Seis dias após incêndio, boxes do camelódromo continuam fechados
Seis dias após o incêndio que atingiu o Shopping Popular Michel Haddad, o camelódromo do Centro de Campos, os boxes afetados permanecem fechados. O fogo, que provocou prejuízos aos comerciantes, mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros no último dia 10. A administração do camelô informou, nessa terça-feira (15), que aguarda as informações dos órgãos técnicos competentes para qualquer conclusão sobre o que provocou o incêndio.
Diretamente, três lojas foram atingidas diretamente pelas chamas: uma de calçados, uma de acessórios de celular e uma de óculos. Além das mercadorias, a estrutura dos boxes também sofreu danos. Até o momento, a informação é de que as chamas teriam iniciado na banca de celular e se espalhado para a de calçados e a de óculos.
Na segunda-feira (14), a reportagem da Folha esteve no local e encontrou os boxes atingidos ainda fechados. Nenhum proprietário das lojas estava no camelô nesse momento. Nas imagens registradas é possível ver que o interior dos boxes permanece com marcas do incêndio no chão, enquanto novas placas de exposição de mercadorias estão no espaço de um deles, porém sem instalação ainda. Há ainda a presença de estruturas de metal no interior de um box.
Já na parte externa, em frente à banca de óculos atingida, resíduos e materiais danificados pelo fogo ainda permanecem na calçada próximos à entrada do camelódromo.
A Folha entrou em contato com a Prefeitura de Campos e com o Corpo de Bombeiros para saber sobre atualização sobre o ocorrido.
Em nota enviada na terça, a Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos (Codemca), quem administra o camelódromo, informou que segue acompanhando o caso e apurando as circunstâncias do incêndio ocorrido no local.
"Neste momento, as avaliações ainda estão em andamento e a Companhia aguarda as informações dos órgãos técnicos competentes para qualquer conclusão sobre as causas da ocorrência. Também prossegue o levantamento dos permissionários atingidos e dos danos registrados no local. Assim que houver novas informações, elas serão divulgadas oficialmente", disse a nota.
Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno do Corpo de Bombeiros.
O comerciante Ary Manhães é dono de um box de assistência técnica de celular e contou como soube do incêndio no dia. Ainda segundo ele, ao chegar ao camelódromo, ficou aliviado ao perceber que o fogo não havia atingido seu box, mas ficou preocupado com os colegas que foram atingidos e tiveram grandes prejuízos.
“No vídeo que eu vi, tinha fumaça saindo dos dois lados do camelô, então parecia que a proporção do fogo era muito maior. Fiquei aliviado quando vi que minha banca não tinha sido atingida, mas fiquei triste com a situação dos nossos amigos. Eles perderam muita coisa e o prejuízo foi grande. É algo que levou muito tempo para conquistar, para conquistar seu espaço, para ter uma loja grande, muito investimento, muito trabalho duro”, relatou Ary.
Apesar de não ter tido o box atingido no dia, o comerciante afirma que o incêndio afetou o movimento no local. “De certa forma atrapalhou, porque com tudo isso as pessoas evitaram de vir aqui [...] Dá pra perceber que tem muita banca fechada”, disse.
Em relação à segurança no local para trabalhar, Ary afirma que considera necessária a presença de um bombeiro no local durante dia e noite, além de mais segurança para os comerciantes.
No dia do ocorrido, equipes do Corpo de Bombeiros, Codemca, Superintendência de Limpeza Pública e Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública atuaram no atendimento.
Corpo de Bombeiros aponta irregularidade no sistema preventivo
Em contato com a Folha, o Corpo de Bombeiros havia informado que uma vistoria tinha sido realizada no empreendimento no dia 20 de janeiro deste ano, quando teriam sido identificadas irregularidades nos sistemas preventivos contra incêndio e as situações constatadas foram registradas em notificação, entregue ao responsável pela administração do local.
"Entre as irregularidades apontadas estavam sprinklers defeituosos; ausência de mangueiras de incêndio e necessidade de novos testes nas já existentes; falta de esguichos e chaves de mangueira; necessidade de manutenção dos alarmes de incêndio; ausência ou necessidade de manutenção de luminárias de emergência; e de recarga dos extintores", informou a corporação.
Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, o empreendimento possui Certificado de Aprovação válido até o dia 23 de novembro de 2027 e destacou que o sistema preventivo existente no local não funcionou durante o incêndio desta quinta-feira, como havia sido relatado também pelos comerciantes que estavam no momento do ocorrido.
O CBMERJ ressaltou ainda que, conforme estabelece o Decreto Estadual nº 42/2018, cabe aos responsáveis pela edificação a instalação e a manutenção dos sistemas de segurança contra incêndio.
Em contato com a Codemca após a informação do Corpo de Bombeiros sobre as irregularidades no empreendimento, a companhia respondeu que estava apurando as causas do incêndio.
"As circunstâncias e as causas do incêndio estão sendo apuradas. Neste momento, não é possível antecipar conclusões antes da realização da perícia e emissão dos respectivos laudos", disse a nota.