Projetos de usinas termelétricas ampliados
Dora Paula Paes - Atualizado em 10/10/2026 09:05
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O Norte Fluminense avança na formação de um dos principais corredores de geração de energia a gás natural do país. Em São Francisco de Itabapoana, duas novas usinas termelétricas receberam autorização do Ministério de Minas e Energia (MME) para implantação, com investimentos que ultrapassam R$ 1 bilhão e capacidade instalada conjunta de aproximadamente 354 MW.
Uma delas é a UTE Porto Norte Fluminense II B. A previsão é que seja instalado no distrito de Buena, às margens da RJ-196. O empreendimento, de responsabilidade da PE Eneva Norte Fluminense S.A., terá capacidade instalada de 291,35 MW e investimento estimado em R$ 835,67 milhões. A autorização prevê prazo de 35 anos para exploração da usina e estabelece que a operação comercial deverá começar até 1º de agosto de 2031.
A segunda unidade, a UTE Porto Norte Fluminense I D, de acordo com a autorização do governo federal, será implantada na mesma região, com capacidade instalada de 62,3 MW e investimento estimado em R$ 178,7 milhões. O projeto inclui ainda uma estrutura própria de transmissão, com subestação elevadora e uma linha de aproximadamente 60 quilômetros até a subestação Campos 2, da Neoenergia. A previsão é que a operação comercial tenha início até outubro de 2028.
Os dois empreendimentos foram autorizados no âmbito do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência, realizado em março deste ano. A expansão se soma a um conjunto de grandes termelétricas já instaladas em Macaé e São João da Barra.

Um novo mapa

A expansão da geração termelétrica coloca o Norte Fluminense diante de uma transformação na sua matriz energética. A região já concentra grandes usinas em Macaé, município tradicionalmente ligado à cadeia de petróleo e gás, e no Porto do Açu, em São João da Barra, onde a GNA opera duas grandes termelétricas.
No Açu, as usinas GNA I e GNA II somam cerca de 3 GW de capacidade instalada. A GNA II, com aproximadamente 1,67 GW, é apontada pelo BNDES como a maior termelétrica a gás natural do Brasil.
Em São Francisco de Itabapoana, a expansão ganha uma nova dimensão com os projetos do complexo Porto Norte Fluminense. A região de Buena aparece como área estratégica para a instalação de novas unidades de geração, aproximando ainda mais os municípios do Norte Fluminense de um corredor que reúne gás natural, geração elétrica, infraestrutura de transmissão e logística.
As térmicas em Macaé e São João da Barra estão no Sistema Interligado Nacional.
Já Macaé concentra três: Mário Lago, Norte Fluminense e Marlim Azul. A própria Prefeitura de Macaé confirma as três em operação. A Marlim Azul tem 565 MW e foi inaugurada em 2023, utilizando gás natural do pré-sal.
Mas os avanços na área do petróleo e gás no município são pensados além. As ações, no município, se concentram na instalação terrestre do Gasoduto Raia que avança em 2026.
O projeto integra o Novo Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) do Governo Federal e é operado pela Equinor (35%), em parceria com a Repsol Sinopec (35%) e a Petrobras (30%).
Divulgação Macaé
Já a parte marítima do Gasoduto Raia terá cerca de 200 km de extensão, ligando a Floating Production Storage and Offloading (FPSO) à malha de transporte de gás próxima à Cabiúnas, em Macaé. O ativo tem capacidade para escoar 16 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
A previsão é de quando entrar em operação, em 2028, é de que a Raia terá potencial para suprir 15% da demanda estimada de gás natural no Brasil.
Toda essa movimentação reforça uma característica histórica da região: a proximidade com grandes reservas e estruturas da cadeia de petróleo e gás e, mais recentemente, com novos investimentos em infraestrutura energética.
Ao mesmo tempo, o cenário já permite identificar uma mudança no mapa energético regional: Macaé, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana passam a concentrar um conjunto cada vez mais expressivo de projetos de geração termelétrica a gás natural.
Prefeito Welberth Rezende de Macaé
Prefeito Welberth Rezende de Macaé / Divulgação Macaé


Macaé segue com pauta na área energética

Na 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio, lançado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan/Senai/Sesi), em setembro deste ano, em sua sede Macaé, a questão energética também foi pauta.
O prefeito Welberth Rezende e o secretário Executivo de Políticas Energéticas de Macaé, Rodrigo Vianna, enfatizaram a relevância da criação de um ambiente de negócios.
O analista da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Carlos Augusto Pacheco, também apresentou a posição da região na geopolítica energética.
“O Norte Fluminense está no centro da geopolítica energética, com várias oportunidades de reconfigurar ativos energéticos (...) O Brasil é também destaque internacional em biocombustíveis. No mundo, estamos na vanguarda da transição energética. Isso não impede que aproveitemos todo o potencial do óleo e gás, para que gere a renda que propicie esta transformação, garantindo segurança no abastecimento, mantendo a segurança ambiental e equidade de acesso à energia”, informou.
Na abertura do evento, o prefeito Welberth destacou que o documento retrata o momento econômico positivo e avanços em Macaé. Ele informou que a produção local prevista para este ano é de 400 mil barris e que a perspectiva de produção da Petrobras para os próximos cinco anos é de um milhão de barris.
O documento aponta para a relevância do Brasil e do Rio de Janeiro como fornecedores seguros de petróleo e gás para o mundo.
O Anuário reúne análises e perspectivas de instituições públicas, empresas, associações e especialistas sobre os desafios e oportunidades que devem moldar o futuro da indústria de petróleo, gás natural e energia nos próximos anos. Nesta edição, além das análises apresentadas pela equipe técnica da Firjan, a Rystad Energy, EPE, Casa Civil da Presidência da República, PPSA, Siemens Energy, ABPIP, Veirano Advogados, Petrobras e ONIP contribuíram com conteúdo.

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