Escolas querem desfilar
Matheus Berriel 22/12/2018 15:05 - Atualizado em 27/12/2018 17:46
Folha da Manhã
Depois de o Carnaval não ter acontecido em 2017 e 2018, os dirigentes das escolas de samba de Campos estão mais cautelosos em relação aos gastos. Na Mocidade Louca, uma das agremiações mais vitoriosas da cidade, há algumas fantasias prontas, bem como o enredo. O mesmo vale para a Madureira do Turfe. Contudo, ambas aguardam a confirmação documentada por parte da Prefeitura e da Associação de Bois Pintadinhos de Campos (Aboipic), responsáveis pela organização.
— Se realmente tiver o Carnaval, a Mocidade Louca está confirmada. O Marciano da Hora (presidente da Aboipic) ficou de fazer uma reunião, disse que está quase 90% certo de que vai ter o Carnaval. O meu enredo está pronto desde 2017. Para fazer um Carnaval desde o início, a gente precisaria de uns R$ 200 mil. Mas, não sei o que vai vir, vou ter que correr atrás dos patrocinadores. Já tenho mais ou menos 50% das coisas ensacadas, incluindo fantasias, itens de comissão de frente, adereços... Tem muita coisa guardada. Hoje, então, seriam necessários uns R$ 100 mil para colocar um Carnaval básico na avenida, só para retornar — afirmou o presidente da Mocidade Louca, Jorginho de Ogum.
Apelidada de “Campeoníssima” pelo jornalista Orávio de Campos Soares, devido à sequência de sete títulos consecutivos de 1960 a 1966, a escola do Morrinho, no Parque Rosário, deve desfilar em 2019 com o enredo “A Mocidade vai invadir o Nordeste”, assinado por uma comissão de Carnaval. Ao todo, a escola conta com 15 títulos do Grupo Especial e dois do de acesso, atrás apenas da União da Esperança, 20 vezes campeã na elite e uma no segundo grupo, e da Ururau da Lapa, dona de 18 títulos no Especial.
— Eu acho que vai ter o Carnaval, sim. Estou apostando nisso. Para o povo do Morrinho, representa o glamour da comunidade em ter um pouco de alegria perante o Carnaval, uma coisa que sempre teve em Campos. O Carnaval tem que retornar dando uma volta por cima. Se cada escola não puder colocar 10 alegorias, dá uma enxugada, faz uma coisa básica, bonita, limpa, decente. Isso vai ser um escândalo positivo — completou Jorginho.
A Madureira do Turfe, que completou 80 anos em 2018, preparou um enredo justamente em cima da data comemorativa, com Marcelo Marques como carnavalesco, trabalhando em cima do texto escrito por Kellen Gaia. Mas, há um temor por parte do presidente Marcelo Velasco, devido ao trauma dos anos anteriores.
— As agremiações estão esperando saber se realmente vai ter o Carnaval e se vai chegar a verba. Se você começa a investir e depois não tem, é complicado. A Madureira já está com dívidas dos anos em que ia ter Carnaval e não teve. Agora, estamos com a esperança pra ver se realmente vai se concretizar, com tudo documentado — disse Marcelo Velasco, que espera receber uma quantia mínima de R$ 80 mil, já considerada baixa por ele. — Se eles chegarem aos R$ 80 mil, já é alguma coisa. Às vezes, as pessoas que não conhecem acham que a gente fala isso para levar vantagem. Na verdade, é para não deixar morrer. São dois anos sem fazer. Se completar três, for para o quarto, a tendência é acabar — completou o presidente da Madureira do Turfe, campeã do Grupo A em 2009 e do Especial em 2011 e 2014.
No dia 14 deste mês, a Prefeitura publicou no Diário Oficial um chamamento público para captação de patrocínio e apoio para a realização do Carnaval. O evento ficou marcado para os dias 16 e 17 de março, no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), duas semanas após os desfiles dos grandes centros. De acordo com a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), os interessados em dar apoio devem apresentar as propostas no Teatro Municipal Trianon, de 9h às 17h, até o dia 18 de janeiro, podendo haver prorrogação do prazo.
— O objetivo é captar recursos junto a empresas públicas e privadas, oferecido, em troca, espaço para exploração publicitária da logomarca do patrocinador em todos os dias do evento, além dos locais de ensaios, nas quadras das escolas de samba, blocos de samba e bois pintadinhos. Além de promover a cultura do carnaval, queremos fomentar a integração das comunidades no preparo da festa e manter a tradição do Carnaval na cidade — informou a presidente da FCJOL, Cristina Lima.
A reportagem não conseguiu manter contato com o presidente da Aboipic, Marciano da Hora.

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