Primeiro ano da segurança pública com Witzel
- Atualizado em 19/01/2020 08:43
 Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil
Com e eleição de Wilson Witzel para governador havia muita expectativa com relação a suas ações, principalmente na área da segurança pública. Enquanto candidato, por diversas vezes afirmou que teria na política do confronto a base do seu projeto de segurança pública. Ficou famosa a frase em que afirmou que policiais deveriam “mirar na cabecinha” dos criminosos que estivessem portando armas de fogo. Porém, passado o primeiro ano de governo, o que deve ser analisado são os resultados, deixando um pouco de lado as bravatas, que foram muitas.
É verdade que a política de confrontos foi intensificada desde o início do governo. Em outubro já eram contabilizadas 1546 mortes por intervenção policial, e sem os números dos meses de novembro e dezembro já tinha disso superado o total de mortes de todo o ano de 2018, que foram 1534. E não somente isso, desde o início da série histórica em 1998, nunca a polícia matou tanto no Rio de Janeiro.
Mas se de um lado era cumprida a promessa de campanha de sustentar e ampliar a política de confrontos, também é verdade que outros números da polícia também aumentaram. Enquanto em 2018 foram efetuadas 28.002 prisões, em 2019 foram 35.258, um aumento de 25%, e esse aumento também ocorreu no número de crianças e adolescentes infratores apreendidos. Se em 2018 foram 5.244, em 2019 foram 5907, tendo um aumento de 12%.
Também impressiona o aumento na apreensão de armas de fogo, com especial destaque ao número de fuzis apreendidos. Em 2019 foram apreendidas 8.379 armas de fogo frente a 7.314 do ano anterior, sendo que o número de fuzis apreendidos saltou de 317 para 505, em um aumento de 59%.
Temos então o seguinte retrato desse primeiro ano de governo. A polícia matou como nunca, mas também prendeu mais, apreendeu mais armas e também tirou mais armas de circulação. Não são coisas que se justificam, mas ainda é cedo para fazer uma avaliação sobre a política de segurança pública do governo do Estado. O que fica claro é que a polícia está tendo liberdade para atuar. A consequência disso tudo, saberemos em breve, para o bem ou para o mal.

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    Roberto Uchôa

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