Ronaldo Linhares: Nada de novo no front
Ronaldo Linhares - Atualizado em 21/05/2020 19:35
“Não conheço nenhuma fórmula infalível para o sucesso, mas conheço uma forma infalível de fracassar: tentar agradar a todos.”
(Herbert B. Swope)
 
O título desta crônica refere-se a um famoso livro de guerra. Mas, não tem nada a ver com o texto abaixo.
Quero e preciso falar superficialmente sobre a nada alvissareira entrevista que recentemente li nesse jornal (Folha da Manhã) sobre os nossos principais pré-candidatos à Prefeitura de Campos, que por vezes me faz me achar um masoquista por ainda amá-la. A análise é superficial, pois assim foi a entrevista, ou melhor, a resposta dos entrevistados, onde nada de novo fora apresentado. Nenhum sonho. Nenhum modelo de cidade. Nenhuma forma de arrecadação, onde há muitas. Aliás, reduzir custos é uma forma de arrecadar, e o que vemos como sempre é o excesso de terceirizados, o que é ilegal, em princípio. A fiscalização eletrônica, sobretudo sobre as faixas de pedestres onde não há semáforos, além de nos trazer recursos financeiros, daria mais dignidade e civilidade ao nosso maior meio social: o trânsito.
Na verdade, até hoje, não presenciei um prefeito campista que demonstrasse saber que a palavra política vem do grego polis, que quer dizer cidade. Portanto, o bom gestor é aquele que não separa a política da técnica. Tanto é ridículo um secretário dizer que é apenas um técnico e não um político, como também é triste o prefeito que diz que é apenas um político e que a parte técnica cabe aos seus subordinados. Ambos têm que ter em mente uma visão de cidade, e assim serão gestores em sua plenitude.
Um bom exemplo da não separação da técnica e da política está na famosa gestão do urbanista/político Jayme Lerner na Prefeitura de Curitiba — na qual fora nomeado, que virou referência internacional, antes de se eleger governador. Outro exemplo está na histórica eleição para a Prefeitura de São Paulo entre Jânio Quadros e o famoso sociólogo e grande orador Fernando Henrique Cardoso, que chegou a sentar e tirar fotos na cadeira de prefeito na véspera das eleições. Talvez o Jânio tenha ganhado em razão de, durante a sua campanha, ter citado uma coisa tão óbvia quanto ignorada. Ele, que era do PTB, dizia que se seu secretariado tivesse duas pessoas do seu partido seria muito, pois ele escolheria os melhores.
Aqui em Campos, é notório ignorar-se o jargão “Governar é escolher”, assim como dar continuidade às obras inacabadas e aos bons projetos realizados, mas não executados por seus antecessores.
Na entrevista, me chamou a atenção ninguém se lembrar da Lei Federal de Acesso à Informação de 2011, onde nunca foi demonstrado, o que particularmente sei e que vem desde outras gestões, o excesso de imóveis alugados sem saber a sua ociosidade ou não, e do seu superfaturamento ou não. Assim como a existência de uma enorme quantidade de imóveis próprios da municipalidade fechados e abandonados. Esta parte é controlada pela secretaria de Administração, onde até eu saiba falta um bom arquiteto para fazer uma criteriosa avaliação e explicação dessa situação que me parece ser indiferente aos candidatos.
Pelo que senti não há nada de novo no nosso front político.
Ronaldo Linhares é arquiteto.

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