Arnaldo Neto
25/07/2020 01:58 - Atualizado em 30/07/2020 18:59
Silvinho é pré-candidato a prefeito de Macaé
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Divulgação
Silvinho Lopes (DEM), filho do ex-prefeito Silvio Lopes, é pré-candidato a prefeito de Macaé. Ainda que fuja do rótulo, seu projeto de chapa é oposicionista, inclusive com o líder da oposição na Câmara, o vereador Maxwell Vaz (SD), cotado como vice. Faz críticas a Dr. Aluizio (PSDB), mas diz reconhecer também que houve acertos na gestão. Não lista o que vê como acerto, mas pontua como negativo a falta de diálogo com a população e com os servidores, além do baixo investimento. Secretário na gestão do pai, da qual fala com orgulho, diz ter 160 técnicos envolvidos na elaboração do seu plano de governo. A saúde, exaltando a construção do Hospital Público Municipal (HPM), é apontada como prioridade do ex-secretário. Outro ponto visto como essencial para a capital do petróleo é a geração de emprego, com destaque para novos empreendimentos: “O gás, que antes não era aproveitado, é o novo eldorado do Brasil e consequentemente de Macaé”.
Folha da Manhã — A eleição de Dr. Aluizio, em 2012, colocou fim a hegemonia de décadas de um grupo político em Macaé, do qual seu pai, Silvio Lopes, prefeito por três mandatos, foi uma das figuras de proa. Hoje, no fim da gestão Aluizio, qual sua avaliação do atual governo? O que mudou na política local a partir dessa alternância política?
Silvinho Lopes — Não vejo hegemonia de grupo político. Silvio alternou mandato com Carlos Emir, que foi seu grande adversário político. Digo adversário, não inimigo. O Aluizio também foi da equipe de Silvio. É natural que o poder troque de mãos. Sou amigo pessoal de Aluizio, de infância. Gosto dele como pessoa e como médico. Na esfera política, nos afastamos. Fiquei só de longe torcendo para que ele acertasse e ajudasse Macaé e o nosso povo. O importante mesmo são as pessoas, melhorar a vida delas, principalmente os mais carentes. As discordâncias da política ficam em segundo plano. Tenho críticas a gestão municipal em várias áreas, principalmente na falta de diálogo com a sociedade e com os servidores, mas reconheço que ele teve acertos também.
Folha — Em 2008, após racha com o então prefeito Riverton Mussi, seu pai disputou a prefeitura, ficando em terceiro, atrás do candidato reeleito e do então estreante Aluizio. Além de filho, você foi secretário na gestão Silvio Lopes. Há espaço para buscar o voto do eleitor saudosista do governo do seu pai? É o suficiente para despontar uma candidatura? Em um eventual governo, o que você levaria como fruto da experiência como secretário?
Silvinho — Tenho muito orgulho de ter sido secretário de planejamento e gerente municipal do governo Silvio Lopes durante oito anos. Foi uma grande escola! Aprendi fazendo. Esse período foi o de maior investimento público da história de Macaé, fizemos: HPM, linha azul, linha verde, linha amarela, prefeitura, teatro municipal, centro de convenções, orlas, escolas, pavimentações, etc. Chegamos a executar cerca de 32% da receita corrente líquida em obras e investimentos. Este legado, patrimônio do povo de Macaé, teve minha participação direta, é fato, ninguém pode me tirar. Hoje, infelizmente, os investimentos estão na casa de apenas 2% da RCL e o orçamento é 10 vezes maior. Sou engenheiro civil, pós-graduado e mestrando em administração pública, me sinto preparado para colaborar com a gestão da minha cidade. Vejo que as pessoas se preparam para disputar a eleição, mas não se preparam para administração, que é muito mais complexa. Estamos desde fevereiro com uma equipe de 160 especialistas elaborando um Plano de Governo para Macaé, ninguém faz nada sozinho. Disputaremos a eleição porque temos um passado limpo e de comprovado sucesso na gestão pública, mas sobretudo, porque temos a melhor proposta para o futuro.
Folha — O deputado estadual Chico Machado (PSD), que já descartou entrar na disputa a prefeito este ano, tem pregado uma união de forças da oposição. Você e o líder da oposição na Câmara, Maxwell Vaz (SD), já estão alinhados, inclusive com o vereador cotado a ser vice na chapa. Há possibilidade de candidatura única da oposição?
Silvinho — Sinceramente, não me preocupo com rótulos de oposição ou situação. Não sou oposição a pessoas ou partidos. Sou oposição às práticas políticas que observamos hoje no executivo e no legislativo. Sou oposição ao toma lá, dá cá, à falta de responsabilidade com o sagrado dinheiro público, à falta de qualidade do gasto, à ineficiência, sou oposição ao uso da máquina para beneficiar os amigos enquanto a população precisa implorar por um simples exame. Gostaria muito que houvesse uma união da “oposição” em prol de ajudar Macaé a enfrentar os enormes desafios que teremos pela frente.
Folha — A última eleição, em 2018, revelou a importância do eleitorado conservador. Em Macaé, nomes como o do deputado federal Felício Laterça (PSL) e André Longobardi (Republicanos) seriam importantes nesse nicho. Qual a sua relação com os dois, especificamente? Há possibilidade de aliança? E, hoje, ter ao lado nomes que se vinculem ao presidente Jair Bolsonaro agrega voto entres os macaenses?
Silvinho — O André Longobardi eu conheço há muitos anos. Me considero amigo dele e do seu irmão, Paulo. O doutor Felício, tive a oportunidade de ser apresentado a ele, rapidamente, pelo meu irmão Glauco na rádio 95 FM, quando ele deu uma entrevista logo após a vitória para deputado. Teve uma excelente performance em Macaé. Torço para que ele faça um excelente mandato no Congresso e ajude a nossa cidade. Não sei como anda a popularidade do presidente Bolsonaro em Macaé. Torço para o Brasil dar certo, independente das questões políticas. Sou patriota. Não acho que a agenda nacional vá influenciar na eleição municipal. Sou pré candidato a prefeito de Macaé e nossa energia estará concentrada em resolver os problemas do nosso município, do nosso povo.
Folha — O atual prefeito é médico e, durante o primeiro mandato, chegou a acumular a secretaria municipal de Saúde. Fora a questão da pandemia, que abordaremos a seguir, a saúde pública é um setor delicado em qualquer gestão, em todas as esferas. Qual o seu balanço sobre o quadro da saúde em Macaé? E o que propõe de mudanças para o setor?
Silvinho — A saúde é prioridade em qualquer gestão. Tenho muito orgulho de ter participado da construção do HPM desde o início. Não se imagina Macaé hoje sem o HPM. Quantas vidas foram e serão salvas? Nossa equipe de plano de governo detectou que falta foco na atenção primária e é nesse nível que a maioria dos agravos à saúde são resolvidos e que a saúde individual e coletiva só pode ser alcançada com ações coordenadas de promoção em prevenção. Um plano emergencial de recuperação da rede primária de atenção à saúde é uma prioridade.
Folha — Macaé é o município da região com maior número de infectados pelo coronavírus. O prefeito desde o início adotou diversas medidas no enfrentamento da pandemia. Especificamente neste caso, na pandemia da Covid-19, qual sua avaliação da atuação do governo Aluizio? E em relação aos governos estadual e federal, como analisa a postura?
Silvinho — Entendo que tudo o que estamos vivendo com essa pandemia está sendo um enorme desafio para os atuais gestores e sem parâmetros comparativos. Todos estão tendo que aprender a jogar, jogando. Uma verdadeira “Escolha de Sofia”. Apertar o isolamento e ver as empresas fecharem e as pessoas perderem o emprego num grande impacto econômico ou flexibilizar e correr o risco das irreparáveis perdas de vidas? Não há decisão fácil. O Aluízio é médico e tenho certeza de que ele está procurando poupar o maior número de vidas possível. Acredito nisso. Por outro lado, penso que ele poderia dividir mais as decisões sobre a flexibilização com a sociedade neste momento. Ia fazer bem para ele e para a cidade. Infelizmente a atuação dos governos estadual e federal foram prejudicadas pelas constantes trocas de secretários e ministros e a falta de entendimento entre o governador e o presidente da República, no momento em que mais precisávamos da integração e da união de esforços entre eles.
Folha — Conhecida como capital do petróleo, Macaé sofreu sobremaneira os impactos da crise econômica. Além dos cofres públicos, com a queda dos royalties, embora o município seja o que receba a maior parcela da região, veio o desemprego e o efeito em cadeia nas atividades que dependem da indústria petrolífera. O que muito se fala há anos, de acabar com a dependência só do petróleo, é viável? Se sim, como?
Silvinho — É claro que não há no mundo atividade que substitua a indústria do petróleo e gás a curto e médio prazo. A longo prazo sim, é possível desenvolver outras artérias de desenvolvimento e em Macaé temos grande potencial no turismo, na agricultura, na pesca, na pecuária e na área do conhecimento. Vamos investir fortemente nestes setores e apostar na criação de um fundo do petróleo e transformar Macaé numa cidade resiliente, sustentável e digital.
Folha — Apesar da crise, o setor de óleo e gás é promissor para Macaé e toda região, com investimentos que podem chegar a R$ 20 bilhões, segundo a Firjan. Só não há mais monopólio no Norte Fluminense. A disputa é grande entre Macaé e São João da Barra, devido ao Porto do Açu, para atração desses investimentos de energia. Como fazer da sua cidade a mais atrativa?
Silvinho — O gás, que antes não era aproveitado, é o novo eldorado do Brasil e consequentemente de Macaé. Já temos nove termelétricas licenciadas e viabilizadas pelo gás de Cabiúnas e se a rota 5, que vai trazer o gás do campo de “pão de açúcar” for interligada para Macaé, teremos a possibilidade de mais cinco, totalizando 14 termelétricas que irão gerar energia equivalente a usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo. Macaé tem vantagens na disputa com outros locais, que não é só Açu mas também, Maricá, Niterói, Espírito Santo e até São Paulo, pois temos aqui uma UPGN licenciada e uma cidade com infraestrutura e mão de obra instalada, além do Tepor (Terminal Portuário) e do Clima (Complexo Logístico Industrial), que estão em fase final de licenciamento.
Folha — Com mudanças significativas desde a exploração do petróleo, Macaé é apontada como modelo negativo de desenvolvimento, com mazelas sociais ainda visíveis e o domínio do tráfico a reboque. Quais as lições ficaram para que em uma nova oportunidade de crescimento não se cometam os mesmos erros?
Silvinho — Não concordo com a afirmação de que Macaé é apontada como modelo negativo de desenvolvimento. Se compararmos com as cidades da região que tiveram as mesmas características da influência econômica da indústria de óleo e gás e que ficaram com o bônus dos royalties mas sem o ônus dos impactos gigantescos dessa atividade, como Macaé, vamos concluir que, ainda hoje, Macaé é muito mais dotada de infraestrutura e continua sendo a principal porta de investimentos da região. Concordo que nos últimos anos tivemos muitos problemas relacionados a ineficiência e desperdício na gestão dos recursos públicos. A lição é que é imperativo que busquemos uma gestão profissional e eficiente.
Folha —Desde que defendeu a campanha “Menos Royalties, Mais Empregos”, que não foi para frente, Dr. Aluízio se distanciou dos prefeitos da região e ficou isolado na Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro). Em um momento tão delicado, com possibilidade de redistribuição dos royalties, que só não foi julgada ainda no Supremo Tribunal Federal (STF) devido à pandemia, não seria importante a união entre todas as forças políticas?
Silvinho — Perfeitamente. A união dos municípios é imprescindível em qualquer momento. Negociar em bloco é sempre mais vantajoso e eficiente, principalmente em negociações que demandam decisões políticas.
Folha — Voltando a falar do tabuleiro eleitoral, como você vem acompanhando as movimentações do grupo governista? Já está claro o nome que terá apoio do prefeito? E, na sua opinião, qual será o peso da máquina na definição do pleito deste ano?
Silvinho — O tabuleiro está se definindo, mas ainda incerto. Enquanto isso vou fazendo o meu papel, de apresentar e discutir com a sociedade nosso programa de governo. Vamos disputar as eleições e nossa arma será o argumento e a melhor proposta.
Folha — Seja qual for o resultado das urnas, quais os principais desafios do próximo prefeito de Macaé? Na condição de pré-candidato, como pretende superá-los?
Silvinho — A meu ver, o principal desafio será a geração de emprego e renda. Num país que vem de seguidas quedas no PIB e que apresenta um cenário de 6,5% de recessão para esse ano, a geração de emprego e renda será prioritária. Temos o desafio de preparar nossos jovens para o novo mercado de trabalho, investir em educação de qualidade, em ensino profissionalizante, em inovação e gerar desenvolvimento sustentável. Sou otimista e tenho certeza que em um curto espaço de tempo, com muito trabalho, planejamento e com uma equipe de qualidade, Macaé vai voltar a ser a cidade das oportunidades e a alegria vai voltar a ser uma característica do nosso povo.