Visão de "melhorar de vida" divide eleitores entre negócio próprio e CLT
Hevertton Luna - Atualizado em 24/10/2026 07:18
Lula e Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro / Ricardo Stuckert / Fernando Frazão/Agência Brasil
No domingo (25), os eleitores irão às urnas para decidir quem será o presidente do Brasil e qual será o rumo econômico dos próximos quatro anos. Com base na pesquisa Meio/Ideia publicada na quarta-feira (21), o eleitorado se dividiu também na pergunta “o que significa ‘melhorar de vida’?”. O jornalista Edmundo Siqueira, o cientista político e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Hamilton Garcia, e o estrategista político Orlando Thomé analisam os resultados e a mudança de paradigma da sociedade brasileira.
Com o eleitorado cada vez mais cristalizado entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o questionamento sobre a qualidade de vida mostrou que 43,3% acreditam que é ter o próprio negócio ou trabalhar por conta própria, 32% acreditam que é trabalhar com carteira assinada, com direitos garantidos, 12% nenhuma das duas opções e 12,7% não soube responder.
Edmundo analisou que a realidade do formato de trabalho do brasileiro mudou e que é preciso entender estas transformações.
“Estamos falando de brasileiros em condições econômicas semelhantes, mas que imaginamos futuros diferentes. O pequeno comerciante, o trabalhador autônomo e o microempreendedor também querem segurança, proteção social e estabilidade. Mas querem, sobretudo, progredir. Isso é uma questão que deve ser entendida, não ironizada ou diminuída como parte da militância faz”, explicou o jornalista.
O resultado dessa primeira pergunta, quando cruzado com o voto do segundo turno, mostra que 62,3% dos que creem que ter negócio próprio é o melhor destino votam em Flávio e 33,5%, em Lula. Já entre os que associam melhorar de vida a ter trabalho registrado, Lula lidera com 65,4%, contra 30,2% de Flávio.
Para Hamilton, a esquerda não conseguiu se modernizar com as novas formas de trabalho e, por isso, perdeu contato com a “nova classe trabalhadora”.
“O problema é que a política bolchevique do petismo no poder, em prol dos ‘mais pobres’, fez com que se colocasse em segundo plano os interesses dos demais estratos da classe trabalhadora, de modo que as modificações produzidas em suas ‘relações de produção’ deixaram de constituir um tema central nos cálculos de conquista e ‘hegemonização’ do poder pelo partido”, frisou Garcia.
Já Orlando observou as estratégias de campanha de Flávio e Lula para o trabalhador brasileiro.
“Os dois candidatos têm tratado do assunto prosperidade. Flávio, desde o início da campanha de segundo turno, falando em criar o Ministério da Prosperidade. Lula falando em medidas que vão fazer as pessoas mudarem e prosperarem. Talvez, tenha uma primeira pista de confirmação na demora de percepção da campanha de Lula e do próprio governo de que a maioria das pessoas não está atrás de carteira assinada, a maioria que é trabalhar com seu próprio negócio e tocar sua vida”, analisou Thomé.
Por fim, o jornalista Edmundo apontou: “A pesquisa demonstra também que esse eleitorado, muito representado na classe C, não vê nos governos do PT espaço para ser ouvido. E talvez a questão central seja mesmo esta: não basta oferecer proteção a quem trabalha. É preciso compreender também o que essas pessoas desejam para o próprio futuro”.

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