Cerca de oito toneladas de carvão é apreendida e uma carvoaria clandestina é fechada em Campos
/
Divulgação Linha Verde
Após apreensão de cerca de oito toneladas de carvão e fechamento de uma carvoaria clandestina no último domingo (19), o programa Linha Verde do Disque Denúncia contabiliza 189 registros de crimes ambientais em Campos em 2026. Os dados são referentes ao período de janeiro até a manhã desta terça-feira (21) e mostram que o número ainda está abaixo do registrado nos anos anteriores. Em 2025 foram 343 casos e em 2024 foram 305. No ranking estadual deste ano, até o momento, Campos aparece como a 15ª cidade com mais registro.
O caso mais recente foi registrado na Estrada da Palma, em Chave do Paraíso, no distrito de Santo Eduardo, onde foram encontrados 158 sacos de 50 quilos de carvão em estoque. Foram identificados também três fornos tipos “covos”, fechados e em processo de queima de madeira para fabricação de carvão em uma área de mil metros quadrados. Os responsáveis pela atividade não foram encontrados no local. O caso foi registrado na 146ª Delegacia de Polícia de Guarus e segue em investigação.
Nesta terça-feira, um incêndio de grandes proporções foi registrado em uma área ampla de vegetação no bairro Parque Pecuária. O Corpo de Bombeiros esteve no local para atender a ocorrência que levou mais de 2 horas para apagar todo o fogo. Até o momento, não há informação sobre a causa do incêndio, apenas a informação de que, aparentemente, teria sido causado naturalmente devido ao período de estiagem, quando ocorre a redução temporária no volume de chuvas, tempo seco e baixa umidade do ar.
Incêndio atinge área de vegetação na Pecuária
/
Matheus Mesquita
Entre os crimes cometidos em Campos diretamente ligados ao meio ambiente, destacam-se poluição do ar, com 30 ocorrências, seguida pelas queimadas, com 24 casos, e pela extração irregular de árvores, com 11 registros. Em comparação com os anos anteriores, em 2025 foram 38 casos de poluição, 23 de queimadas e 17 extrações irregulares. Já em 2024 foram registradas 21 ocorrências de poluição, 12 queimadas e 10 extrações.
No entanto, os registros do Linha Verde também incluem outros tipos de crimes, como maus-tratos contra animais, que lideram o ranking com 103 ocorrências.
O bairro que contém o maior número de ocorrência é o Centro, com 14. Em seguida, aparecem os Parques Leopoldina e Tarcísio Miranda, ambos com sete. Em comparação aos anos anteriores, o bairro do Centro mantém a liderança do ranking com 27 casos em 2025 e 22 em 2024.
De acordo com o ambientalista Arthur Soffiati, em geral, os crimes ambientais cometidos pela população seriam de menor potencial ofensivo à natureza, mas, em conjunto, podem assumir grandes proporções.
“Não causa estranheza que a população campista e das regiões norte-noroeste fluminense venha cometendo crimes ambientais. Poucos estão dispostos a separar seu lixo. Muitos querem o lixo longe de si e o jogam em terreno baldio. Muitos incendiam o lixo para limpar terreno. O fogo ainda é muito usado para limpar a palha do canavial. Ainda se usam os rios para lançar esgoto. As pessoas detestam árvores e as cortam. As prefeituras fazem esse serviço”, comentou.
Soffiati no Folha no Ar
/
Genilson Pessanha
Soffiati ainda destaca ações que podem contribuir para a presevação do meio ambiente pela população e poder público.
“A população precisa de mais educação sobre o meio ambiente para não agredi-lo. Cursos, campanhas educacionais ajudam muito. Eles podem e devem partir do poder público e de instituições particulares. Mas sem o exemplo das autoridades fica difícil mudar atitudes. Já cheguei à conclusão de que atividades esoiradicas não bastam, como abraços a rios, limpeza anual de ambientes etc. A educação ambiental deve atuar como instrumento para mudança de atitudes. Os cuidados com o ambiente deve ser diário. Mas estamos precisando de exemplos vindos do poder público”, reforçou o ambientalista.
Neste ano, o programa também recebeu denúncias sobre guarda/comércio de animais silvestres (13), extração irregular de árvorses (11), lixo acumulado (6), linha chilena (5), pesca irregular (5), desmatamento florestal (4), construção irregular (4); contaminação do solo (3), extração mineral (3), aterramento de Rio/Maguela/Lagoa (2), despejo de esgoto clandestino (2), carvoaria clandestina (2), captação clandestina de água (1), loteamento irregular (1), desperdício (1) e caça ilegal de animais (1).
O programa Linha Verde possui diversos canais para a realização das denúncias de crimes ambientais em todo Estado do RJ. Entre eles estão os telefones (21) 2253-1177 e 0300 253 1177, esse exclusivamente para o interior do estado. Ambos os números possuem WhatsApp anonimizado, com técnica de processamento de dados que remove ou modifica informações que possam identificar uma pessoa. Há também a opção de denúncia através do aplicativo "Disque Denúncia RJ". É possível também denunciar pelo site do Disque Denúncia ou ainda pela FanPage do Linha Verde no Facebook.