Dilma não ouviu Collor
22/01/2017 | 15h00
collor-dilma Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo

No início de 2012, Dilma Rousseff vivia em lua de mel com o país. Era a presidente mais bem avaliada após o primeiro ano de governo, superando Lula e FHC. A popularidade não se refletia no Congresso. Parlamentares reclamavam do estilo da petista, que ignorava os pedidos que se acumulavam no Planalto.

Em março, o sistema emitiu os primeiros sinais de rebelião. O Senado rejeitou uma indicação para agência reguladora, e o PR ameaçou deixar a base porque não conseguia nomear o ministro dos Transportes. O ex-presidente Fernando Collor subiu à tribuna e fez um alerta à sucessora. "O diálogo precisa ser reaberto. Digo isso com a experiência de quem, exercendo a Presidência da República, desconheceu a importância fundamental do Senado e da Câmara. O resultado desse afastamento redundou no meu impeachment", disse, em tom dramático. "Muitas vezes, até não fazemos muita questão de ter uma solicitação atendida pelo Planalto, mas precisamos de consideração e atenção", prosseguiu o ex-presidente.

Dilma não ouviu a lição de Collor. Em cinco anos no poder, barrou a aproximação de parlamentares e governou de forma imperial. Impaciente, habituou-se a deixar deputados e senadores falando sozinhos, quando não distribuía broncas como se fossem seus subordinados.

Os episódios de mágoa se sucederam, e a presidente deixou de estabelecer relações de lealdade que lhe fariam falta no futuro. "O erro da Dilma foi tratar todo mundo no coice, como fez o Collor. Na hora da dificuldade, ela pegou a bicicleta e saiu pedalando sozinha, em vez de se cercar de aliados", me disse o deputado Heráclito Fortes, do PSB.

A ex-ministra Maria do Rosário, do PT, ouviu o rival sem discordar. "O Congresso não estava acostumado a uma figura tão austera na Presidência. Essas coisas não deviam ter importância, mas vão acabar contando muito", ela previu. Era a véspera da votação do impeachment.

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Teori ordena investigação das planilhas de doações da Odebrecht
22/01/2017 | 15h00
[caption id="attachment_40888" align="aligncenter" width="524"]tabela-benedicto-1024x643 CLIQUE PARA AMPLIAR[/caption]

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de procedimento para uma apuração preliminar sobre planilhas apreendidas na Operação Lava Jato que mostram doações feitas pelo grupo Odebrecht a cerca de 300 políticos com e sem foro privilegiado de diversos partidos. O clã Garotinho faz parte da lista, com doações para a prefeita Rosinha, o ex-governador Anthony Garotinho e a deputada Clarissa. Da região, também estão na lista o prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB) e Sabino, de Rio das Ostras (aqui).

Agora, o material será analisado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que decidirá se pede ou não a abertura de inquéritos sobre políticos mencionados na lista.

Os documentos foram apreendidos na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Junior, que foi preso na 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé. O principal alvo dessa fase foi o marqueteiro João Santana, que trabalhou para o PT, e a mulher dele e sócia, Mônica Moura.

O ministro seguiu parecer de Rodrigo Janot, que entendeu que não houve investigação de pessoas com foro privilegiado nas duas fases da operação. Para o procurador-geral, as planilhas foram encontradas de modo "fortuito".

Janot chamou as planilhas de "Lista Noboa" e afirmou que mostraram "pagamento de vultuosos valores a diversos políticos". Na avaliação do chefe do Ministério Público, a lista está desconectada das investigações das duas fases da Lava Jato.

Fonte: G1

Atualização às 16h25: 

Mas será o Benedito? - Benedicto Barbosa da Silva Júnior, presidente da Odebrecht preso na 23ª fase  da operação Lava Jato, batizada de “Acarajé”, que guardava as planilhas em sua casa, assinou com a prefeita Rosinha Garotinho o contrato da primeira etapa do programa “Morar Feliz”, em 1º de outubro de 2009, para a construção de 5,1 mil casas, no valor total de R$ 357,4 milhões — numa licitação cujo resultado favorável a Odebrecht foi antecipado (aqui) pela coluna “Ponto final”, da Folha da Manhã, em quase quatro meses. Saiba mais: aqui 

R$ 1 milhão da Odebrecht e “laranjas” - No caso de Garotinho (aqui), não consta nos registros do TSE nenhuma doação feita pela Odebrecht em 2010, quando disputou o governo estadual. Mas uma planilha apreendida na casa de Benedicto revelou uma doação de R$ 1 milhão da empreiteira ao político no dia 1º de setembro de 2010. Por coincidência, no mesmo dia, o TSE registrou duas doações com mesmo valor conjunto (R$ 1 milhão) ao diretório estadual do PR presidido por Garotinho: a Leyroz entrou com R$ 800 mil, cabendo R$ 200 mil a Praiamar. As duas empresas atuam na distribuição de bebidas e vem sendo apontadas na mídia nacional (aqui) como “laranjas” para os repasses da Odebrecht a políticos.

"Veja" fala em "bônus" de R$ 1 milhão - Nos casos de Rosinha (aqui) e Clarissa (aqui), não há em 2012 nenhuma doação direta da Odebrecht às duas, só ao PR e ao DEM, mas com valores diferentes. A revista “Veja” classificou os repasses como “bônus” e afirmou (aqui) que Rosinha recebeu R$ 1 milhão. Como o valor na planilha é registrado em 1.000, baseado na mesma aritmética, Clarissa, que aparece com 500, teria recebido R$ 500 mil.

"Tudo isso era propina" - A ex-secretária da Odebrecht, Conceição Andrade, afirmou, em entrevista ao Fantástico, que o pagamento de propina é uma prática antiga na empresa. Ela afirma que trabalhou no departamento financeiro da empresa por 11 anos e que guardou uma lista de 500 nomes de políticos e empresários, que recebiam propina desde a década de 80. Sobre os pagamentos aos políticos, ela afirmou: “Tudo isso era propina. Tudo que tem dentro, toda essa relação que existe nessa lista foi pagamento de propina, de caixa dois”, disse.

Informações negadas - Na Câmara de Campos, a oposição tentou buscar informações sobre o contrato da Odebrecht em Campos, mas o requerimento foi atropelado pelo "rolo compressor" da prefeita Rosinha (aqui).

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Estratégia perfeita
22/01/2017 | 15h00
amigos para sempre

Se a "venda do futuro" entrou no balcão de negócios do impeachment (aqui), os rosáceos precisam torcer contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Ou então, será preciso correr para concretizar a operação antes que a presidente seja afastada.

Porém, nos bastidores, um aliado do grupo rosáceo diz que, mesmo com a saída de Dilma, "tá tudo dominado". Ele lembra que o deputado federal Paulo Feijó (PR) ganhou pontos com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) ao votar favorável ao impeachment da presidente Dilma.

Ou seja, se der ruim pra Dilma, a salvação dos rosáceos não será Garotinho, mas sim Feijózinho, como é carinhosamente chamado pelos amigos.

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Garantidos
22/01/2017 | 15h00

rafael-e-caio-400x400

Após especulações sobre um namoro do secretário de Governo Anthony Garotinho com o PDT, o presidente nacional do partido garantiu que o nome do partido na disputa pela Prefeitura de Campos é o jovem Caio Vianna. Veja no Blog Opiniões (aqui).

Outro prefeitável garantido na disputa é o vereador Rafael Diniz. Presidente estadual do PPS, o deputado Comte Bittencourt já reforçou por diversas vezes a pré-candidatura do jovem vereador, afastando qualquer possibilidade de articulação "por cima".

Apostas dos seus partidos na eleição deste ano, Caio e Rafael se encontraram recentemente e conversaram sobre as eleições deste ano. Apesar da idade, os dois garantem que “a maturidade tem que prevalecer (...) Campos é maior do que desejos pessoais” (aqui).

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Dilma comprou votos do PR por R$ 50,5 milhões?
22/01/2017 | 15h00
Nota publicada pelo site "O Antagonista" (aqui): [caption id="attachment_40864" align="aligncenter" width="757"]Reprodução/ O Antagonista Reprodução/ O Antagonista[/caption]  

Na reta final para a votação do impeachment na Câmara, as articulações do ex-governador Anthony Garotinho (PR) em Brasília foram acompanhadas de perto pela mídia nacional. Inclusive, antes mesmo da deputada Clarissa Garotinho (PR) anunciar dua licença de 120 dias, o jornalista Lauro Jardim publicou nota em seu blog, no último dia 13, revelando que o ex-governador Anthony Garotinho almoçou em Brasília com deputados petistas. "O PT tenta que Garotinho influencie o voto da filha, Clarissa, seja contra o impeachment, seja pela simples falta no domingo". Na ocasião Clarissa disse que não mudaria de opinião (aqui).

No dia 14 o site "O Antagonista" publicou nota revelando que a presidente Dilma Rousseff (PT) estaria tentando aliciar Garotinho (aqui).

Na madrugada (15 de abril), o jornalista Ricardo Noblat anunciou a licença de Clarissa Garotinho e disse que "sabe-se lá com quem, ontem (14), o ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho, conversou no Palácio do Planalto… E sobre o que ele tratou”.

Para completar, logo após a votação uma matéria publicada pelo "Extra" informou que a "venda do futuro" fez parte do "balcão de negócios" do impeachment (aqui).

A meta do líder rosáceo é "antecipar R$ 1 bilhão, comprometendo o futuro do município até 2031.

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Mulher de marqueteiro do PT diz que Mantega intermediou caixa 2
22/01/2017 | 15h00

mulher do marqueteiro

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES, Guido Mantega, intermediou o pagamento de caixa 2 para a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff em 2014, segundo a mulher do marqueteiro João Santana, Monica Moura. Em relato a procuradores federais de Brasília para tentar fechar acordo de colaboração premiada, Monica contou que Mantega se reuniu com ela e indicou, mais de uma vez, executivos de empresas que deveriam ser procurados para ela receber contribuições em dinheiro, que não passaram por contas oficiais do PT e, por isso, não foram declaradas à Justiça Eleitoral. Mantega reconhece ter se encontrado com Mônica, mas nega a acusação. O coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff, Flávio Caetano, negou ter havido caixa 2 na campanha pela reeleição da presidente e também que Mantega tenha solicitado a empresários valores para campanha.

A mulher de João Santana também revelou que na disputa de 2014, pelo menos R$ 10 milhões teriam sido pagos a ela e a João Santana fora da contabilidade oficial. E mais: pagamentos via caixa 2 não teriam sido prática exclusiva da última eleição: ocorreram nas campanhas presidenciais pela eleição de Dilma (2010), e pela reeleição de Lula (2006), além das campanhas municipais de Fernando Haddad (2012), Marta Suplicy (2008) e Gleisi Hoffmann (2008).

Fonte: O Globo (aqui).
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Pezão termina hoje 2º ciclo do tratamento
22/01/2017 | 15h00
pezao Do blog do Ancelmo:

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) raspou a cabeça, ontem (19), antecipando a queda de cabelos provocada pelo tratamento contra o câncer. Estava, como sempre, bem-humorado: “Perdi uns fios de cabelo na cabeça, mas não a disposição de trabalhar. Estou doido para voltar ao batente!”

Hoje, o governador termina, no Centro de Tratamento Oncológico, do médico Daniel Tabak, em Botafogo, o segundo de uma série de seis a oito ciclos de tratamento do câncer. Fé!

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Prime recebe mais R$ 947,5 mil por aluguel de ambulâncias
22/01/2017 | 15h00

A empresa Prime recebeu, na última segunda-feira (18), mais R$ 947,5 mil por locação de ambulância para a Prefeitura de Campos.

A Prime Administração e Serviços teve seu contrato prorrogado no final de fevereiro. Valor: R$ 13,6 milhões.

Mais de R$ 100 milhões – Durante as suas duas gestões a prefeita Rosinha Garotinho (PR) gastou mais de R$ 100 milhões com aluguel de ambulâncias.

Com este valor não seria possível ter adquirido uma frota moderna?

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Lava Jato em Campos: Marcão não desistiu da CPI
22/01/2017 | 15h00

marcao

O vereador Marcão (Rede) voltou a comentar nesta terça-feira sobre a inclusão do clã Garotinho nas planilhadas apreendidas durante a operação Lava Jato. "A luta pela CPI continua e já contamos com assinaturas de parlamentares. Precisamos de informações sobre o contrato bilionário da Odebrecht em Campos. Já que os aliados do governo negaram o nosso requerimento, o próximo passo é buscar a CPI", disse Marcão.

Segundo Marcão, parlamentares rosáceos estariam aguardando um sinal verde do vereador Mauro Silva (PSDB). "Muitos dizem que esperam o vereador Mauro Silva, líder do governo na Câmara, liberar para que eles possam assinar", comentou.

Porém, segundo Mauro Silva, não existe essa história de esperar pelo seu ok. "Trata-se de mais uma tentativa de municipalizar o debate nacional. O vereador ainda quer usar o meu nome. Isso não faz o mínimo sentido", disse Mauro.

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Cofre aberto: R$ 20 mil com passagens aéreas e R$ 44,5 mil por aluguel de telão
22/01/2017 | 15h00

voar-voar

Em busca da terceira “venda do futuro” e com estado de emergência decretado, o grupo rosáceo precisa voar para acelerar as negociações. Talvez por isso, os gastos com passagens áreas aparacem com frequência no relatório de pagamentos da Prefeitura.

Na última sexta-feira (15) a empresa L.M Viagens e Turismo recebeu mais R$ 20  mil. Em março o gasto foi de R$ 16,5 mil e, em fevereiro, Rosinha gastou R$ 42 mil com passagens.

A informação está disponível no Portal da Transparência, que não detalha o destino nem quem utilizou as passagens.

Nos últimos três anos o governo Rosinha gastou mais de R$ 1,4 milhão com passagens aéreas: aqui. A Prefeitura também pagou R$ 44,5 mil por locação e montagem de telão.
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Alexandre Bastos

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