Michelle Bolsonaro expõe divergência e episódio repercute em Campos
Dora Paula Paes e Hevertton Luna - Atualizado em 27/06/2026 08:26
Flávio e Michelle Bolsonaro
Flávio e Michelle Bolsonaro / Lula Marques/Agência Brasil / Reprodução
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) movimentou o cenário político nacional bem ao estilo “caso de família”. Na quarta-feira (24), em uma sequência de vídeos publicados nas redes sociais, Michelle, presidente do PL Mulher, afirmou ter sido humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República. Em Campos, o diretório municipal do PL, que está sem presidente no momento, não comentou o episódio. Já o PT local avalia que o racha no clã Bolsonaro pode impactar o período de pré-campanha.
Michelle contou que não fala com Flávio desde o fim de 2025. Ela detalhou um telefonema em que, segundo relatou, o senador foi “muito ríspido”, desrespeitou-a e a maltratou.“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia de política. Diante dessa humilhação, eu disse que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que ele era insignificante”, relatou Michelle sobre a conversa com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a ex-primeira-dama, o episódio ocorreu após um comício do qual participou no Ceará, no fim do ano passado. Na ocasião, ela criticou a negociação para a formação do palanque no estado, em que o PL buscava o apoio de Ciro Gomes, que havia feito críticas a Jair Bolsonaro e a seus filhos durante o período em que o ex-presidente ocupou a Presidência da República.
Na quinta-feira (25), Flávio Bolsonaro publicou um vídeo pedindo desculpas à madrasta. “Em nenhum momento eu a ofendi ou tive a intenção de ofendê-la. Se isso aconteceu em algum momento, mais uma vez peço desculpas. Tenho respeito por Michelle e reconheço o trabalho dela no PL Mulher, que bateu recorde de filiação de mulheres”, afirmou.
O senador também criticou o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e defendeu a união do grupo político para as eleições de outubro. “A gente erra, acerta, tem divergências, pensa diferente em alguns pontos e concorda em outros. O importante é que vamos superar isso e seguir em frente juntos. Estou cumprindo uma missão designada por Jair Messias Bolsonaro. Todas as minhas decisões são tomadas com o respaldo dele. O Brasil precisa se livrar do Lula e do PT”, declarou.
PT de Campos vê racha no clã Bolsonaro
O vídeo de 27 minutos de Michelle Bolsonaro foi analisado pela presidência do diretório do PT de Campos. Segundo o presidente da legenda, Danilo Dutra, o posicionamento da ex-primeira-dama reflete duas situações de impacto bastante claras.
“A primeira diz respeito à falta de coesão no próprio PL, o que nos mostra que há um racha dentro do clã Bolsonaro, com impactos diretos na campanha. Pesquisas mostram que, antes da divulgação do vídeo, Flávio Bolsonaro já liderava a rejeição entre as mulheres, com aproximadamente 53%, situação oposta à do presidente Lula, que vem reduzindo sua rejeição entre o eleitorado feminino. A tendência é que a rejeição a Flávio Bolsonaro aumente”, analisa.
O segundo ponto, de acordo com Danilo Dutra, é o grande número de eleitores indecisos, a maioria deles mulheres de baixa renda.
“Somando o discurso de descontentamento da ex-primeira-dama aos feitos do governo Lula voltados às classes menos favorecidas, como a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, as recentes notícias negativas envolvendo o PL e Flávio Bolsonaro podem contribuir para que parte dessas eleitoras passe a inclinar seu voto para o presidente Lula”, afirmou Danilo.

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