Centro de Memória Nilo Peçanha
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Foto: Rodrigo Silveira
Originados em ambientes corporativos a partir da década de 1990, dentro de um contexto em que já existiam museus e arquivos escolares, os centros de memória foram e vêm sendo desenvolvidos a partir de ações que visam a produzir uma memória institucional. Este é o sentido do Centro de Memória Nilo Peçanha, que desde 2013 reúne no campus Centro do Instituto Federal Fluminense (IFF) um centenário acervo, com objetos que ajudam a contar a história do ensino técnico não somente em Campos, mas também no Rio de Janeiro e no Brasil. Atualmente, um movimento interno busca a qualificação de profissionais da unidade para que seja feito um inventário que aponte a real dimensão do acervo.
— O Centro de Memória Nilo Peçanha conta com itens documentais diversos, como documentos fotográficos e gravuras, tanto em meio físico quanto em meio digital; documentos administrativos; esculturas, máquinas, mobiliário e demais objetos pedagógicos, e também elementos da materialidade pedagógica, como mapas geográficos e quadros parietais — elenca o diretor do centro, Rodrigo Rosselini.
O material citado viaja pela história do IFF, desde a criação das Escolas de Aprendizes Artífices pelo campista Nilo Peçanha, então presidente da República, em 1909, sendo a unidade do Rio de Janeiro sediada em Campos. Com 113 anos de história recém-completados, a instituição passou por períodos em que foi Escola Técnica Industrial de Campos, de 1942 a 1945; Escola Técnica Federal de Campos, de 1945 a 1996; Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de 1996 a 2008; e enfim Instituto Federal Fluminense, fruto do processo de expansão da educação profissional e tecnológica no Brasil.
— A ideia dos centros de memória se fez presente no contexto da criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, que previa o desenvolvimento de “programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica” por meio da pesquisa aplicada e da produção cultural. Nesse contexto foi criado o Programa dos Centros de Memória do Instituto Federal Fluminense, em 2012 — explica Rodrigo Rosselini. — De acordo com esse programa, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Diversidade, cada campus deveria desenvolver o seu próprio centro de memória. O Centro de Memória Nilo Peçanha foi criado no campus Campos Centro em 2013, embora já existissem ações para a preservação do patrimônio institucional, como o Centro Pró-Memória, fundado em 1999 para as comemorações dos 90 anos do então Cefet Campos — complementa.
Tendo em vista que a Escola de Aprendizes Artífices do Rio de Janeiro esteve entre as primeiras fundadas no país, no início do século XX, o acervo do Centro de Memória Nilo Peçanha possui status de representar uma instituição que acompanhou todo o processo evolutivo do ensino técnico, científico e tecnológico brasileiro.
— Os centros de memória são instituições híbridas, que reúnem características dos arquivos e centros de documentação, das bibliotecas especializadas, e também possuem a função de exposição, própria dos museus. No entanto, enquanto pesquisador do campo da História da Educação, considero primordial que seja dado o devido tratamento arquivístico ao acervo do Centro de Memória Nilo Peçanha, para que, a médio prazo, possamos disponibilizar o seu acervo tanto de forma mais específica, para pesquisadores, quanto de forma expositiva mais ampla, para a comunidade em geral, com mais segurança e orientação metodológica — ressalta Rosselini.
Um avanço importante neste processo foi uma parceria pontual firmada com o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho. No último dia 22, a professora e historiadora Larissa Manhães, assessora técnica do Arquivo Público, ministrou uma oficina temática na 27ª semana do Saber Fazer Saber, do próprio IFF, junto ao também historiador Luis Felipe de Oliveira. A oficina foi estendida a representantes do Centro de Memória do Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (Isepam), presentes na mesma ocasião.
— Desde a sua concepção, o Arquivo Público é a instituição responsável por fazer o tratamento técnico da documentação que é gerada e acumulada em Campos, sendo a única instituição arquivística presente no município. E, na sua essência, ele tem também esse papel de orientação a outras instituições que acumulam acervos. O Centro de Memória Nilo Peçanha é uma dessas instituições, assim como o Centro de Memória do Isepam. Então, diante das nossas atuais possibilidades, a gente conseguiu oferecer essa oficina de maneira a colaborar com a instrução relacionada ao tratamento técnico dos acervos, principalmente em questões relacionadas a inventário e organização — conta Larissa Manhães.
O inventário atualmente planejado pelo centro de memória do IFF Campos Centro permitirá mais segurança à sua salvaguarda, além de avanços futuros, principalmente no que se refere às orientações da Norma Internacional de Descrição Arquivística [Isad(G)] e também da Norma Brasileira de Descrição Arquivística (Nobrade). Após a oficina, já foi iniciado o credenciamento junto ao Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), visando à obtenção do Código de Entidade Custodiadora de Acervos Arquivísticos (Codearq), para então viabilizar, no próximo ano, a organização de um sistema multinível de classificação do acervo. Simultaneamente, a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura está organizando a inserção dos centros de memória de todo o IFF no projeto colaborativo AtoM, baseado num software gratuito de código-fonte aberto voltado à padronização das descrições arquivísticas de acordo com o Conselho Internacional de Arquivos.
— Essas medidas permitirão que o Centro de Memória Nilo Peçanha cumpra o seu papel de elemento divulgador da memória dessa instituição centenária e tão importante para a região Norte Fluminense e para o Brasil, mas também assuma sua função de arquivo escolar, cumprindo com segurança o propósito de servir, de forma organizada e institucional, como instituição de pesquisa relevante para a história regional e para a história da educação profissional brasileira — finaliza Rodrigo Rosselini.
Centro de Memória Nilo Peçanha
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Foto: Rodrigo Silveira
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Foto: Rodrigo Silveira
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