A transição energética está longe de representar apenas a substituição de fontes tradicionais por energias renováveis. O cenário que se desenha para os próximos anos envolve a combinação de diferentes fontes, novas tecnologias, maior eficiência, redução de emissões e investimentos que também passam por petróleo, gás e outras fontes não renováveis.
A avaliação é do gerente de Cenários de Petróleo, Gás e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Sávio Bueno. Segundo ele, o processo em curso é mais amplo e envolve a diversificação e a integração de fontes, tecnologias e competências.
“A Transição Energética não é simplesmente uma substituição de fontes. Trata-se de um processo muito mais abrangente, cuja evolução compreende a diversificação e a integração de fontes, de tecnologias e de competências, com adição de energia, aumento da eficiência e redução de emissões”, explica.
Mercado de trabalho - A perspectiva também aponta para uma transformação no mercado de trabalho. A expansão de projetos relacionados à energia deverá aumentar a procura por profissionais de diferentes níveis de formação, desde trabalhadores técnicos até pesquisadores e especialistas em áreas como engenharia, tecnologia, regulação, logística, segurança e tributação.
Para Bueno, a formação profissional precisa considerar as características e as vocações de cada região. A proposta é preparar trabalhadores locais para atuar nos projetos que utilizem o potencial energético existente em seus territórios, transformando esses recursos em oportunidades de emprego, desenvolvimento e geração de receitas.
No nível técnico, entre as formações que poderão ser mais demandadas estão eletricistas, eletrotécnicos, técnicos em energias renováveis, segurança operacional e sistemas de redes de distribuição de energia. Já no ensino superior, devem ganhar espaço profissionais ligados às engenharias, Ciência de Dados, Computação e pesquisa e desenvolvimento de novas soluções, processos mais limpos e eficiência energética. A demanda, no entanto, não ficará restrita às áreas diretamente ligadas à tecnologia. O setor energético também movimenta profissionais de logística, mercado, regulação, normatização, saúde, qualidade e segurança do trabalho.
Petróleo ainda tem um papel relevante
Mesmo com a expansão das fontes renováveis, o petróleo continuará integrado ao cenário energético e à demanda por mão de obra.
De acordo com Bueno, dados do Anuário do Petróleo no Rio 2026, da Firjan, apontam crescimento esperado no número de profissionais necessários em toda a cadeia de valor do setor no Estado do Rio de Janeiro.
Uma parte dessa demanda estará relacionada à cons-trução e à entrada em ope-ração de novas plataformas do tipo FPSO. Durante a construção e integração dos módulos, por exemplo, são necessários soldadores, eletricistas, técnicos de cons-trução naval e profissionais de automação. Na etapa de operação, podem ganhar espaço técnicos de rede, manutenção e química.
Aposta na formação - Ao mesmo tempo, novas ocupações começam a surgir ou a ganhar espaço, como a de técnico em energias renováveis.
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Mão de obra: Norte Fluminense no radar
No Norte Fluminense, a diversificação da matriz energética já aparece associada a novos projetos. No complexo do Açu, em São João da Barra, estão previstos empreendimentos relacionados a diferentes segmentos, entre eles um hub de hidrogênio, uma planta solar e uma fazenda eólica offshore.
A expectativa, segundo Bueno, é de que o avanço desses projetos aumente a demanda por trabalhadores tanto durante a fase de construção quanto posteriormente, na operação das estruturas.
“A expectativa é que nos próximos anos se avance na construção dessas capacidades, ampliando a demanda por novos trabalhadores, que estarão presentes no momento da construção e no futuro da operação”, ressalta.
A formação dessa mão de obra, segundo a Firjan, precisa acompanhar as necessidades de cada território. No Rio de Janeiro, o Firjan SENAI trabalha com uma abordagem regional, considerando as vocações econômicas locais e promovendo atualizações curriculares a partir da escuta da indústria sobre as competências necessárias.
A lógica acompanha uma mudança mais ampla no setor energético: a transição passa a ser vista não apenas como uma questão ambiental ou tecnológica, mas também como uma oportunidade de desenvolvimento econômico e social.
Para Sávio Bueno, garantir acesso à energia de forma economicamente acessível, segura e contínua, ao mesmo tempo em que são reduzidos os impactos ambientais e aproveitados os potenciais regionais, é parte fundamental de uma transição energética justa.
Nesse cenário, diferentes fontes de energia continuam tendo espaço e funções distintas, enquanto novas tecnologias e competências passam a integrar uma cadeia que deverá exigir profissionais cada vez mais preparados para atuar em um setor marcado pela combinação entre energia, indústria, tecnologia e sustentabilidade.