Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Não sei esconder o que sinto. Implodo se tentar.
*
E com as tintas da imaginação, porque esta não tem limite, Deus coloriu o mundo.
*
Não conseguia ver sua sombra refletida na parede. Desesperou-se e voltou atrás para procurá-la. Encontrou-a agachada sob uma mesa. Não queria fazer parte do quão pequena se sentia naquele momento.
*
Sentada na cadeira de pano com as alças de corda presas na árvore, ela girava. E quanto mais girava, mais ria, e naquele momento pequeno, minúsculo, conseguia esquecer o que lhe dava agonia.
*
Às vezes preciso me esconder do mundo e brincar sozinha.
*
Fechei os olhos e me coloquei em seu colo. Eram seus os braços que me apertavam ao peito. Juro ter escutado: minha filha... E dentro daquele sonho adormeci.
*
Quero portas onde eu possa passar. Portas fechadas me assustam. E afastam.
*
Um olhar pode nos fazer continuar ou estancar. Um olhar desnuda ou assusta. Ou assusta porque desnuda.
*
Após cada vendaval, enganava-se agindo como se não fosse com ela. Apenas um filme irritante e triste que assistia da confortável poltrona que desenhara na mente.
*
A maioria de nós conhece ou conheceu o mais ou menos. Não vale a pena. Ou é tudo, ou é nada.
*
E como a pedra diante da luz, posso ser opaca ou brilhar para quase todo o sempre.
*
O lugar predileto para se encontrar a paz: dentro de nós.
*
Às vezes vem assim... do nada! Não se iluda. Nunca é do nada.
*
Há pessoas que gostam de ninhos, mas não procuram fazer o seu. São preguiçosas e preferem desfazer ninhos prontos.
*
Quando se vê a chuva inundar a casa e levar o pouco que tem uma, duas, três vezes, não há escolha. Refazer vidas é o que sobra.
Frases nem tão soltas
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Não sei esconder o que sinto. Implodo se tentar.
*
E com as tintas da imaginação, porque esta não tem limite, Deus coloriu o mundo.
*
Não conseguia ver sua sombra refletida na parede. Desesperou-se e voltou atrás para procurá-la. Encontrou-a agachada sob uma mesa. Não queria fazer parte do quão pequena se sentia naquele momento.
*
Sentada na cadeira de pano com as alças de corda presas na árvore, ela girava. E quanto mais girava, mais ria, e naquele momento pequeno, minúsculo, conseguia esquecer o que lhe dava agonia.
*
Às vezes preciso me esconder do mundo e brincar sozinha.
*
Fechei os olhos e me coloquei em seu colo. Eram seus os braços que me apertavam ao peito. Juro ter escutado: minha filha... E dentro daquele sonho adormeci.
*
Quero portas onde eu possa passar. Portas fechadas me assustam. E afastam.
*
Um olhar pode nos fazer continuar ou estancar. Um olhar desnuda ou assusta. Ou assusta porque desnuda.
*
Após cada vendaval, enganava-se agindo como se não fosse com ela. Apenas um filme irritante e triste que assistia da confortável poltrona que desenhara na mente.
*
A maioria de nós conhece ou conheceu o mais ou menos. Não vale a pena. Ou é tudo, ou é nada.
*
E como a pedra diante da luz, posso ser opaca ou brilhar para quase todo o sempre.
*
O lugar predileto para se encontrar a paz: dentro de nós.
*
Às vezes vem assim... do nada! Não se iluda. Nunca é do nada.
*
Há pessoas que gostam de ninhos, mas não procuram fazer o seu. São preguiçosas e preferem desfazer ninhos prontos.
*
Quando se vê a chuva inundar a casa e levar o pouco que tem uma, duas, três vezes, não há escolha. Refazer vidas é o que sobra.
21/01/2017 | 18h54
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Não sei esconder o que sinto. Implodo se tentar.
*
E com as tintas da imaginação, porque esta não tem limite, Deus coloriu o mundo.
*
Não conseguia ver sua sombra refletida na parede. Desesperou-se e voltou atrás para procurá-la. Encontrou-a agachada sob uma mesa. Não queria fazer parte do quão pequena se sentia naquele momento.
*
Sentada na cadeira de pano com as alças de corda presas na árvore, ela girava. E quanto mais girava, mais ria, e naquele momento pequeno, minúsculo, conseguia esquecer o que lhe dava agonia.
*
Às vezes preciso me esconder do mundo e brincar sozinha.
*
Fechei os olhos e me coloquei em seu colo. Eram seus os braços que me apertavam ao peito. Juro ter escutado: minha filha... E dentro daquele sonho adormeci.
*
Quero portas onde eu possa passar. Portas fechadas me assustam. E afastam.
*
Um olhar pode nos fazer continuar ou estancar. Um olhar desnuda ou assusta. Ou assusta porque desnuda.
*
Após cada vendaval, enganava-se agindo como se não fosse com ela. Apenas um filme irritante e triste que assistia da confortável poltrona que desenhara na mente.
*
A maioria de nós conhece ou conheceu o mais ou menos. Não vale a pena. Ou é tudo, ou é nada.
*
E como a pedra diante da luz, posso ser opaca ou brilhar para quase todo o sempre.
*
O lugar predileto para se encontrar a paz: dentro de nós.
*
Às vezes vem assim... do nada! Não se iluda. Nunca é do nada.
*
Há pessoas que gostam de ninhos, mas não procuram fazer o seu. São preguiçosas e preferem desfazer ninhos prontos.
*
Quando se vê a chuva inundar a casa e levar o pouco que tem uma, duas, três vezes, não há escolha. Refazer vidas é o que sobra.
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Sobraram as lembranças
Sobraram as lembranças
Cândida Albernaz
A caminho de casa parou num bar e no balcão pediu uma cachaça. O copo pequeno encheu-se do líquido amarelo que tomou de um só gole, fazendo careta. Já era o terceiro em que entrava desde que saíra do serviço.
Deixou o carro no estacionamento do prédio onde trabalhava. Pegaria no dia seguinte. Precisava caminhar e pensar. Entre uma coisa e outra tomava uma cachacinha para relaxar.
Estava tenso há alguns dias e sentia dor na altura do pescoço. Tinha a sensação de um torcicolo a qualquer instante.
Quando entrava em casa, Rita já não falava nada. Beijava-o e observava.
Nas últimas semanas, ela tentava conversar e saber o que estava acontecendo, mas ele não queria diálogo, então desistiu.
Os filhos o cumprimentavam e depois corriam para o quarto onde brincavam e viam algum programa na televisão até a hora de dormir. Acreditava que Rita os orientou a agir assim, já que mesmo com eles não tinha paciência alguma. Quase bateu no mais velho dia desses. Teria sido a primeira vez.
Sempre teve orgulho de ser bom pai, estar com eles nas horas de folga e conversar quando preciso. Isto era antes. Agora notava em seus olhos decepção e até medo. Ficava triste, mas não via chance de mudança. Não no momento.
Resolveu parar de novo para tomar mais uma. Pelo menos chegaria a casa e apagaria. Não precisaria ver a interrogação no rosto de Rita. Porque boba ela não era e sabia que algo sério devia estar acontecendo. Apenas parou de perguntar. Esse silêncio dela acabava com ele, ao mesmo tempo em que dava alívio por não precisar explicar nada.
Rita e ele se conheceram na faculdade. Não era alta e tinha um cabelo preto e cacheado que chamou sua atenção. De lá para cá, sempre estiveram juntos.
Quando engravidou do primeiro filho, estavam casados há cinco anos, com a vida estável e querendo muito aquela criança. O caçula também foi programado. Ele recebera um aumento considerável e passara para o setor financeiro da firma de material de construção onde trabalhava.
Sempre foi eficiente, organizado. Os pagamentos e as contas da firma estavam na sua mão e de outros dois funcionários.
Os problemas começaram a um mês, desde que chegou uma empresa de auditoria. O patrão achava que havia algo errado. Parece que os auditores chegaram a uma conclusão e amanhã seria a reunião em que falariam sobre isso. Marcaram para o início da manhã com os dois colegas e em seguida conversariam com ele.
Não precisava que dissessem o que estava acontecendo. Há três dias o olhavam enviesados e discutiam em voz baixa com o patrão.
Amanhã teria que enfrentá-los, quando mostrassem a duplicidade de algumas duplicatas que forjou. Muitas duplicatas. Uma quantia de dinheiro considerável. O fechamento do livro caixa era raramente conferido pelo patrão. Ele era de sua confiança. Isso facilitava em muito sua ação. Os dois patetas que trabalhavam com ele não percebiam nada. Fora fácil enganá-los.
Não teria como fugir. Se fosse mandado embora com a responsabilidade da devolução do dinheiro, já ia ser complicado, porque não tinha de onde tirar. O pior é que talvez saísse de lá preso.
Teria que encarar a mulher e os filhos. Isso doeria mais do que tudo. Que vergonha! Se pudesse enterrava a cabeça e o corpo também em algum buraco de onde não precisasse sair mais.
Os pés estavam perdendo o comando que deveria ter sobre eles. Pareciam dançar de um lado para o outro na rua, em um samba que só ele escutava.
Perdeu a conta do tanto que bebeu. Começou a rir lembrando-se do dia em que Rita dançou para ele, enquanto tirava peça por peça da roupa que vestia. Viu num filme e quis fazer igual.
Lembrou-se de quando ele e os filhos jogavam futebol e o mais velho fez seu primeiro gol. O sorriso que dominou seu rosto foi uma das coisas que mais trouxe felicidade. Nem sabia ser possível uma sensação tão plena.
Pensou em fingir que não estava acontecendo nada, puxaria os três para conversar e os abraçaria com força. Imaginava as caras de surpresa. Olhariam entre si e pensariam que voltara a ser o mesmo de antes.
O carro que vinha não percebeu que ele ia atravessar com o sinal fechado para pedestres. Acertou-o em cheio, fazendo com que seu corpo rolasse por cima dele e batesse com a cabeça no asfalto ao cair.
De qualquer forma, ainda sorria com as lembranças quando curiosos chegaram perto e o olharam.
21/01/2017 | 18h54
Sobraram as lembranças
Cândida Albernaz
A caminho de casa parou num bar e no balcão pediu uma cachaça. O copo pequeno encheu-se do líquido amarelo que tomou de um só gole, fazendo careta. Já era o terceiro em que entrava desde que saíra do serviço.
Deixou o carro no estacionamento do prédio onde trabalhava. Pegaria no dia seguinte. Precisava caminhar e pensar. Entre uma coisa e outra tomava uma cachacinha para relaxar.
Estava tenso há alguns dias e sentia dor na altura do pescoço. Tinha a sensação de um torcicolo a qualquer instante.
Quando entrava em casa, Rita já não falava nada. Beijava-o e observava.
Nas últimas semanas, ela tentava conversar e saber o que estava acontecendo, mas ele não queria diálogo, então desistiu.
Os filhos o cumprimentavam e depois corriam para o quarto onde brincavam e viam algum programa na televisão até a hora de dormir. Acreditava que Rita os orientou a agir assim, já que mesmo com eles não tinha paciência alguma. Quase bateu no mais velho dia desses. Teria sido a primeira vez.
Sempre teve orgulho de ser bom pai, estar com eles nas horas de folga e conversar quando preciso. Isto era antes. Agora notava em seus olhos decepção e até medo. Ficava triste, mas não via chance de mudança. Não no momento.
Resolveu parar de novo para tomar mais uma. Pelo menos chegaria a casa e apagaria. Não precisaria ver a interrogação no rosto de Rita. Porque boba ela não era e sabia que algo sério devia estar acontecendo. Apenas parou de perguntar. Esse silêncio dela acabava com ele, ao mesmo tempo em que dava alívio por não precisar explicar nada.
Rita e ele se conheceram na faculdade. Não era alta e tinha um cabelo preto e cacheado que chamou sua atenção. De lá para cá, sempre estiveram juntos.
Quando engravidou do primeiro filho, estavam casados há cinco anos, com a vida estável e querendo muito aquela criança. O caçula também foi programado. Ele recebera um aumento considerável e passara para o setor financeiro da firma de material de construção onde trabalhava.
Sempre foi eficiente, organizado. Os pagamentos e as contas da firma estavam na sua mão e de outros dois funcionários.
Os problemas começaram a um mês, desde que chegou uma empresa de auditoria. O patrão achava que havia algo errado. Parece que os auditores chegaram a uma conclusão e amanhã seria a reunião em que falariam sobre isso. Marcaram para o início da manhã com os dois colegas e em seguida conversariam com ele.
Não precisava que dissessem o que estava acontecendo. Há três dias o olhavam enviesados e discutiam em voz baixa com o patrão.
Amanhã teria que enfrentá-los, quando mostrassem a duplicidade de algumas duplicatas que forjou. Muitas duplicatas. Uma quantia de dinheiro considerável. O fechamento do livro caixa era raramente conferido pelo patrão. Ele era de sua confiança. Isso facilitava em muito sua ação. Os dois patetas que trabalhavam com ele não percebiam nada. Fora fácil enganá-los.
Não teria como fugir. Se fosse mandado embora com a responsabilidade da devolução do dinheiro, já ia ser complicado, porque não tinha de onde tirar. O pior é que talvez saísse de lá preso.
Teria que encarar a mulher e os filhos. Isso doeria mais do que tudo. Que vergonha! Se pudesse enterrava a cabeça e o corpo também em algum buraco de onde não precisasse sair mais.
Os pés estavam perdendo o comando que deveria ter sobre eles. Pareciam dançar de um lado para o outro na rua, em um samba que só ele escutava.
Perdeu a conta do tanto que bebeu. Começou a rir lembrando-se do dia em que Rita dançou para ele, enquanto tirava peça por peça da roupa que vestia. Viu num filme e quis fazer igual.
Lembrou-se de quando ele e os filhos jogavam futebol e o mais velho fez seu primeiro gol. O sorriso que dominou seu rosto foi uma das coisas que mais trouxe felicidade. Nem sabia ser possível uma sensação tão plena.
Pensou em fingir que não estava acontecendo nada, puxaria os três para conversar e os abraçaria com força. Imaginava as caras de surpresa. Olhariam entre si e pensariam que voltara a ser o mesmo de antes.
O carro que vinha não percebeu que ele ia atravessar com o sinal fechado para pedestres. Acertou-o em cheio, fazendo com que seu corpo rolasse por cima dele e batesse com a cabeça no asfalto ao cair.
De qualquer forma, ainda sorria com as lembranças quando curiosos chegaram perto e o olharam.
Frases nem tão soltas
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Alguns segundos que vivemos levam uma eternidade para se deixar esquecer.
*
Então posso escolher abrir o portão e descobrir que onde parecia ter apenas mato, havia flores.
*
Não gosto de me rasgar. Nunca soube costurar.
*
Nunca se dê a alguém por menos do que por amor.
*
Às vezes as palavras me fogem e fica apenas o sentir gritando nos olhos.
*
Ontem jurava que seria nunca mais. Hoje afirma que para sempre não mais.
*
Quero que me balance bem forte, para que eu possa ir tão alto que toque as nuvens. Preciso ter certeza de que são feitas de algodão.
*
Vou deixando flores por onde passo, para que não me perca no caminho de volta.
*
Vivo buscando não sei o que de não sei onde e não canso nunca.
*
Fujo de quem se diz muito bonzinho. Ninguém é.
*
Bebo uma taça de tinto ou duas e fico comigo me fazendo companhia. Converso com o corpo e sinto a pele me acarinhando.
*
Algumas vezes nos escondemos tão dentro de nós que mesmo procurando não conseguimos nos achar.
*
A rotina é nosso pior inimigo quando queremos esquecer.
*
Eu escrevo, eu leio, eu escrevo, eu leio. Vivo em um mundo encantado? Gosto de mundos encantados.
*
No meio do mato flores nascem como se importantes fossem. Importantes são enquanto flores. Do mato.
*
Por que no meio de uma noite deixo de ser borboleta e viro lagarta outra vez?
*
Muitas vezes peço que meus pensamentos se calem, mas parecem fazer questão de fingir não ouvir.
21/01/2017 | 18h54
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Alguns segundos que vivemos levam uma eternidade para se deixar esquecer.
*
Então posso escolher abrir o portão e descobrir que onde parecia ter apenas mato, havia flores.
*
Não gosto de me rasgar. Nunca soube costurar.
*
Nunca se dê a alguém por menos do que por amor.
*
Às vezes as palavras me fogem e fica apenas o sentir gritando nos olhos.
*
Ontem jurava que seria nunca mais. Hoje afirma que para sempre não mais.
*
Quero que me balance bem forte, para que eu possa ir tão alto que toque as nuvens. Preciso ter certeza de que são feitas de algodão.
*
Vou deixando flores por onde passo, para que não me perca no caminho de volta.
*
Vivo buscando não sei o que de não sei onde e não canso nunca.
*
Fujo de quem se diz muito bonzinho. Ninguém é.
*
Bebo uma taça de tinto ou duas e fico comigo me fazendo companhia. Converso com o corpo e sinto a pele me acarinhando.
*
Algumas vezes nos escondemos tão dentro de nós que mesmo procurando não conseguimos nos achar.
*
A rotina é nosso pior inimigo quando queremos esquecer.
*
Eu escrevo, eu leio, eu escrevo, eu leio. Vivo em um mundo encantado? Gosto de mundos encantados.
*
No meio do mato flores nascem como se importantes fossem. Importantes são enquanto flores. Do mato.
*
Por que no meio de uma noite deixo de ser borboleta e viro lagarta outra vez?
*
Muitas vezes peço que meus pensamentos se calem, mas parecem fazer questão de fingir não ouvir.
Frases nem tão soltas XXXII
Frases nem tão soltas XXXII
Cândida Albernaz
O tempo passa rápido e com ele tudo o que deixamos de fazer ou dizer. Todos os abraços e desculpas que não cometemos. Todo "eu te amo" que escondemos e não dizemos.
*
Somos mulheres especiais porque somos mulheres. Ser mulher é nascer lutando, sendo sensível, forte, amorosa, conseguindo rir e chorar ao mesmo tempo,aprendendo que doar-se é o mínimo que pode fazer, multiplicando-se para se tornar inteira. É acreditar que o mundo cabe dentro de nós. E por que não caberia?
*
A solidão acompanhada é solidão? Essa é a mais triste delas. De todas as solidões.
*
Tentei seguir a lua porque queria que ela me mostrasse o infinito. Fui parar numa rua sem saída. Dei a volta e de costas para ela encontrei a escuridão que aquela noite me esperava.
*
Aos poucos, bem devagar o mundo vai acordando dentro da gente novamente . Às vezes é preciso deixá-lo dormir com seus pesadelos para quando abrirmos os olhos podermos enxergar o tanto de colorida que é a vida.
*
Cantou Chico "Tem dias que a gente se sente /Como quem partiu ou morreu /A gente estancou de repente /Ou foi o mundo então que cresceu". Cantou Nana "Sem carinho, sem coberta/No tapete atrás da porta/Reclamei baixinho". Cantou Betânia "No meu céu a estrela guia se perdeu/A madrugada fria só me traz melancolia/Sonho meu". Um dia achou que as músicas estavam altas demais, incomodando o coração. Pegou uma caixa bem grande e guardou uma por uma. Lacrou com fita adesiva e resolveu que a partir de então ela mesma comporia seu cantar.
*
Filhos são pedacinhos de amor de um tamanho maior que o mundo. Não me digam que o tempo passou, que não são mais crianças e que não posso protegê-los embaixo das asas que nasceram em minhas costas apenas para isso. Não digam que daqui a algum tempo serão eles a me carregarem em seus braços, porque nunca me sentirei fraca o suficiente para continuar tentando. Para sempre só não é tão longo quando falamos do amor gigante que sentimos pelos filhos.
*
Vamos entender que a paz ainda é uma das coisas mais importantes a se conquistar. Que o amor está espalhado em cada sorriso que recebemos, é só catar e juntar. Que a luz que realmente importa, não é a de fora, mas a que deixamos sair de dentro de nós. Que o espelho é algo bom de se mirar quando o que vemos nos faz sorrir com doçura e não por vaidade.
*
De lágrimas ela entendia. Gostava de botar para fora o que no peito doía. Um dia, olhando-se no espelho achou-se feia chorando. Então decidiu que só de lágrimas não mais se satisfaria.
*
Entediado com o tanto que tinha resolveu brincar de riscos. Arriscando-se aqui e ali descobriu em desespero que para todo erro existe um peso a ser carregado. Ah!, que saudade do tédio que sentira um dia.
*
Tenho angústias que nem mesmo sei de onde vêm. Chegam como ondas cobrindo meu corpo e impedindo de respirar.
*
Se ao lhe abraçar me coloco na ponta dos pés, é para que meu rosto fique ainda mais próximo do seu e possa sentir no seu corpo a força de me apoiar.
*
Não sei porque às vezes pareço fazer questão de dar minha cara para que batam.
*
Acha que é chuva o que vê lá fora? Engana-se. São pingos de luz iluminando a noite.
21/01/2017 | 18h54
Frases nem tão soltas XXXII
Cândida Albernaz
O tempo passa rápido e com ele tudo o que deixamos de fazer ou dizer. Todos os abraços e desculpas que não cometemos. Todo "eu te amo" que escondemos e não dizemos.
*
Somos mulheres especiais porque somos mulheres. Ser mulher é nascer lutando, sendo sensível, forte, amorosa, conseguindo rir e chorar ao mesmo tempo,aprendendo que doar-se é o mínimo que pode fazer, multiplicando-se para se tornar inteira. É acreditar que o mundo cabe dentro de nós. E por que não caberia?
*
A solidão acompanhada é solidão? Essa é a mais triste delas. De todas as solidões.
*
Tentei seguir a lua porque queria que ela me mostrasse o infinito. Fui parar numa rua sem saída. Dei a volta e de costas para ela encontrei a escuridão que aquela noite me esperava.
*
Aos poucos, bem devagar o mundo vai acordando dentro da gente novamente . Às vezes é preciso deixá-lo dormir com seus pesadelos para quando abrirmos os olhos podermos enxergar o tanto de colorida que é a vida.
*
Cantou Chico "Tem dias que a gente se sente /Como quem partiu ou morreu /A gente estancou de repente /Ou foi o mundo então que cresceu". Cantou Nana "Sem carinho, sem coberta/No tapete atrás da porta/Reclamei baixinho". Cantou Betânia "No meu céu a estrela guia se perdeu/A madrugada fria só me traz melancolia/Sonho meu". Um dia achou que as músicas estavam altas demais, incomodando o coração. Pegou uma caixa bem grande e guardou uma por uma. Lacrou com fita adesiva e resolveu que a partir de então ela mesma comporia seu cantar.
*
Filhos são pedacinhos de amor de um tamanho maior que o mundo. Não me digam que o tempo passou, que não são mais crianças e que não posso protegê-los embaixo das asas que nasceram em minhas costas apenas para isso. Não digam que daqui a algum tempo serão eles a me carregarem em seus braços, porque nunca me sentirei fraca o suficiente para continuar tentando. Para sempre só não é tão longo quando falamos do amor gigante que sentimos pelos filhos.
*
Vamos entender que a paz ainda é uma das coisas mais importantes a se conquistar. Que o amor está espalhado em cada sorriso que recebemos, é só catar e juntar. Que a luz que realmente importa, não é a de fora, mas a que deixamos sair de dentro de nós. Que o espelho é algo bom de se mirar quando o que vemos nos faz sorrir com doçura e não por vaidade.
*
De lágrimas ela entendia. Gostava de botar para fora o que no peito doía. Um dia, olhando-se no espelho achou-se feia chorando. Então decidiu que só de lágrimas não mais se satisfaria.
*
Entediado com o tanto que tinha resolveu brincar de riscos. Arriscando-se aqui e ali descobriu em desespero que para todo erro existe um peso a ser carregado. Ah!, que saudade do tédio que sentira um dia.
*
Tenho angústias que nem mesmo sei de onde vêm. Chegam como ondas cobrindo meu corpo e impedindo de respirar.
*
Se ao lhe abraçar me coloco na ponta dos pés, é para que meu rosto fique ainda mais próximo do seu e possa sentir no seu corpo a força de me apoiar.
*
Não sei porque às vezes pareço fazer questão de dar minha cara para que batam.
*
Acha que é chuva o que vê lá fora? Engana-se. São pingos de luz iluminando a noite.
Consulta para quem
Consulta para quem?
Cândida Albernaz
Os dois chegaram juntos e isso só era perceptível porque enquanto um se dirigia para a cadeira e sentava, o outro ia direto para a secretária atrás do balcão entregando o cartão do convênio e falando:
- Meu marido tem hora marcada com o doutor. Ele já chegou?
Com a resposta afirmativa e após passar todos os dados do marido que permanecia sentado folheando uma revista, pegou ela também uma e começou a ler um artigo.
- Quando chegarmos lá dentro vê se não fica falando por mim. Não interessa ao médico o que você pensa, disse ele.
Ela continuou lendo. O conhecia bem. Era muitos e muitos anos de casados, fora a eternidade do namoro. Sabia quando queria iniciar uma discussão.
- Está se fazendo de surda, mas sei que me ouviu. Não adianta dizer que bebo muito. Isto é um ponto de vista seu. Bebo pouco, só para relaxar.
Virou a página da revista e contou até dez. tinha pleno conhecimento onde esta conversa dele iria parar.
- Ah! Outra coisa: quando ele quiser saber se como doce em excesso, sal ou gordura, não se meta a descrever a alimentação saudável que tenta me empurrar todo dia e que segundo você, não permito. Não vá começar com sua ladainha.
- Senhorita, por favor, ainda vai demorar muito para o doutor atendê-lo?
A secretária, que não tinha como não ouvir o monólogo do paciente, apressou-se a sorrir e responder que não, logo seriam chamados para entrar.
Ela deixou a revista na mesinha ao lado e pegou sua agenda. Aproveitaria para fazer algumas anotações.
Ele levantou-se para beber água e na volta parou na janela de onde se viam prédios e mais prédios.
- Olhe esta cidade! Quase não tem árvores, estão acabando com tudo e você lá em casa não cuida direito do jardim que eu mandei plantar. Está deixando tudo morrer esturricado...
O doutor abriu a porta despedindo-se do senhor que havia sido consultado e cumprimentando o casal pediu que entrassem.
Dentro da sala iniciou as perguntas de praxe:
- E então, o que o traz aqui?
- Rotina. Vim fazer um check up para ver se continuo em forma. Sabe como é, a idade vem chegando, os ossos doem, diminui um pouco a disposição... Explicava e sorria.
- Vamos dar uma olhada e se preciso, pedimos alguns exames.
- Veja doutor, gostaria de caminhar, viajar. Mas mal tenho tempo. Três filhos e mulher gastando muito. Preciso trabalhar e não me sobra tempo.
A esposa a seu lado, colocou os dois dedos indicadores apertando o interior dos olhos e abaixou a cabeça.
- Como é sua alimentação?
- Como de tudo. Pouco, é claro.
- Gordura, sal, doce. Controla bem?
- Com certeza. Não deixo de comer, mas com moderação.
- Hum! A mulher resmungou ao lado.
- Acho que sua esposa não concorda com o senhor.
- Ela é assim mesmo. Implica com tudo o que faço, como ou bebo. Quando a pessoa é insatisfeita consigo mesma, age assim.
A mulher levantou-se. Parecia uma bomba prestes a explodir
- Mentira! Tudo mentira. Ele se excede no sal, como fritura quase todos os dias e bebe até dizer chega! é ansioso, irritado, discute com todos e não aceita a opinião de ninguém. O senhor tem que dar um jeito nele.
Sentou-se novamente e ficou em silêncio. Quando olhou o médico, percebeu o que estava pensando. Talvez fosse ela quem necessitasse de ajuda.
O marido abaixou a cabeça colocando as mãos entre as pernas.
- Está entendendo o que digo? Ela é desse jeito, mal me deixa falar. Quanto mais ter sossego! Todo dia é discussão atrás de discussão. Doutor, sabe quando foi a última vez que ela disse que me amava? Acho que nunca.
- Como é que é?! Esta se fazendo de pobre coitado! Nunca me disse isso também. Ele é quem procura discutir todos os dias. E quando bebe então?
- Quase não bebo doutro. Só nos fins de semana porque ninguém é de ferro.
- Mas também é sexta, sábado e domingo bêbado. De segunda a quinta ele se controla porque caso contrário perde o emprego.
- Procure se acalmar. Talvez fosse melhor que eu desse uma olhada na senhora também. Venha, deite-se aqui para que eu possa examiná-la.
Deitou-se na maca e notou a troca de olhares cheios de cumplicidade entre os dois. Quando percebia, já havia entrado no jogo dele e a louca era ela.
Não abriu mais a boca. Quando acabou, ele pediu que o marido deitasse e procedeu com o exame, agora nele. Viu que o marido mantinha no rosto uma expressão compreensiva para com ela.
Na saída, depois do exame clínico, o doutor acompanhou-os a porta.
- O senhor me parece bem. Vamos aguardar o resultado dos exames que pedi. A senhora, não se esqueça de tomar o remédio de pressão que lhe passei e aceite minha sugestão de procurar um terapeuta. Vai ajudá-la a ser menos tensa.
Saíram os dois juntos. Na rua, ele coloca a mão em seu ombro e com cinismo diz:
- Viu querida, não disse que não tinha nada? Basta que fique sempre calminha e não se meta no que como ou bebo. Não entendo porque fica tão tensa, afinal sou um bom marido para você.
O olhar que ela lançou era de morte, mas ficou quieta, sabia onde este comentário poderia dar.
21/01/2017 | 18h54
Consulta para quem?
Cândida Albernaz
Os dois chegaram juntos e isso só era perceptível porque enquanto um se dirigia para a cadeira e sentava, o outro ia direto para a secretária atrás do balcão entregando o cartão do convênio e falando:
- Meu marido tem hora marcada com o doutor. Ele já chegou?
Com a resposta afirmativa e após passar todos os dados do marido que permanecia sentado folheando uma revista, pegou ela também uma e começou a ler um artigo.
- Quando chegarmos lá dentro vê se não fica falando por mim. Não interessa ao médico o que você pensa, disse ele.
Ela continuou lendo. O conhecia bem. Era muitos e muitos anos de casados, fora a eternidade do namoro. Sabia quando queria iniciar uma discussão.
- Está se fazendo de surda, mas sei que me ouviu. Não adianta dizer que bebo muito. Isto é um ponto de vista seu. Bebo pouco, só para relaxar.
Virou a página da revista e contou até dez. tinha pleno conhecimento onde esta conversa dele iria parar.
- Ah! Outra coisa: quando ele quiser saber se como doce em excesso, sal ou gordura, não se meta a descrever a alimentação saudável que tenta me empurrar todo dia e que segundo você, não permito. Não vá começar com sua ladainha.
- Senhorita, por favor, ainda vai demorar muito para o doutor atendê-lo?
A secretária, que não tinha como não ouvir o monólogo do paciente, apressou-se a sorrir e responder que não, logo seriam chamados para entrar.
Ela deixou a revista na mesinha ao lado e pegou sua agenda. Aproveitaria para fazer algumas anotações.
Ele levantou-se para beber água e na volta parou na janela de onde se viam prédios e mais prédios.
- Olhe esta cidade! Quase não tem árvores, estão acabando com tudo e você lá em casa não cuida direito do jardim que eu mandei plantar. Está deixando tudo morrer esturricado...
O doutor abriu a porta despedindo-se do senhor que havia sido consultado e cumprimentando o casal pediu que entrassem.
Dentro da sala iniciou as perguntas de praxe:
- E então, o que o traz aqui?
- Rotina. Vim fazer um check up para ver se continuo em forma. Sabe como é, a idade vem chegando, os ossos doem, diminui um pouco a disposição... Explicava e sorria.
- Vamos dar uma olhada e se preciso, pedimos alguns exames.
- Veja doutor, gostaria de caminhar, viajar. Mas mal tenho tempo. Três filhos e mulher gastando muito. Preciso trabalhar e não me sobra tempo.
A esposa a seu lado, colocou os dois dedos indicadores apertando o interior dos olhos e abaixou a cabeça.
- Como é sua alimentação?
- Como de tudo. Pouco, é claro.
- Gordura, sal, doce. Controla bem?
- Com certeza. Não deixo de comer, mas com moderação.
- Hum! A mulher resmungou ao lado.
- Acho que sua esposa não concorda com o senhor.
- Ela é assim mesmo. Implica com tudo o que faço, como ou bebo. Quando a pessoa é insatisfeita consigo mesma, age assim.
A mulher levantou-se. Parecia uma bomba prestes a explodir
- Mentira! Tudo mentira. Ele se excede no sal, como fritura quase todos os dias e bebe até dizer chega! é ansioso, irritado, discute com todos e não aceita a opinião de ninguém. O senhor tem que dar um jeito nele.
Sentou-se novamente e ficou em silêncio. Quando olhou o médico, percebeu o que estava pensando. Talvez fosse ela quem necessitasse de ajuda.
O marido abaixou a cabeça colocando as mãos entre as pernas.
- Está entendendo o que digo? Ela é desse jeito, mal me deixa falar. Quanto mais ter sossego! Todo dia é discussão atrás de discussão. Doutor, sabe quando foi a última vez que ela disse que me amava? Acho que nunca.
- Como é que é?! Esta se fazendo de pobre coitado! Nunca me disse isso também. Ele é quem procura discutir todos os dias. E quando bebe então?
- Quase não bebo doutro. Só nos fins de semana porque ninguém é de ferro.
- Mas também é sexta, sábado e domingo bêbado. De segunda a quinta ele se controla porque caso contrário perde o emprego.
- Procure se acalmar. Talvez fosse melhor que eu desse uma olhada na senhora também. Venha, deite-se aqui para que eu possa examiná-la.
Deitou-se na maca e notou a troca de olhares cheios de cumplicidade entre os dois. Quando percebia, já havia entrado no jogo dele e a louca era ela.
Não abriu mais a boca. Quando acabou, ele pediu que o marido deitasse e procedeu com o exame, agora nele. Viu que o marido mantinha no rosto uma expressão compreensiva para com ela.
Na saída, depois do exame clínico, o doutor acompanhou-os a porta.
- O senhor me parece bem. Vamos aguardar o resultado dos exames que pedi. A senhora, não se esqueça de tomar o remédio de pressão que lhe passei e aceite minha sugestão de procurar um terapeuta. Vai ajudá-la a ser menos tensa.
Saíram os dois juntos. Na rua, ele coloca a mão em seu ombro e com cinismo diz:
- Viu querida, não disse que não tinha nada? Basta que fique sempre calminha e não se meta no que como ou bebo. Não entendo porque fica tão tensa, afinal sou um bom marido para você.
O olhar que ela lançou era de morte, mas ficou quieta, sabia onde este comentário poderia dar.
Frases nem tão soltas
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Quero mesmo é conseguir escrever o sentir. Escrever sem parar, colocando para fora qualquer dor para que só no papel ela permaneça.
*
Em alguns dias careço de abraço no corpo. Em outros careço na alma.
*
Desculpem mas preciso me levantar porque acabei de ver sorrisos e risos passarem aqui perto. Vou atrás deles. Não posso perdê-los.
*
Tentava contar carneirinhos, mas estes corriam de um lado para o outro fazendo com que ficasse tonta. Desistiu e virando-se dormiu.
*
Que o amor para sempre cure. E que por isso dure.
*
Estou na fase dos porquês. Não perguntas. Respostas.
*
O melhor e o pior da vida: ela passa.
*
O que machuca é esperar o que não vem. O que machuca é esperar de quem não tem.
*
E quando nos olhamos somos únicos. Sem medo não desviamos esse olhar.
*
Muitas vezes vou até o limite do não sentir para que os minutos passem sem doer.
*
Quero poder pensar alegrias e distribuir “coloridices” pela boca.
*
Geralmente o problema não é como o outro fala, mas a forma como você escuta o que ele diz.
*
Há dias em que continuo a procurar... Em outros, penso que encontrei.
*
Hoje abri uma caixa onde encontrei parte do que vivi. A sensação de recordar e sentir o que senti quando todas as fotos foram tiradas, ou todas as poesias foram escritas ou todas as cartas foram lidas, me fez rir sozinha. Mas eu não estava realmente só. Tudo aquilo e aquelas pessoas estavam ali comigo. Como num passe de mágica!
*
Não estou falando de acaso. Acasos não acontecem. Talvez em alguns poucos casos. Não se engane: não são acasos.
*
Protejo-me na indiferença para não sentir mais do que suportaria.
*
Não sei entender meias palavras. Não gosto que me deem meios atos. Nada pela metade me satisfaz.
*
A vida exige, a gente entrega, ela exige, ela pega. Entre uma vírgula e outra a gente prega uma peça: ri da vida e ri com ela.
21/01/2017 | 18h54
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Quero mesmo é conseguir escrever o sentir. Escrever sem parar, colocando para fora qualquer dor para que só no papel ela permaneça.
*
Em alguns dias careço de abraço no corpo. Em outros careço na alma.
*
Desculpem mas preciso me levantar porque acabei de ver sorrisos e risos passarem aqui perto. Vou atrás deles. Não posso perdê-los.
*
Tentava contar carneirinhos, mas estes corriam de um lado para o outro fazendo com que ficasse tonta. Desistiu e virando-se dormiu.
*
Que o amor para sempre cure. E que por isso dure.
*
Estou na fase dos porquês. Não perguntas. Respostas.
*
O melhor e o pior da vida: ela passa.
*
O que machuca é esperar o que não vem. O que machuca é esperar de quem não tem.
*
E quando nos olhamos somos únicos. Sem medo não desviamos esse olhar.
*
Muitas vezes vou até o limite do não sentir para que os minutos passem sem doer.
*
Quero poder pensar alegrias e distribuir “coloridices” pela boca.
*
Geralmente o problema não é como o outro fala, mas a forma como você escuta o que ele diz.
*
Há dias em que continuo a procurar... Em outros, penso que encontrei.
*
Hoje abri uma caixa onde encontrei parte do que vivi. A sensação de recordar e sentir o que senti quando todas as fotos foram tiradas, ou todas as poesias foram escritas ou todas as cartas foram lidas, me fez rir sozinha. Mas eu não estava realmente só. Tudo aquilo e aquelas pessoas estavam ali comigo. Como num passe de mágica!
*
Não estou falando de acaso. Acasos não acontecem. Talvez em alguns poucos casos. Não se engane: não são acasos.
*
Protejo-me na indiferença para não sentir mais do que suportaria.
*
Não sei entender meias palavras. Não gosto que me deem meios atos. Nada pela metade me satisfaz.
*
A vida exige, a gente entrega, ela exige, ela pega. Entre uma vírgula e outra a gente prega uma peça: ri da vida e ri com ela.
A gente não nasceu para isso
A gente não nasceu para isso
Cândida Albernaz
Atrasei dona Marta, mas não foi culpa minha.
Lembra quando falei com a senhora sobre a Zildinha? Pois é, ontem quando cheguei do trabalho ela estava lá em casa me esperando c om a cara toda quebrada. O desgraçado do marido sentou a mão nela outra vez. Aliás, a mão e os pés porque chutou um bocado e ainda bateu com a cabeça da pobre na parede. E sei dos detalhes, não porque ela se lembre, mas porque o filho de dez anos assistiu a cena e contou tudo. Esse garoto já viu cada coisa.
Lá fui eu ao pronto-socorro. Foi medicada e quando quiseram saber como ela havia se machucado tanto, nem tive tempo de abrir a boca:
- Foi um carro que me atropelou. Atropelou e fugiu.
Olhei para a cara dela com ódio. Não aprende, não adianta. Volta para casa e quando as feridas estiverem quase cicatrizadas, leva uma nova surra.
Dá para entender uma coisa dessas? Não, nem precisa responder dona Marta, que eu sei que a senhora concorda comigo. Então ela apanha, fica um tempão com o corpo doído e não coloca o sujeito em cana?
Avisei que não ajudo mais. É meu cunhado, irmão do meu marido, mas queria que fosse preso. Não se faz o que ele fez com ela nem com um bicho, ainda mais numa mulher que deu um filho para ele.
Precisa ver como cuida da família. Não tem hora nem cansaço para ela. Trabalhadeira e cozinha que é um primor.
Desculpe dona Marta, eu desabafar assim, mas foi por esse motivo que cheguei tarde hoje. Quase não dormi.
Quando saímos do hospital, passava de uma hora da manhã. Insisti para que ficasse comigo, mas não quis. Disse que ele estaria arrependido e não a machucaria. Ela conhece bem as manhas do filho da puta que tem em casa. Desculpe pelo palavrão. Eu é que não conheço mais a Zildinha. Era uma mulher tão bonita e de opinião. Agora está um trapo que dá pena até de olhar.
Estou falando demais, não é? Nem pôde dizer o que quer que eu prepare para o almoço. Meu marido vive repetindo que precisa de uma chave que me desligue quando começo.
O que é isso? Está chorando? Não fique assim. Eu sei que não está acostumada com esses assuntos, mas é que onde moro, acontece cada uma... Só com tempo para contar.
A senhora vive longe desse mundo e é melhor assim, porque a gente não nasceu para assistir essas coisas.
Dona Marta, não chore. Fico sem graça por ter falado tanto. Ainda bem que seu marido foi para o trabalho. Podia até zangar-se comigo por fazer a mulher dele sofrer.
O que é isso, dona Marta? Só agora estou reparando como seu olho está inchado. E essa mancha roxa no braço? Dona Marta, a senhora...
21/01/2017 | 18h54
A gente não nasceu para isso
Cândida Albernaz
Atrasei dona Marta, mas não foi culpa minha.
Lembra quando falei com a senhora sobre a Zildinha? Pois é, ontem quando cheguei do trabalho ela estava lá em casa me esperando c om a cara toda quebrada. O desgraçado do marido sentou a mão nela outra vez. Aliás, a mão e os pés porque chutou um bocado e ainda bateu com a cabeça da pobre na parede. E sei dos detalhes, não porque ela se lembre, mas porque o filho de dez anos assistiu a cena e contou tudo. Esse garoto já viu cada coisa.
Lá fui eu ao pronto-socorro. Foi medicada e quando quiseram saber como ela havia se machucado tanto, nem tive tempo de abrir a boca:
- Foi um carro que me atropelou. Atropelou e fugiu.
Olhei para a cara dela com ódio. Não aprende, não adianta. Volta para casa e quando as feridas estiverem quase cicatrizadas, leva uma nova surra.
Dá para entender uma coisa dessas? Não, nem precisa responder dona Marta, que eu sei que a senhora concorda comigo. Então ela apanha, fica um tempão com o corpo doído e não coloca o sujeito em cana?
Avisei que não ajudo mais. É meu cunhado, irmão do meu marido, mas queria que fosse preso. Não se faz o que ele fez com ela nem com um bicho, ainda mais numa mulher que deu um filho para ele.
Precisa ver como cuida da família. Não tem hora nem cansaço para ela. Trabalhadeira e cozinha que é um primor.
Desculpe dona Marta, eu desabafar assim, mas foi por esse motivo que cheguei tarde hoje. Quase não dormi.
Quando saímos do hospital, passava de uma hora da manhã. Insisti para que ficasse comigo, mas não quis. Disse que ele estaria arrependido e não a machucaria. Ela conhece bem as manhas do filho da puta que tem em casa. Desculpe pelo palavrão. Eu é que não conheço mais a Zildinha. Era uma mulher tão bonita e de opinião. Agora está um trapo que dá pena até de olhar.
Estou falando demais, não é? Nem pôde dizer o que quer que eu prepare para o almoço. Meu marido vive repetindo que precisa de uma chave que me desligue quando começo.
O que é isso? Está chorando? Não fique assim. Eu sei que não está acostumada com esses assuntos, mas é que onde moro, acontece cada uma... Só com tempo para contar.
A senhora vive longe desse mundo e é melhor assim, porque a gente não nasceu para assistir essas coisas.
Dona Marta, não chore. Fico sem graça por ter falado tanto. Ainda bem que seu marido foi para o trabalho. Podia até zangar-se comigo por fazer a mulher dele sofrer.
O que é isso, dona Marta? Só agora estou reparando como seu olho está inchado. E essa mancha roxa no braço? Dona Marta, a senhora...
Frases nem tão soltas
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Quando penso alegrias é como se houvessem borboletas dentro de mim. Pensar alegrias me fazem voar.
*
Os gritos que ressoam de nosso corpo nos deixam surdos. Surdos de ouvir a paz.
*
Nunca suportou vícios. Ninguém que provocasse dependência poderia fazê-la feliz.
*
Devíamos ser seduzidos todos os dias. Sempre um pouquinho que é para não gastar tudo de uma só vez.
*
Um dia carregou para sempre o momento em que a saliva misturou-se ao sal das lágrimas que escorriam.
*
O tempo que se foi pode ser tão pesado que nossos braços não carregam. Fazer contas passadas pesam tanto que chega a doer.
*
Às vezes cansada e se cansada estiver posso talvez criar asas e me por a voar. Voarei tão longe que pensará que fui apenas um sonho. Ou pesadelo.
*
Hoje a bruxa má me roubou o sono e se eu não encontrar rápido a fada boa, passarei o dia como um zumbi.
*
Refresco a língua, a boca, a alma. Quero o doce da vida e se em algum momento ela amargar, eu a reinvento.
*
Em alguns dias me dói viver. Por tudo. Por nada.
*
É doloroso se permitir ficar em pedaços. Cada vez que tentamos colar os cacos, algo mesmo que pequeno fica pelo caminho.
*
Sinto a dor mesmo antes de saber o que vai acontecer.
*
Não gosto de dúvidas. Qualquer dúvida em minha mente transforma-se em um gigantesco dragão que faz meu peito queimar.
*
Se o peito aperta, tenho medo de mim. Por mim.
*
Costumo meter os pés pelas mãos quando a emoção chega. Quando algo mexe com o meu sentir eu deveria correr para bem longe, algum lugar que não me desse tempo de reagir. Só assim poderia me proteger de mim.
*
Não importa se chove lá fora. Eu quero é viver colorido!
*
Perfeito quando cai em nossos olhos o que escrito descreve o que sentimos.
21/01/2017 | 18h54
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Quando penso alegrias é como se houvessem borboletas dentro de mim. Pensar alegrias me fazem voar.
*
Os gritos que ressoam de nosso corpo nos deixam surdos. Surdos de ouvir a paz.
*
Nunca suportou vícios. Ninguém que provocasse dependência poderia fazê-la feliz.
*
Devíamos ser seduzidos todos os dias. Sempre um pouquinho que é para não gastar tudo de uma só vez.
*
Um dia carregou para sempre o momento em que a saliva misturou-se ao sal das lágrimas que escorriam.
*
O tempo que se foi pode ser tão pesado que nossos braços não carregam. Fazer contas passadas pesam tanto que chega a doer.
*
Às vezes cansada e se cansada estiver posso talvez criar asas e me por a voar. Voarei tão longe que pensará que fui apenas um sonho. Ou pesadelo.
*
Hoje a bruxa má me roubou o sono e se eu não encontrar rápido a fada boa, passarei o dia como um zumbi.
*
Refresco a língua, a boca, a alma. Quero o doce da vida e se em algum momento ela amargar, eu a reinvento.
*
Em alguns dias me dói viver. Por tudo. Por nada.
*
É doloroso se permitir ficar em pedaços. Cada vez que tentamos colar os cacos, algo mesmo que pequeno fica pelo caminho.
*
Sinto a dor mesmo antes de saber o que vai acontecer.
*
Não gosto de dúvidas. Qualquer dúvida em minha mente transforma-se em um gigantesco dragão que faz meu peito queimar.
*
Se o peito aperta, tenho medo de mim. Por mim.
*
Costumo meter os pés pelas mãos quando a emoção chega. Quando algo mexe com o meu sentir eu deveria correr para bem longe, algum lugar que não me desse tempo de reagir. Só assim poderia me proteger de mim.
*
Não importa se chove lá fora. Eu quero é viver colorido!
*
Perfeito quando cai em nossos olhos o que escrito descreve o que sentimos.
Podia ser pior
Podia ser pior
Cândida Albernaz
E essa fila que não anda? Vou chegar atrasada no serviço e a patroa vai encher o saco. O Nandinho está com febre outra vez e não dormi a noite inteira. Vou precisar ir com ele para a casa de dona Márcia. Já sei como será. Vai dizer que não tem problema, coitadinho, mas quando o patrão chegar, não deixe que o menino faça barulho. Sabe como ele é…
Sei sim. Sei que impedir que meu filho, com dor de ouvido e febre não faça nenhum barulho, é impossível. E se ele chorar? Tem só três anos. Nós que somos adultos quando sentimos alguma coisa botamos a boca no mundo e choramos… Imagina uma criança.
Eu devia ir para casa quando saísse daqui, mas dona Márcia vai o-fe-re-cer, como ela gosta de dizer, um jantar esta noite para os amigos. Prometi que faria a comida. Ela falou que vai me dar um dinheirinho por fora. Estou precisando, não posso recusar, principalmente agora que minha mãe foi morar com a gente. Estava na casa do meu irmão, mas a nora começou a implicar porque ela dormia na sala e com isso a desarrumava.
Não quer ter trabalho aquela lá. Também não é mãe dela, não tem obrigação. A diferença é que minha cunhada tem uma pessoa que cozinha, limpa, o mesmo que eu faço na casa de dona Márcia. Meu irmão vive com mais fartura do que eu. A mulher dele colocou mamãe para dormir na sala de propósito. Bem que podia ficar no quartinho onde ela guarda uns pratos e panos que pinta. Diz que é artista e que precisa de um espaço só para ela.
Pois sim! Nunca vendeu um daqueles pratos ou panos. Já vi vários iguais. Copia tudo de umas revistas que compra. Se tivesse talento, e ficassem bonitos, mas sai tudo mal feito. Outro dia me levou até lá como se fosse um santuário, e mostrou o que estava fazendo. Falei que era bonitinho. Pensa que gostou? Que nada! Disse que bonitinho não era adjetivo para o trabalho dela. E eu lembro o que é adjetivo? Fiz escola faz tanto tempo. Hoje só sei o que a vida me ensina.
A verdade é que enfiou mãe na sala com tanto espaço sobrando para uma cama naquele lugar. Claro que ela não conseguia dormir direito, e quando a porta da rua abria, entrava um vento que fazia com que gripasse.
Trouxe para minha casa. Cuido melhor dela e não fico devendo nada para ninguém. Cunhada artista! Dá até vontade de rir.
Está chegando a minha vez. Nandinho continua quente. Dormiu um pouquinho, sinal de que a dor diminuiu. Não gosto de ver meu filho sofrer. Tão engraçado quando está com saúde. Eu e o pai ficamos iguais a uns bobos com ele, rimos de qualquer gracinha que faz.
Essa noite ele quis ajudar. Falou para eu dormir que ele olhava nosso filho. Não deixei. Sabe por quê? Ele trabalha o dia inteiro também, como eu, mas mexe com máquina. Um amigo perdeu um dedo dia desses. Falta de atenção. Não quero que meu marido se arrisque.
Bom pai, ele. Vivemos uma vida apertada, mas não falta o principal.
Homem trabalhador, responsável. Um pouco sério demais, mas não dá para ter tudo nessa vida.
Quando falei que mãe teria que viver com a gente, olhou nos meus olhos:
- Trás para cá, damos um jeito.
É isso que admiro nele. A segurança que me dá. Está sempre pronto para proteger a mim e a nosso filho, nunca deixei de contar com ele.
Enfim vamos ser atendidos por um médico. Espero que esse tenha paciência para ouvir sobre o que meu filho sente, porque tem uns, que não dão tempo de explicar nada. Mal tocam na criança, olham rapidamente a garganta e receitam. Não gosto desses, nem sei por que estão ali. Deviam trabalhar em outra profissão.
Acho que vai dar tempo de preparar tudo para o jantar. Coloco o Nandinho num colchonete lá atrás e faço meu serviço. Espero que ele não chore, não é do meu feitio incomodar os outros. Menos ainda ser chamada a atenção. Quero ver quanto dona Márcia vai me pagar.
Chamaram meu número:
- Boa tarde doutor. Meu filho está com febre há dois dias…
21/01/2017 | 18h54
Podia ser pior
Cândida Albernaz
E essa fila que não anda? Vou chegar atrasada no serviço e a patroa vai encher o saco. O Nandinho está com febre outra vez e não dormi a noite inteira. Vou precisar ir com ele para a casa de dona Márcia. Já sei como será. Vai dizer que não tem problema, coitadinho, mas quando o patrão chegar, não deixe que o menino faça barulho. Sabe como ele é…
Sei sim. Sei que impedir que meu filho, com dor de ouvido e febre não faça nenhum barulho, é impossível. E se ele chorar? Tem só três anos. Nós que somos adultos quando sentimos alguma coisa botamos a boca no mundo e choramos… Imagina uma criança.
Eu devia ir para casa quando saísse daqui, mas dona Márcia vai o-fe-re-cer, como ela gosta de dizer, um jantar esta noite para os amigos. Prometi que faria a comida. Ela falou que vai me dar um dinheirinho por fora. Estou precisando, não posso recusar, principalmente agora que minha mãe foi morar com a gente. Estava na casa do meu irmão, mas a nora começou a implicar porque ela dormia na sala e com isso a desarrumava.
Não quer ter trabalho aquela lá. Também não é mãe dela, não tem obrigação. A diferença é que minha cunhada tem uma pessoa que cozinha, limpa, o mesmo que eu faço na casa de dona Márcia. Meu irmão vive com mais fartura do que eu. A mulher dele colocou mamãe para dormir na sala de propósito. Bem que podia ficar no quartinho onde ela guarda uns pratos e panos que pinta. Diz que é artista e que precisa de um espaço só para ela.
Pois sim! Nunca vendeu um daqueles pratos ou panos. Já vi vários iguais. Copia tudo de umas revistas que compra. Se tivesse talento, e ficassem bonitos, mas sai tudo mal feito. Outro dia me levou até lá como se fosse um santuário, e mostrou o que estava fazendo. Falei que era bonitinho. Pensa que gostou? Que nada! Disse que bonitinho não era adjetivo para o trabalho dela. E eu lembro o que é adjetivo? Fiz escola faz tanto tempo. Hoje só sei o que a vida me ensina.
A verdade é que enfiou mãe na sala com tanto espaço sobrando para uma cama naquele lugar. Claro que ela não conseguia dormir direito, e quando a porta da rua abria, entrava um vento que fazia com que gripasse.
Trouxe para minha casa. Cuido melhor dela e não fico devendo nada para ninguém. Cunhada artista! Dá até vontade de rir.
Está chegando a minha vez. Nandinho continua quente. Dormiu um pouquinho, sinal de que a dor diminuiu. Não gosto de ver meu filho sofrer. Tão engraçado quando está com saúde. Eu e o pai ficamos iguais a uns bobos com ele, rimos de qualquer gracinha que faz.
Essa noite ele quis ajudar. Falou para eu dormir que ele olhava nosso filho. Não deixei. Sabe por quê? Ele trabalha o dia inteiro também, como eu, mas mexe com máquina. Um amigo perdeu um dedo dia desses. Falta de atenção. Não quero que meu marido se arrisque.
Bom pai, ele. Vivemos uma vida apertada, mas não falta o principal.
Homem trabalhador, responsável. Um pouco sério demais, mas não dá para ter tudo nessa vida.
Quando falei que mãe teria que viver com a gente, olhou nos meus olhos:
- Trás para cá, damos um jeito.
É isso que admiro nele. A segurança que me dá. Está sempre pronto para proteger a mim e a nosso filho, nunca deixei de contar com ele.
Enfim vamos ser atendidos por um médico. Espero que esse tenha paciência para ouvir sobre o que meu filho sente, porque tem uns, que não dão tempo de explicar nada. Mal tocam na criança, olham rapidamente a garganta e receitam. Não gosto desses, nem sei por que estão ali. Deviam trabalhar em outra profissão.
Acho que vai dar tempo de preparar tudo para o jantar. Coloco o Nandinho num colchonete lá atrás e faço meu serviço. Espero que ele não chore, não é do meu feitio incomodar os outros. Menos ainda ser chamada a atenção. Quero ver quanto dona Márcia vai me pagar.
Chamaram meu número:
- Boa tarde doutor. Meu filho está com febre há dois dias…
Frases nem tão soltas XXXl
Frases nem tão soltas XXXI
Cândida Albernaz
Entardeceres me comovem. É o dia começando a adormecer trazendo a permissão de novos sonhos.
*
Há dias que os dias fogem. Melhor não ir buscá-los. Melhor deixar para lá.
*
Eu sonho. Sonho acordada ou dormindo. Sonho porque sou pisciana, porque sou mulher, porque sou escritora. Sonho para que o ar fique mais fácil de respirar.
*
O caramelo vai dissolvendo na boca com aquele gosto adocicado de lembranças antigas, pondo fim no sabor amargo que experimentara há pouco quando mastigava um sentimento que doía.
*
Alguns sorrisos têm tanta alegria que iluminam um dia inteiro.
*
Coloquei nas costas um peso que não era meu. Quase fui ao chão por não aguentar.
*
Se não nos encontramos, foi porque você ainda não chegou. Numa esquina, num banco de praça, naquela festa chata, ou quando numa livraria me voltar de repente, nossos olhos se esbarrarem e na necessidade de nos amparar para não cair, entenderemos que chegou a hora.
*
Procuro criar caminhos que não doam. É quase impossível para alguém tão sensível. Ser sensível demais é muito chato.
*
Às vezes gosto de pessoas que não gostam de mim. Não o tempo todo ou todos os dias, é claro. Mas não costumo perder meus minutos desejando nada de mal a ninguém.
*
No ouvido escutei a lua murmurar que não me enganasse com sua luz. Ela também podia trazer solidão.
*
O tempo carrega nossa vida com ele se não soubermos guardar perto de nós o que realmente importa.
*
Ainda encontrarei uma casinha amarela no meio do mato para vez ou outra estar lá, quieta e segura de ser invisível.
*
De flor em flor ela perfuma a vida. Em cada aroma percebido vai buscando o sentido de seguir.
*
Sabe o que é bonito no amor? É quando apesar do tempo ou por causa dele se consegue rir junto.
21/01/2017 | 18h54
Frases nem tão soltas XXXI
Cândida Albernaz
Entardeceres me comovem. É o dia começando a adormecer trazendo a permissão de novos sonhos.
*
Há dias que os dias fogem. Melhor não ir buscá-los. Melhor deixar para lá.
*
Eu sonho. Sonho acordada ou dormindo. Sonho porque sou pisciana, porque sou mulher, porque sou escritora. Sonho para que o ar fique mais fácil de respirar.
*
O caramelo vai dissolvendo na boca com aquele gosto adocicado de lembranças antigas, pondo fim no sabor amargo que experimentara há pouco quando mastigava um sentimento que doía.
*
Alguns sorrisos têm tanta alegria que iluminam um dia inteiro.
*
Coloquei nas costas um peso que não era meu. Quase fui ao chão por não aguentar.
*
Se não nos encontramos, foi porque você ainda não chegou. Numa esquina, num banco de praça, naquela festa chata, ou quando numa livraria me voltar de repente, nossos olhos se esbarrarem e na necessidade de nos amparar para não cair, entenderemos que chegou a hora.
*
Procuro criar caminhos que não doam. É quase impossível para alguém tão sensível. Ser sensível demais é muito chato.
*
Às vezes gosto de pessoas que não gostam de mim. Não o tempo todo ou todos os dias, é claro. Mas não costumo perder meus minutos desejando nada de mal a ninguém.
*
No ouvido escutei a lua murmurar que não me enganasse com sua luz. Ela também podia trazer solidão.
*
O tempo carrega nossa vida com ele se não soubermos guardar perto de nós o que realmente importa.
*
Ainda encontrarei uma casinha amarela no meio do mato para vez ou outra estar lá, quieta e segura de ser invisível.
*
De flor em flor ela perfuma a vida. Em cada aroma percebido vai buscando o sentido de seguir.
*
Sabe o que é bonito no amor? É quando apesar do tempo ou por causa dele se consegue rir junto.
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