Garotinho desiste de recurso e pode fazer Ruas governador já no primeiro turno
Dora Paula Paes 05/10/2026 14:25 - Atualizado em 05/10/2026 17:28
Ex-governador Anthony Garotinho
Ex-governador Anthony Garotinho / Agência Senado
O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu, nesta segunda-feira (5), do recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode fazer o candidato do PL, Douglas Ruas, governador já neste primeiro turno. O documento foi encaminhado ao ministro Floriano Marques. Segundo o ex-governador, o “povo vai arcar com a escolha”. Em Campos, ainda no momento da comemoração, na noite de domingo (3), o deputado federal eleito, Wladimir Garotinho, chegou a pedir publicamente que o pai desistisse.
A defesa de Garotinho, no documento, explica que Garotinho manifesta sua desistência, de forma livre, expressa, consciente e irretratável, do Recurso Ordinário Eleitoral interposto nos autos do processo de registro de candidatura.
Em coletiva, Garotinho disparou: “povo vai arcar com a escolha”. Em caso de segundo turno, não pretende pedir voto para nenhum dos dois candidatos: Douglas Ruas (PL) ou Eduardo Paes (PSD).

“Inexplicavelmente, o povo votou nesse pessoal. São dois bandidos”, disse Garotinho, reforçando que não vai se meter na campanha caso a decisão do TSE seja pela realização do segundo turno.
Quando questionado sobre a eleição presidencial, ele disse que seu voto foi em Flávio Bolsonaro, mesmo não acreditando que nenhum dos dois vá resolver a questão econômica do país. Porém, contou que participou do documento encaminhado ao presidente, dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

“Pelo menos que, na questão da segurança, haja alguma modificação”, disse.
O movimento de Garotinho, pode definir as eleições ao governo do Estado do Rio sem a realização do segundo turno, no próximo dia 25. Caso os votos de Garotinho sejam, de fato, considerados inválidos, a recontagem de votos válidos deixa o candidato do PL, que ficou em primeiro lugar na eleição de domingo (4), com o percentual necessário para ser declarado governador do Rio.
Ruas fala em vitória no 1º turno do pleito
O candidato comentou a situação jurídica dos votos do ex-governador e a possibilidade de ser eleito.
“Tenho muita tranquilidade e confiança na justiça que muito em breve, mas muito em breve mesmo, vai ser solucionado e a justiça vai proclamar o resultado com Douglas Ruas eleito no primeiro turno”, disse Ruas.
“O Eduardo Paes já se manifestou anteriormente através de uma petição junto ao Tribunal Superior Eleitoral pedindo que os votos do Garotinho fossem nulos. Então não existe um conflito de interesse. As duas candidaturas que aguardam a decisão estão com o mesmo entendimento”, acrescentou o presidente do Legislativo fluminense.
Na comemoração 
Em Campos, Wladimir Garotinho, que apoiou o pai no primeiro turno das eleições, também comemorou o resultado de Douglas Ruas, do seu partido. "Deixa eu ser pragmático. Eu votei no meu pai, todo mundo sabe que pedi voto para ele, mesmo com qualquer tipo de pendência eu acreditava que ele pudesse resolver. Mas o feitiço voltou contra o feiticeiro. Pai, abre mão do recurso, vamos ganhar a eleição com Douglas Ruas no primeiro turno", disse.
Nos QGs de Paes e Ruas
No entorno de Eduardo Paes, a avaliação é a de que o TSE tende a julgar o caso independente da desistência de Garotinho. O argumento do jurídico do ex-prefeito do Rio é que o imbróglio ultrapassou a esfer particular do ex-governador e afesta a eleição ao governo do Estado como um todo. "A Justiça Eleitoral não pode aceitar o recuo de Garotinho, porque estaria permitindo uma interferência transversa no resultado eleitoral", considera o jurídico em entrevista à Veja. 
Já no QG de Douglas Ruas, que poderá ser beneficiado com a desistência de Garotinho, a situação estaria sendo acompanhada com cautela. Advogados ligados ao PL, ainda, segundo a Veja, admitem que o TSE pode se recusar a homologar a desistência de Garotinho. Mesmo, que o corpo jurídico de Ruas discorde de uma decisão neste sentido. 
Inicialmente, o tribunal tem uma jurisprudência consilidada que impede a desistência de candidatos nas eleições proporcionais, porque isso tem influência no quociente. 






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