Crise EUA x Irã impacta a região
Paulo Renato do Porto 11/01/2020 15:38 - Atualizado em 12/01/2020 08:25
O conflito entre os Estados Unidos e o Irã deverá impactar não apenas a economia do país, mas também da região. As previsões de alta nos preços do petróleo no mercado internacional terão reflexos nos repasses dos royalties do petróleo que alimenta as prefeituras dos municípios produtores. A professora Denise Terra, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), avalia que, embora seja ainda cedo para se ter uma dimensão do conflito, os reflexos imediatos são os preços do petróleo.
— Para os municípios produtores de petróleo do Norte Fluminense, a elevação do preço internacional do barril de petróleo impactaria na elevação da receita municipal, aliviando os caixas das prefeituras. No entanto, trata-se de uma receita errática, que pode trazer para as regiões que a recebe mais “maldição” do que benefícios caso não seja empregada em ativos de longo prazo e em diversificação produtiva, no intuito de trazer vantagem competitiva e crescimento sustentável — analisou.
Estimativas de analistas apontam que o barril de petróleo pode subir de 5 a 10 dólares nas próximas semanas, avalia ainda Denise, "mas é preciso cautela com as projeções pois as mesmas dependem dos desdobramentos dos conflitos", acrescentou.
Ainda segundo a economista, é prudente esperar os desdobramentos para avaliar as possíveis consequências. “Mas não há dúvidas de que ocorrerá impacto no preço do petróleo. Por enquanto, os valores comercializados pela commodity já subiram cerca de 4%.O aumento da tensão no mercado mundial e o conflito armado podem afetar a produção e o transporte de petróleo. Há estimativas de que o fluxo prejudicado na região do estreito de Ormuz poderia reduzir 20 a 30% do direcionamento do petróleo para os países importadores. É ainda cedo para termos a dimensão dos impactos do conflito EUA x Irã em nossa economia”, analisou.
A economista, no entanto, analisa que existem algumas reservas estratégicas de petróleo nos EUA, China e União Europeia “que podem amenizar por um período a escalada de preços do petróleo, mas sem dúvida nenhuma os preços se elevarão significativamente caso o conflito se acirre”.
O economista José Alves de Azevedo Neto, também da Uenf, igualmente relativizou os impactos nas receitas dos royalties. “O aumento do preço do barril do petróleo e a subida do dólar devem interferir entre 5% e 10% nas receitas dos royalties”, comentou. 
Sequência de quedas pode ser logo interrompida
Para José Alves Neto, as receitas dos royalties sofrerão impactos positivos, mas nada de substancial. “Mas esta tendência de queda nas receitas dos royalties deverá ser interrompida, pelo menos até quando durar o conflito. Em tempos de Campos poderemos ter um aumento de R$ 50 milhões mês nas receitas do petróleo. Mas ainda é cedo para conclusão final. É preciso aguardar os desdobramentos deste conflito”, raciocinou José Alves.
Segundo ainda o economista, outros efeitos deverão incidir com a elevação dos preços do petróleo no mercado interno, entre eles a alta dos preços dos combustíveis. “Vai doer no nosso bolso porque os preços dos combustíveis já tem registrado alta nas bombas dos postos e agora poderá sofrer mais alterações com a crise. Mais ainda levando-se em consideração essa política de preços da Petrobras, atrelada ao mercado internacional e a base do nosso transporte é rodoviário”, lembrou.
Denise também concorda com os impactos no mercado interno. “Uma elevação do preço do petróleo ocasionará a elevação dos preços dos combustíveis, que por sua vez tende a exercer mais pressão sobre a inflação, impactando de forma negativa o incipiente processo de crescimento econômico brasileiro”.
 
 
 
 

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