Wladimir Garotinho projeta Flávio 51% a 49% Lula
Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Hevertton Luna e Gabriel Torres - Atualizado em 24/10/2026 07:17
Wladimir Garotinho, deputado federal eleito e ex-prefeito de Campos
Wladimir Garotinho, deputado federal eleito e ex-prefeito de Campos / Divulgação/Jhonatan Lopes
Numa eleição “voto a voto” Flávio Bolsonaro (PL) se elegerá com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula (PT). Foi o que projetou para a urna deste domingo (25), no programa Folha no Ar da manhã de quinta (22), o ex-prefeito de Campos e deputado federal eleito Wladimir Garotinho (PL). Caso sua projeção se cumpra, ele tem a promessa de Flávio em vídeo para derrubar o veto ao projeto de reclassificação climática do Norte e Noroeste Fluminense em semiárido. Que, proposto por Wladimir quando era deputado federal em 2019, foi aprovado na Câmara e Senado Federal antes de ser vetado pelo governo Lula. Defender em Brasília os interesses de Campos, em áreas como a saúde pública do município, é a meta proposta pelo ex-prefeito enquanto deputado. Ele fez seu mea culpa na questão do transporte público da cidade, falou de desgastes eleitorais com membros do grupo e reafirmou sua parceria com o prefeito Frederico Paes (MDB). A quem cobrou “tomar as rédeas na questão política” do grupo.
Semiárido no Norte e Noroeste — “Tenho um compromisso firmado com o Flávio Bolsonaro de que, ele eleito, vai derrubar o veto. Isso é importante para mim, enquanto autor do projeto, mas é importante para a região. Queria mais uma vez reforçar, porque muita gente ou entendeu errado ou propositalmente divulgou errado, que seria mais dinheiro para as prefeituras. Não vai um centavo para prefeitura. Isso abre linha de crédito para o produtor rural, o pequeno, o médio e o grande. Por alteração na classificação climática, abre possibilidade de financiamento com juro muito mais barato. Isso vai mudar a nossa região. Tenho um compromisso do candidato Flávio Bolsonaro. Publicamente, ele gravou um vídeo comigo, reafirmando o compromisso de derrubada do veto. Infelizmente, depois de aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado, foi vetado pelo governo do presidente Lula.”

UFF Campos — “A questão da (conclusão do novo prédio da) UFF foi uma coisa que surgiu na busca de ouvir, o que vou fazer de novo agora. Quando eu me elegi deputado a primeira vez, em 2018, antes de tomar posse, comecei a rodar as instituições de Campos, conversar e ouvir. E, naquele momento, o diretor (da UFF) de Campos era o Roberto Rosendo. Eu estive lá, ele me recebeu com uma comissão de alunos e professores, falou das demandas da UFF, mas falou: ‘Olha, o nosso sonho, apesar de todas as outras demandas, é um recurso maior, que só é possível através de uma emenda de bancada, porque são os maiores recursos’, para terminar o que eles chamavam de terra prometida. Eu falei: ‘Olha, eu sou deputado de primeiro mandato, mas é esse o sonho? Eu vou correr atrás e vou tentar e conseguir’.”

Transporte público de Campos — “Obviamente, cabe a organização do transporte ao município. Mas, se a gente tiver uma frota renovada e tiver capacidade do prefeito atual terminar as estações (de integração), o projeto está pronto. Então é importante que deixe isso muito claro aqui. E eu já disse também em outras entrevistas que se você pegar área por área na Prefeitura, a única que não teve avanço significativo no meu governo foi o transporte público, que eu não consegui. É importante também a gente reconhecer quando não consegue, que nem só de vitória vive o homem público. Eu acho que na educação avançamos muito, na saúde avançamos muito e na assistência social avançamos muito. No transporte não teve um avanço significativo.”

Aumento da verba federal à saúde pública de Campos — “Fácil não é porque, quando você aumenta o cofinanciamento e isso é publicado em diário oficial, passa a ser um gasto eterno do Governo Federal. Por isso que, muitas das vezes, eles preferem pagar incentivos pontuais, porque pagou aquela vez e acabou. Então, quando você aumenta o que a gente chama de teto MAC (Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade), que é o média e alta complexidade, principalmente para a rede hospitalar, isso passa a ser um gasto do Governo Federal eterno. É fácil? Não, mas muitas cidades conseguiram. Aqui do lado Itaperuna conseguiu. Itaperuna tem, de dois anos para cá, um incremento anual de R$ 48 milhões por ano na saúde, conseguido pelo deputado Murillo Gouvêa (PSDB), em um acordo com o governo da época do presidente Lula.”

Investimento na saúde de Campos — “É o que eu vou perseguir. Como prefeito que fui, e escutei parte da entrevista do atual prefeito Frederico Paes aqui, onde ele fala do problema da saúde e do desequilíbrio que o investimento da saúde em Campos causa no orçamento de uma maneira geral. E causa mesmo, é verdade absoluta, ninguém pode contestar. O índice constitucional diz que nós temos que investir 15% do orçamento em saúde. Campos investe mais de 40% do orçamento em saúde. É impossível, a conta não fecha. E por que investe 40%? Porque está desatualizado o cofinanciamento estadual e federal. Então o município é obrigado a arcar com quase tudo sozinho. Não tem como essa conta ser fechada.”

Cofinanciamento estadual — “R$ 20 milhões é o que Campos acha que tem direito e foi o que eu pedi na época ao Estado. Tecnicamente, o Estado disse que é possível mandar para Campos R$ 11 milhões. Está bom, então manda os 11, mas não mandam. Foi o que eu pedi na época como prefeito. Como a saúde é dividida em três entes federativos, a parte do cofinanciamento do Estado deveria ser R$ 20 milhões. A gente acha isso pelo número. Porém, eu já ouvi de técnicos da Secretaria Estadual de Saúde que, tecnicamente, só dá para fazer R$ 11 milhões por mês. Então, que faça os R$ 11 milhões. Mas, segundo o prefeito, está vindo R$ 3 milhões desses R$ 11 milhões, que, tecnicamente, é o que dá. Então, está faltando a parte estadual e a parte federal. Este é, para qualquer agente político da cidade Campos, o maior desafio.

Saúde pode colapsar Campos — A cidade vai colapsar. Não é a saúde, é a cidade, porque a gente não pode deixar a saúde parar. Então tem que tirar dinheiro de outro lugar. Tem que tirar dinheiro de obra de infraestrutura, de assistência social, de mobilidade e de cultura. Tem que tirar dinheiro de tudo. Então a cidade uma hora vai colapsar. Por que não colapsou? E aí, modéstia à parte, acho que fiz um bom trabalho de gestão e consegui muitos recursos novos. Porque eu saí da Prefeitura para voltar para Brasília? Que fique mais uma vez claro. Porque, como prefeito, estava vendo que a cidade vai colapsar. E tudo que nós conseguimos construir de estabilidade financeira, de pagamento de servidor, de pagamento de fornecedor, de ter uma cidade com previsibilidade, se não tiver resolução do financiamento da saúde pública de Campos, a cidade vai colapsar.”

Falta de aporte em Campos — “Eu estava vendo que estava engessado. Não tem mais o que fazer por conta própria. A cidade não tinha mais deputado federal. Minha irmã, Clarissa, que foi deputada até 2023, que era quem mais colocava recurso aqui, deixou de ser. Então, você não tinha deputado para colocar recurso em volume, que é o que a gente precisa aqui. Então eu tive que tomar essa decisão difícil. Mas eu sou chamado de prefeito ainda na rua e, para algumas pessoas, o cargo de deputado é maior do que o de prefeito. Eu amava ser prefeito. Quando me chamam de prefeito, fico até feliz, porque eu gosto. É da minha natureza, porque o prefeito é quem mais tem contato direto com o povo e é o que eu gosto de fazer.”

Representante em Brasília — “Era necessário ter um deputado da cidade e do nosso grupo político, porque, se for para trabalhar um brigando com o outro, não faz sentido. Então, um deputado da cidade, do nosso grupo político, com capacidade de articulação e conhecimento do que realmente a gente precisa, para poder ir para Brasília e nos ajudar a tentar resolver principalmente esse problema. Tem vários outros e posso falar aqui de vários temas e problemas que a cidade tem que o deputado pode ajudar a resolver, mas se não resolver tanto o cofinanciamento estadual de saúde quanto o federal, uma hora a cidade vai colapsar.”

Críticas de Garotinho — “Eu não quero entrar em assunto sobre o meu pai. Isso é um assunto que ainda tem algumas feridas abertas. Eu amo o meu pai, mas tem a minha mãe no meio disso. Uma coisa muito ruim de ficar falando. Eu sou Wladimir Garotinho. Nunca tirei o Garotinho do meu nome e nunca vou tirar do meu nome político. Então, paternidade não se discute.”

Mudança climática na região — “As pessoas de esquerda falam com veemência de mudança climática. ‘O clima está mudando, o clima está mudando’. Quando a gente fala que o clima da nossa região está mudando, eles falam: “Eu não acredito”. É uma conversa meio esquizofrênica às vezes. Tem um mapa do Brasil que está publicado, vocês podem pesquisar no Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) do Governo Federal. O mapa está lá publicado e mostra a área de desertificação e as mudanças climáticas do Brasil. Está lá que a mesma cor vermelha e rosa que tem no Nordeste, tem aqui no Norte e Noroeste do Rio de Janeiro. Ele tem até um puxadinho que o mapa mostra e falando que no Rio de Janeiro existe uma área indo a passos largos para desertificação e semiárido. E aí fica uma discussão esquizofrênica de pessoas que dizem e afirmam que o clima está mudando, mas aqui nessa região o clima não pode mudar.”

Transição de governo — “A transição, na minha maneira de ver, está muito tranquilo, até porque a equipe é a mesma. O chefe de gabinete dele era o meu procurador-geral. Obviamente tem uma coisa pessoal do Frederico no entendimento da máquina. Ele vem com o tempo, não tem transição que faça a pessoa entender o dinamismo da máquina pública. Mas, em termos de transição, acho que está muito bem.”

Governo Frederico — “Acho que ele tem tomado decisões que são certas, outras nem tão certas, mas não tenho dado opinião em nada. Acho que falei com ele duas vezes em sete meses. Uma, eu me lembro bem, foi sobre ele não ter dado o piso para os profissionais do magistério, como eu tinha dado. Ele foi orientado por alguém de uma forma diferente e eu disse a ele que estava equivocado. E uma outra coisa que eu vi pela imprensa, que liguei para ele para perguntar se tinha segurança para fazer aquele movimento que estava fazendo, que não vem ao caso aqui. Fora isso, em sete meses eu não toquei em assuntos sobre gestão. Acho que a gestão é dele e precisa ser dele.”
Relação com Frederico — “O meu relacionamento (com Frederico) está normal. Tem gente no entorno tentando causar briga. Ontem à noite eu estava assistindo televisão e umas 20 pessoas começaram a me mandar uma matéria de um subsecretário nomeado por ele me atacando. Então acho que ele precisa tomar cuidado com quem está do lado dele. Eu não tenho problema nenhum com o Frederico. Problema de relacionamento pessoal, eu e ele. Edmar Ptak, nomeado por ele, é subsecretário de Desenvolvimento Econômico. Se somos um grupo só, se estamos no mesmo projeto, se fui para Brasília pela cidade e vamos ter que trabalhar em conjunto, prefeito e deputado estadual e federal, não pode ter dentro do grupo pessoas querendo ver o circo pegar fogo.”


Vírus e bactéria da traição — Acho que ele (Frederico) tem que tomar um pouco mais a rédea na questão política. Se a pessoa está nomeada na Prefeitura falando mal do principal aliado do prefeito, e ele (Frederico) diz isso, que sou o principal aliado dele, que sou líder político dele, estamos todos em um projeto só pela cidade de Campos. O Edmar (Ptak), quem fez a postagem, mas não estou me queixando, estou só falando de um dado. Ele pode ter falado publicamente, mas tem alguns falando internamente, falando bobagem e besteira. Meu pai, Garotinho, tem uma frase muito bacana que diz que a política tem o vírus da traição. Não tem problema entre mim e Frederico de traição, mas tem, vamos dizer assim, as bactérias que ficam no entorno. Então, a bactéria tem que ser exterminada porque, se não, daqui a pouco ela contamina todo mundo.”

“Briga de sucessão não faz bem” — “Ninguém quer brigar com ninguém, não tem porquê. Vamos olhar para frente, temos um horizonte. Briga de sucessão não fez bem a cidade ao longo do tempo. E acho que nós temos uma oportunidade agora extraordinária. Estou no PL, partido que elegeu dois senadores, um governador e que, se Deus quiser, vai eleger o presidente da República. Olha qual é a oportunidade que tenho de ajudar a minha cidade. Por causa de A ou de B criando problema interno? Quem se revolta é quem gosta de mim, que trabalhou comigo, que está dentro da máquina. Aí começa a dar briga interna e um não quer ajudar o outro. É desnecessário. Então, se eu posso dar uma sugestão ao meu amigo Frederico Paes é que ele puxe a rédea política e tome medida interna: ‘Ou para, ou está fora”. Basicamente é isso.

Silvinho presidente da Câmara — “Não era o acordado, mas a decisão é do prefeito. Mesa (diretora) cabe a ele. Não era o acordado e havia uma palavra, e todos os vereadores participaram diversas vezes de reuniões, que Fred Rangel continuaria presidente. Então o acordado era Fred continuar presidente. O prefeito resolveu mudar a escolha dele e está tudo bem. É um direito que ele tem e está tudo certo. Fui procurado para que animasse outras pessoas para bater chapa, e falei: ‘Não vou me movimentar, a decisão é do prefeito”. ‘Ah, mas não foi combinado’. A decisão é do prefeito, o prefeito é ele, ele tem os motivos dele para ter mudado de ideia.”

Divisão no grupo político? — “Não tentem ficar no ouvido de Frederico ou no meu ouvido tentando causar divisão, que vai fazer mal à cidade de Campos. Vou repetir aqui, a divisão não faz mal a A ou B, mas às pessoas. Porque tem muita gente que quer a confusão e briga para ela se reposicionar e ganhar um espaço novo. Eu não estou preocupado com espaço novo, estou eleito e tenho que cumprir a minha missão. O Frederico é o prefeito, ele tem que cumprir uma missão dele. E a gente junto tem que cumprir uma missão pela cidade, ponto.”

Comportamento de oposição — “Eu vou me afastar da pessoa que quiser criar confusão. Espero de verdade que o Frederico, como prefeito, afaste também. E aqui não estou dizendo para afastar porque Wladimir quer que mande gente embora. É simples. Quer falar mal do projeto e do grupo político? Vai para a oposição. É um direito que a pessoa tem. Agora, não pode ficar dentro do grupo político que quer o bem da cidade, quer trabalhar em conjunto, quer que a cidade cresça, e se desenvolva, querendo criar inferno aqui dentro. Pensar diferente está tudo bem. Fala internamente, chama para conversar, liga um para o outro. Agora, ficar publicamente, pelos corredores e nas ruas. Cara, quer fazer oposição? Vai para oposição. É isso que espero, de verdade, do meu amigo Frederico Paes.”

Onda de direita na eleição — “Foi uma eleição muito mais parecida com 2018 do que com 2022: uma onda de direita tomou conta. O recorde na Câmara Federal, por exemplo, eram 105 deputados. O PL fez 121 e passou com folga. No estado do Rio, principalmente, você tinha o Jordy e o Portinho, que largaram lá atrás e atropelaram (ao Senado). O voto 22 foi um voto casado. Você tem, por exemplo, em Campos, uma deputada chamada Soraya Santos. Minha amiga, gosto muito dela. Eu liguei para ela e perguntei: “Quem te apoiou em Campos?” Uma pessoa e ela fez quase 5 mil votos aqui. Aabe por quê? Porque o número dela era 2222. O cara só apertando 2, queria votar no 22. Esse era o mesmo número da Índia Armelau, deputada estadual mais votada do Rio. Quem estava fazendo campanha para a Índia Armelau em Campos? Ninguém. Então quem tinha uma pauta mais identificada com a direita nessa eleição, teve muito mais votos. O bloco da direita e os partidos do centro sumiram.”

Perda de votos — “Apesar de estar no PL, não fiz uma campanha fincada na direita, mas baseada no meu trabalho de prefeito e naquilo que realizei, que eu podia realizar, mostrando para a cidade que era importante ter um representante. Isso me tirou voto. Porque, por incrível que pareça, eu perdi e eu acompanhei isso, pesquisa por pesquisa, semana a semana. Faltando 20 dias para a eleição, reuni alguns líderes políticos de bairro e alguns vereadores lá no meu comitê e eu disse exatamente isso: ‘Olha, nós estamos perdendo voto para candidato ideológico de fora’. Para prefeito, eu disputei contra cinco ou seis candidatos. Para deputado federal, nesta eleição, 622 candidatos foram votados em Campos. Então era normal que eu fizesse uma votação menor. Óbvio para quem entende minimamente de número de processo eleitoral.”

Traições? — “Esperava fazer um pouquinho mais (de voto) em Campos? Esperava, mas perdi muito voto para candidato ideológico de fora e também para as traições de pessoas dentro do nosso grupo apoiando candidatos de fora. Tenho santinho por santinho que encontrei na rua de Thiago Virgílio (candidato a deputado estadual) dobrando com candidato (de deputado federal) de fora. Eu tenho todos guardados. Eu sei de 10 candidatos, mas encontrei santinho na rua de oito. Eu somei a votação de todos esses que tiveram em Campos, que não tinham trabalho nenhum aqui, que não tinham ninguém aqui e fizeram de sete a oito mil votos em Campos.”

Relação com Thiago Virgílio — “Na última carreata, inclusive, no Eldorado, foi no sábado (dia 3) antes da eleição, eu estava em cima da caminhonete. Ele (Thiago) subiu, não olhou para mim, não me cumprimentou, porque ele já sabia que eu sabia. Ele subiu na caminhonete de frente para mim, não me olhou e virou as costas quando subiu. Eu fiquei quieto e ele ficou quieto.”

Juninho Virgílio — “Eu ouvi o (vereador) Juninho Virgílio (Podemos) dizer aqui, em uma entrevista (ao Folha no Ar do dia 15), que eu não cumpri a divisão do grupo. Deixa eu dar uma informação, porque narrativa qualquer um tenta construir. Quando eu chamei o Thiago Virgílio para ser o segundo candidato do grupo, eu pedia a ele que construísse comigo o projeto da eleição dele. Orientei a ele que se filiasse ao DC ou ao Agir. Dois partidos menores, que ele venceria a eleição com 30 mil votos. Liguei para os presidentes dos partidos, coloquei em contato com o Thiago e achei que ele fosse filiar ao DC ou Agir.”


Escolha partidária — “Pois bem, ele (Thiago) se filiou no Republicanos. Eu disse a ele: ‘Você perdeu a eleição’. Ele disse: ‘Ah, eu vou ganhar, o partido vai fazer seis!’. Eu falei: “Não vai fazer seis. Você conhece a nominata e eu também. Esse partido aí vai eleger quatro, se fizer. E tem quatro que você não vai ganhar. Tem três candidatos da Igreja (Universal) e tem o Leandro do Waguinho. Você vai ficar em quinto, você vai perder”.

Conta eleitoral — “Todo mundo, vereador de mandato, lideranças políticas que conhecem o processo eleitoral, todo mundo viu que ele (Thiago) ia perder. Então as pessoas não queriam apoiar ele por saber que ele ia perder. Aí ele começou a me cobrar uma divisão do grupo, que eu ia botar a eleição de Bruno em risco. Porque o Republicanos elegeu três (candidatos a deputado estadual), sendo dois da igreja e o Leandro do Waguinho. Ele ficou em 5º. O partido que podia eleger 4, elegeu 3. Se ele fizesse 40 mil votos, Thiago ia estar fora, ele fez 24 (mil). Elegeu o último no Republicanos com 44 ou 45 mil votos. Acho que foi a Tia Ju, com 43 ou 44 mil votos. Então, Thiago, se tivesse 40 mil votos, ia ficar fora. E aí, o partido que eu pedi para ele se filiar, que era o DC, elegeu um com 27 mil votos. Eu falei: ‘Thiago, vai para lá que você vai se eleger com 30 (mil)’. Elegeu um com 27 (mil) e ele fez 24 (mil). Se ele vai para o DC, todo mundo ia ver que ele tinha a chance de ganhar, a votação dele ia aumentar, porque as pessoas iam querer apoiar o candidato que ia ganhar. Inclusive eu. Thiago vai ganhar, dá para eu tirar aqui quatro ou cinco pessoas de Bruno (Dauaire, União, deputado estadual reeleito) para eleger os dois. Mas eu via que não era, eu ia ter que tirar 20 pessoas de Bruno e Thiago que ir a perder. Aí eu ia colocar a eleição de Bruno em risco.

Cobrança bolsonarista — “Um dia desses, fazendo esteira de manhã, um cara falou: ‘Não vou votar em você porque você é do PL e não foi na carreata do Flávio’. Mas eu não podia ir porque o Douglas Ruas estava lá e meu pai Garotinho é candidato (a governador). E o cara respondeu: “Não, eu só voto quem está fechado com o Flávio”. Mas eu estou com o Flávio, olha para meu material de campanha. O meu presidente é 22, meu governador que não é. Meu governador é 10, porque é meu pai. Eu perdi voto. Eu perdi voto por causa também da questão partidária, ideológica e perdi por conta dessas coisas de campanha, de política, do próprio grupo. Enfim, já passou, eu ganhei eleição e não tenho mágoa. No início fiquei chateado, irritado, aborrecido, triste, porque é um grupo político que a gente vê em um confronto desnecessário.”

Sem apoio de Garotinho — “Meu pai gravou um vídeo declarando e pedindo voto para o bispo Luis Carlos (Gomes, Republicanos). Meu pai pedindo voto para ele. Eu contra o meu partido, que era o PL, honrando meu pai. “Meu candidato é o Garotinho, meu candidato é o 10”. Meu pai gravou um vídeo, faltando uma semana para eleição, pedindo voto para outro candidato. Tudo isso me atrapalhou. Eu poderia ter feito um pouco mais de voto, mas está tudo bem e está tudo superado. Fiquei triste, fiquei magoado. Sabe quando você fica com aquela angústia, aquela dor no peito de angústia de ver uma coisa que você não gostaria de ver? Porque, pelos Virgílios, eu tenho carinho. Quando ele (Thiago) saiu da cadeia (foi preso por conta da operação Chequinho), a primeira pessoa a visitar ele fui eu, porque eu tinha como amigo.”

Eleição a presidente — “Eu acho que vai ser 51% (Flávio) a 49% (Lula). Eu acho que vai ser muito apertada a eleição. Não tem eleição ganha. Eu tenho dito isso, inclusive, nos grupos de deputados do Brasil inteiro. Muitas vezes a gente vive dentro da nossa bolha. Por exemplo, Campos eu acho que vai ser 65% (Flávio) a 35% (Lula). Mas no Brasil não é assim. Então a gente não pode ficar dentro da nossa bolha achando que a eleição está ganha, porque no nosso entorno está mais fácil. Vai ser uma eleição apertada, difícil. O PT sabe fazer campanha, está nisso há muito tempo. Lula já disputou seis eleições presidenciais. Só ele, fora o PT disputando outros com Dilma (e Fernando Haddad).”

Esquerda melhorou nas redes — “Eles (a esquerda) melhoraram na reta final agora, no 2º turno, a questão de rua e de rede social, que estava muito parada no 1º turno. Então, a eleição vai ser apertada. Acho que o Flávio vai ganhar. Mas vai ser voto a voto. Não adianta só votar, tem que pedir voto. Hoje (quinta), inclusive, tem uma carreata para o Flávio com a presença do governador (eleito) Douglas Ruas (PL) aqui em Campos. Daqui a pouco, estou saindo daqui e indo direto para lá. Mas vai ser uma eleição apertada. Acho que o Flávio vence. É o que eu espero, é em quem eu vou votar.”

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