Reação por conclusão de hospital
Aldir Sales e Aluysio Abreu Barbosa 09/05/2020 09:08 - Atualizado em 22/05/2020 19:23
Hospital de campanha está sendo montado no pátio da antiga Vasa
Hospital de campanha está sendo montado no pátio da antiga Vasa / Rodrigo Silveira
A novela que se tornou a montagem do hospital de campanha do Governo do Estado em Campos ganhou novos capítulos. Inicialmente, o prazo para entrega era 30 de abril, porém, a secretaria estadual de Saúde adiou a previsão para a segunda quinzena de maio, mas sem dar uma data. Além disso, o contrato para implantação de sete unidades no Rio de Janeiro foi cercado de denúncias de irregularidades. Em um momento que a pandemia de coronavírus avança para o interior, deputados estaduais, federais e outros políticos se unem na busca de uma solução para desafogar a rede hospitalar.
O prefeito Rafael Diniz (Cidadania) destacou outras medidas adotadas no município e ressaltou a importância da unidade por Campos receber pacientes de outras cidades. “Campos já vem fazendo sua parte. Há mais de um mês, criamos o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus, decretamos medidas de isolamento social e tornamos obrigatório o uso de máscaras nas ruas. Mas também aguardamos a conclusão do hospital de campanha por parte do Governo do Estado. Entendemos que a instalação do hospital será muito importante, especialmente por Campos absorver pacientes de vários municípios da região”.
O deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) classificou a situação como preocupante e lembrou sobre dificuldades para compra de respiradores. “É preocupante essa indefinição visto que o secretário estadual e o ministro da Saúde afirmam colapso do sistema para daqui uma semana. O que se sabe é que houve uma mudança no termo de referência da contração dos hospitais, o que é muito positivo após denúncias de que o preço estava fora de qualquer realidade. Não só o Rio, como o governo federal, estão com dificuldade em receber os respiradores adquiridos”.
Colega de Wladimir na Câmara Federal, Marcão Gomes (PL) também lembrou das ações do município. “Fiz contato com o Governo do Estado, que informou que a implantação das unidades está acontecendo de forma gradativa no mês de maio, seguindo a evolução da pandemia. Mesmo que seja preocupante não contarmos ainda com um hospital de campanha em Campos, é necessário lembrar que o prefeito Rafael Diniz não esperou as medidas do Estado para implantar um Plano Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus”.
A reação política também veio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) afirmou que cobrou à secretaria da Casa Civil. “É com bastante preocupação que tomei conhecimento do atraso na entrega do hospital de campanha em Campos. Diante de tais fatos, na minha obrigação como parlamentar, dei ciência à Casa Civil e cobrei soluções para que a população seja atendida o mais breve possível”.
Líder do PSC do governador Wilson Witzel na Alerj, Bruno Dauaire também demonstrou insatisfação com a situação. “Ninguém pode ficar satisfeito com essa situação do atraso. Lamentamos que no momento mais crítico algumas empresas não cumpram os contratos dos respiradores e não queremos, de forma alguma, que se repita no interior o que já está acontecendo na rede hospitalar da capital. Vamos continuar cobrando os resultados das auditorias do Governo do Estado e, enquanto isso, o nosso remédio mais eficaz continua sendo o isolamento social”.
O deputado Gil Vianna (PSL) também falou da importância do hospital para a região. “A unidade de Campos é necessária e urgente, já que irá atender, também, diferentes municípios da região. Vejo que o Estado está trabalhando por uma atuação rápida e eficiente. Saúde não espera, mas, infelizmente, ainda nos deparamos com questões burocráticas, que dependem de outros departamentos”.
João Peixoto (DC), por sua vez, relatou que os deputados estão se esforçando para resolver a situação junto ao Governo do Estado. “Estou muito preocupado, mas entendo que não é uma culpa do Governo do Estado. Estamos vendo uma carência de respiradores e material de proteção a nível nacional. Não está faltando empenho de nós deputados da região e do Governo pra resolver essa questão o quanto antes”.
Documento aponta 55% da estrutura pronta
De acordo com o relatório do subsecretário executivo da secretaria estadual de Saúde, Iran Pires Aguiar, a montagem do hospital de campanha de Campos estava 55% concluído no dia 30 de abril, quando o documento foi assinado e anexado ao Sistema Eletrônico de Informações do Governo do Estado. Apenas as unidades de Duque de Caxias (40%) e Casimiro de Abreu (45%) estão mais atrasadas.
Inicialmente, o contrato do Governo do Estado com o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) previa a implantação de sete hospitais de campanha, com total de 1.400 leitos, ao valor máximo de R$ 835.772.409,78 por seis meses. Após readequação no final do mês passado e a exclusão de 100 leitos, o preço do contrato caiu para R$ 770.575.579,00.
O contrato prevê, ainda, que a unidade de Campos terá 100 leitos, mas não especifica quantos serão de UTI – dedicada a pacientes com casos mais graves – e quantos são para enfermaria. A secretaria de Saúde e a Iabas foram questionadas, mas não informaram até o fechamento desta edição.
O valor mensal máximo para a implantação do hospital em Campos, segundo o contato, pode chegar a R$ 9.949.671,55 (total de R$ 59.698.029,27). O hospital de campanha do Ibirapuera, em São Paulo, também tem um custo de aproximadamente R$ 10 milhões, porém, com 268 leitos.
Denúncias de irregularidades rondam o contrato dos hospitais de camapanha desde o início. De acordo com reportagem da TV Globo, há indícios de plágio nas propostas apresentadas por outras empresas.
Então subsecretário estadual de Saúde, Gabriell Neves foi afastado do cargo pelo governador Wilson Witzel, que determinou abertura de procedimentos para apurar o caso. O Ministério Público Estadual também instaurou inquérito civil e emitiu recomendação para que o Poder Público dê transparência aos gastos sem licitação.

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