Há um ditado em Campos dos Goytacazes de que quem bebe da água do Rio Paraíba do Sul se estabelece no município. Seja em Guarus ou na Baixada da Égua, tem campista, de nascença ou de coração, da praia do Farol de São Thomé, passando por Lagoa de Cima até às cachoeiras da região do Imbé, de Serrinha a Santo Eduardo, no Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis, Sul do Brasil e até no exterior.
O campista sai de Campos, mas Campos não sai dele. Muitos têm uma visão crítica desta intrépida cidade com tantos e complexos problemas ainda a serem dirimidos. Outros a consideram Formosa. Basta olhá-la do alto e ver o espelho d’água do Paraíba — olha aí de novo ele, vigiado pelo jacaré Ururau e sua longa cauda. Um privilégio ser cortado por um rio antes deveras caudaloso e ora tranquilo.
E é com objetivo de retratar esta Campos de ontem, hoje e amanhã, que a editora Campista lançou a antologia CrôniCampos, a receber textos sobre Campos dos Goytacazes em formato de minicontos, crônicas e poemas. Os escritos devem ter de 200 a 500 palavras. A taxa de participação é de R$ 50, que dá direito a um exemplar do livro impresso com o texto do autor. Os trabalhos podem ser enviados para [email protected] até 25/10/2026, mesmo prazo para o pagamento.
Divulgação
O organizador Wesley Machado conta que a ideia da antologia CrôniCampos surgiu de um sonho.
— Acordei com este nome CrôniCampos na cabeça. A princípio havia pensado em publicar só crônicas nesta antologia. Acabamos recebendo uma demanda de poemas também. E aqui quero agradecer ao Aluysio Abreu por ter pautado a divulgação e à Dora Paes pela matéria no nosso querido jornal Folha da Manhã, onde tive a honra de estagiar como fotógrafo. Devido ao alcance da Folha, a matéria teve grande repercussão. E, diante do sucesso da nova empreitada, agora abri espaço no livro para minicontos e artigos opinativos de até 500 palavras, que dá aproximadamente uma página — informa.
Campos tem tradição em cronistas do cotidiano. É rico o número de escritores que, em alguns momentos de sua vida, versaram sobre os campos goytacás, dentre os quais José Cândido de Carvalho, Waldir de Carvalho e sua filha Walnize Carvalho, Hervê Salgado e sua filha Silvia Salgado, Luiz de Gonzaga Balbi e seu filho Aloysio Balbi, Walter Siqueira, Hélvio Santafé, Vilmar Rangel, Péris Ribeiro, Fernando da Silveira, Winston Churchill Rangel, José Cunha, Orávio de Campos, Herbson Freitas, Avelino Ferreira, Paulo Renato Porto, Luiz Cândido Tinoco, José Gurgel, Aristides Soffiati, Sérgio Arruda, Márcio de Aquino, Vitor Menezes, João Ventura, Ronaldo Júnior, Elaine Garcia entre outros que escreveram e ainda escrevem para a imprensa campista ou nas redes sociais, sendo que alguns deles publicaram em livros.
Segundo Wesley, a editora Campista já tem recebido alguns textos, inclusive de nomes tarimbados, que ainda não podem ser revelados. Porém ele considera uma antologia uma oportunidade para os que desejam iniciar na literatura.
— Agora em outubro eu vou fazer 30 anos que iniciei a escrita de crônicas, na época para o jornal Fala Galera, da ETFC. Mas eu só fui ser publicado em livro aos 30 anos, quando participei de uma coletânea sobre o Botafogo. Acabei me especializando em livros de futebol e sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras do Futebol. Além dos sete livros solos que lancei, me virando nos 30, participei até hoje de 17 coletâneas, três delas organizadas por mim ao longo deste tempo desde que me tornei escritor e, há quatro anos, editor de livros — afirma.
O editor explica que a diferença da coletânea para a antologia é que no segundo caso são aceitos textos já publicados em outros veículos.
— Escrever é uma arte. Não é fácil partir do papel ou da tela em branco. Porém incentivo as pessoas a participarem, não só os escritores os quais podemos chamar de profissionais, por mais que poucos vivam da literatura, no entanto gostam de publicar livros. Às vezes basta uma frase para iniciarmos um texto. Depois é só nos deixar levar pelos pensamentos e burilar as palavras. E Campos tem muitas histórias para serem contadas. O livro será um registro histórico — considera.