perde, gradativamente, todos seus elementos constitutivos. Não faltam exemplos: Airizes, Olavo Cardoso, Baronesa e tantos outros que já não existem mais e outros tantos descaracterizados. A estátua sem cabeça esquecida e não reposta é simbólica. Sem história, o centro de Campos estará cada vez mais abandonado”, analisou Edmundo.