Histórias demolidoras dos amigos...
Saulo Pessanha 28/08/2026 16:50 - Atualizado em 28/08/2026 17:24
Emílio de Menezes, jornalista, poeta e boêmio ficou famoso no Rio de Janeiro da virada do século XIX para o XX, principalmente pelas suas tiradas, muitas vezes demolidoras.
Emílio adorava inventar histórias a respeito dos amigos. Sobre um deles, que usava sempre o mesmo terno, disse que um dia, de tanto os amigos insistirem, o enviou para a lavanderia.
Quando foi apanhar o terno, o dono da lavandeira lhe entregou um saquinho com os botões. O tecido mesmo havia se dissolvido em contato com a água.

Sobre um conhecido milionário, para mostrar a que ponto chegava seu pão-durismo, inventou que um dia, quando estava comprando queijo suíço, alertou o vendedor:
— Veja como corta! Outro dia, eu comprei meio quilo desse queijo e, ao chegar em casa, verifiquei que, só de buracos, havia mais de duzentos gramas.

Uma vez, um candidato a poeta se aproximou de Emílio, que conversava numa confeitaria e disse:
— Seu Emílio, escrevei ontem dois sonetos. Hoje, burilei um deles. Aqui está. Vou ler e o senhor me dirá a sua impressão. Amanhã eu trago o outro.

E o sujeito leu de maneira enfática, em meio ao silêncio dos presentes. Terminada a leitura, pede a opinião de Emílio, que responde muito sereno:
— Gosto mais do outro.
(Márcio Bueno)

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