Após anos de combate legislativo com várias tentativas malsucedidas de revogação do estatuto do desarmamento, somados à decisão do STF de proibir contribuições de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais, a indústria armamentista e os defensores da flexibilização das regras para aquisição de armas buscavam novas formas de alcançarem seu objetivo. E foi na campanha presidencial de 2018 que a oportunidade surgiu. Com a alta rejeição ao governo do PT em razão das várias denúncias de corrupção, um deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, sem muita relevância no cenário político, mas com um discurso virulento, ganhava destaque.
Jair Messias Bolsonaro, deputado federal há mais de 20 anos e defensor ferrenho da revogação do estatuto do desarmamento, ganhava destaque nas pesquisas eleitorais com um discurso anticorrupção e de antagonismo a tudo que o PT representava. Diante da rejeição popular ao governo, o deputado foi crescendo nas pesquisas até se tornar um dos favoritos à eleição. Fazendo sempre um gesto com as mãos simbolizando uma arma curta, que popularmente ficou conhecido como “fazer arminha”, o candidato deixava claro seu apoio a uma maior facilidade na compra de armas de fogo.
E isso teve efeito direto na indústria. Se as ações da Taurus, maior fabricante brasileira de armas, valiam 2,38 reais em 30/08/208, esse valor subiu para mais de 11 reais em 26/10/2018, um dia antes do segundo turno da eleição. E mesmo com a queda posterior, para realização de lucros, elas voltaram a subir encerrando o ano com uma valorização de 250%, a maior valorização de uma empresa na bolsa de valores brasileira em um período de 12 meses.
Com a eleição de Bolsonaro e a promessa de um crescimento exponencial nas vendas para o mercado doméstico, a empresa pôs à venda sua divisão de capacetes para motocicletas e trocou seu histórico nome de Forjas Taurus para Taurus Armas. Com o foco na produção de armas e a promessa da liberação do comércio, a empresa esperava compensar no mercado brasileiro problemas que estava tendo no mercado americano, responsável por grande parte do faturamento da empresa. E a aposta vingou. Com a presença do presidente da empresa Salesio Nuhs na posse do presidente e ministros, firmava-se um laço que prometia grandes lucros à empresa, mas tudo dependia do presidente cumprir sua promessa de campanha.