Ação da Unesco para valorizar patrimônio histórico e geológico no interior fluminense
- Atualizado em 16/09/2026 07:48
Divulgação/Ascom Uenf
O Brasil integra a Rede Europeia de Geoparques da Unesco desde 2006, contando hoje com seis geoparques. Um deles — ainda em processo de reconhecimento pela Unesco — é o Geoparque Aspirante Costões e Lagunas (GpCL), que abrange 16 municípios da Região dos Lagos e do Norte Fluminense.
À frente da Câmara de Educação e Cultura do GpCL, está a geóloga, professora e pesquisadora do Laboratório de Engenharia Civil da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Leciv/Uenf), Maria da Glória Alves, que também coordena o projeto de extensão Caminhos Turísticos Fluminenses.
Desde o início de 2025, o GpCL está sediado na Casa de Cultura Villa Maria, da Uenf e uma série de eventos vem sendo organizandos voltados para a divulgação, conservação e valorização do patrimônio histórico e geológico da área abrangida pelo geoparque.
Segundo a geóloga da Uenf, os Geoparques Mundiais da Unesco correspondem a áreas geográficas onde sítios e paisagens de relevância geológica são administrados a partir de um conceito que reúne proteção, educação e desenvolvimento sustentável. O modelo une conservação e desenvolvimento sustentável e prevê a participação de comunidades locais no processo.
Além de presença em feiras, ao longo dos eventos do Geoparque, é comum a exposição de minerais como moscovita, pirita, biotita, diamante, quartzo, feldspato, ametista e monazita, entre outros. Também são usadas rochas como granito, gnaisse, charnoquito, leptinito, e os estromatólitos da Lagoa Salgada, como ponto de partida para explicar a geodiversidade e a biodiversidade da região.
Território de 2 bilhões de anos - A proposta de criação do GpCL está em discussão desde 2010 e ganhou contornos definitivos em 2011, quando uma série de reuniões públicas com prefeituras, órgãos estaduais e federais, ONGs e moradores definiu o perímetro do território: uma faixa litorânea que vai de Maricá a São Francisco de Itabapoana, reunindo 16 municípios, mais de 1,8 milhão de habitantes e cerca de 15% de área protegida por unidades de conservação.
A região reúne uma evolução geológica de mais de 2 bilhões de anos, que vai de afloramentos rochosos e formações costeiras a lagunas hipersalinas como a Lagoa Salgada, onde a ação de bactérias produz estromatólitos e dolomita recentes — verdadeiros laboratórios naturais de interesse internacional.
Ao patrimônio geológico soma-se um patrimônio histórico e cultural expressivo: sítios arqueológicos, vestígios das primeiras povoações do país, a passagem de naturalistas como Charles Darwin pela região, salinas em operação desde o século 19, faróis e histórias de naufrágios. Esse cruzamento entre rochas, paisagens e memória é o que sustenta boa parte das ações de educação e divulgação científica coordenadas por Maria da Glória.
O conceito de geoparque nasceu na Europa em 1996, quando pesquisadores reunidos no Congresso Internacional de Geologia, em Pequim, concluíram que a proteção do patrimônio geológico só seria sustentável com o envolvimento direto das comunidades locais. Da ideia surgiu, em 2004, a Rede Europeia de Geoparques, incorporada pela Unesco em 2015 como Rede Global de Geoparques — hoje presente em dezenas de países.
Em ação - Em maio deste ano, Maria da Glória ministrou palestra no 1º Encontro de Turismo Religioso da Costa Doce para discutir o desenvolvimento da economia da região a partir desse segmento.
As ações também chegaram à própria Uenf em 14 de agosto deste ano. O projeto de extensão Caminhos Turísticos Fluminense apresentou pesquisas voltadas à sociedade durante a Feira de Ciências em comemoração aos 33 anos da universidade.
Com informações Secom-Uenf. 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS