Corpo da professora e escritora Marluce Guimarães Silva é sepultado em Campos
O corpo da escritora e professora de História Marluce Guimarães Silva foi sepultado na tarde desta terça-feira (27), no Cemitério Campo da Paz, em Campos. Ela estava internada na Santa Casa de Misericórdia de Campos e, segundo familiares, foi vítima de um infarto nesta madrugada, aos 90 anos. Familiares, amigos e ex-alunos prestaram as últimas homenagens.
Marluce trabalhou por anos no Liceu de Humanidade de Campos e na antiga Faculdade de Filosofia de Campos (Fafic), atual Centro Universitário Fluminense (Uniflu), além de escrever o livro "Gente da Terra – Estudo sobre o município de Campos", voltado para crianças sobre a história da planície goitacá.
No velório, a professora Jussara Ribeiro, ex-colega de trabalho e amiga, falou sobre Marluce.
“Ela nos ensinou que a espiritualidade é algo que nasce com a gente, mas que também cada um de nós deve cultivar, fazer florescer com ações, ideias, posturas e, principalmente, gestos de fraternidade. Ela é tudo isso e muito mais, mas a emoção que nos pega neste momento nos impede de ofertar a ela as palavras generosas que realmente retratem tudo aquilo que ela representa para nós. O que temos a dizer é que ela vai, mas também fica. Ela fica em cada um de nós, em nossas lembranças e corações. O que vamos entregar a ela é a nossa saudade e o que ela deixa são lembranças de doces momentos compartilhados”, disse.
Luciana Assad, sobrinha de Marluce, falou que uma das missões de sua vida foi levar alegria a quem estava por perto.
“Ela sempre falou que uma das missões dela, que o meu avô, pai dela, ensinou era para dar alegria aos outros. Em qualquer cenário que tivesse, ela procurava alguma coisa bonita para destacar. Podia estar no meio do pântano, mas no meio de alguma coisa desorganizada ela sempre via alguma coisa boa ali. Sempre com muita esperança e trazendo muita alegria para todo mundo. Acho que alegria é uma grande palavra que permeou a vida dela toda", falou.
A professora Odisséia de Carvalho foi aluna de Marluce na Faculdade de Filosofia de Campos e conta que utilizou seu livro "Gente da Terra – Estudo sobre o município de Campos" em suas aulas.
“Eu tive a oportunidade de trabalhar com o livro Gente da Terra. A Marluce era uma pessoa encantadora, que fez das suas lutas, dos seus lutos, aliás, uma luta pela vida. Uma perda muito séria e penosa da filha num acidente de carro, depois teve a luta com seu próprio marido, com a doença do Alzheimer, e ela sempre sorridente com a vida. Então essa é a imagem que a gente vai levar sempre da professora Marluce Guimarães, uma pessoa que sempre lutou pela educação pública de qualidade e sempre com amor e muito carinho por todos nós. Então é essa a imagem que a gente vai levar sempre dela”, disse Odisséia.
Pela manhã, assim que soube do falecimento, Diva Abreu Barbosa, diretora-presidente do Grupo Folha, empresária e professora de história, comentou sobre sua relação com Marluce. Amiga de longa data da professora, Diva contou que começou como sua aluna na antiga Fafic e depois trabalharam juntas em prol da cultura do município.
“Marluce era única. Uma pessoa de personalidade muito marcante. Ela era brilhante, uma pessoa alegre e feliz. Eu fico emocionada ao falar de Marluce. É lamentável, mas a gente tem que procurar entender e aceitar. Tenho certeza que em outro plano ela está muito bem, porque era uma alma muito forte. Ela se entregava à vida. Soube ser digna com a vida em todo sentido, na parte cultural e na parte pessoal. Eu só tenho que dizer, Marluce, saudade”, destacou.