Estratégia de prova: controle, energia e hidratação
03/08/2026 | 16h51
Artigo teórico sobre controle da intensidade, gestão de energia e boa hidratação visando preservar o organismo numa prova de endurance.
O drive neural — ou, em muitos artigos científicos, central motor drive. Ele representa o comando do sistema nervoso central enviado aos músculos. Em exercícios de endurance, esse comando pode diminuir com a fadiga, embora a queda de desempenho também envolva fatores musculares, metabólicos, térmicos e cardiovasculares.
Acelerar demais nos primeiros quilômetros pode comprometer toda a sua prova. Correr de 10 a 15 segundos mais rápido por quilômetro no início pode custar vários minutos na parte final. Por isso, controle a ansiedade, respeite o ritmo planejado e deixe a prova acontecer.
Durante o percurso, consuma entre 45 e 90 g de carboidrato por hora, de acordo com o que foi testado nos treinamentos. A primeira ingestão pode acontecer por volta do km 4 ou 5, evitando esperar a queda de energia para começar a reposição.
Beba água em todos os postos de hidratação. Em temperaturas mais baixas, o cuidado deve ser ainda maior, pois sentimos menos sede, mas continuamos perdendo líquidos e podemos nos desidratar sem perceber. Com a perda de líquidos, o volume sanguíneo diminui e o sangue fica mais viscoso. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais para levar oxigênio e nutrientes aos músculos, provocando aumento da frequência cardíaca e redução do rendimento.
Na meia maratona, é comum o ritmo começar a cair após o km 18; na maratona, depois do km 30. Um dos principais fatores é a redução do drive neural.
Nas corridas longas, o sistema nervoso integra sinais de fadiga muscular, redução energética, desidratação, calor e estresse cardiovascular. Quando esses sinais aumentam, pode reduzir parcialmente o comando enviado aos músculos e elevar a percepção de esforço, levando o corredor a diminuir o ritmo. Essa resposta contribui para limitar o desgaste e preservar o equilíbrio do organismo, preservar a sua sobrevivência. Este é o fenômeno chamado drive neural.
Em síntese: controle a ansiedade na largada, não acelere além do planejado, hidrate-se em todos os postos, utilize o carboidrato no momento correto — sempre testado nos treinos — e siga a programação definida pelo seu treinador, evitando o drive neural pois o seu organismo, para te proteger, não deixará você correr rápido.
A sua percepção durante a prova será fundamental para tomar boas decisões em cada fase do percurso.
Fontes: Gandevia, S. C. (2001). Spinal and supraspinal factors in human muscle fatigue. Physiological Reviews, 81(4), 1725–1789.
É uma referência clássica sobre fadiga central. Explica que a fadiga não ocorre apenas no músculo: o sistema nervoso também pode perder parte da capacidade de ativar adequadamente os motoneurônios.
Millet, G. Y.; Lepers, R. (2004). Alterations of neuromuscular function after prolonged running, cycling and skiing exercises. Sports Medicine, 34(2), 105–116.
Analisa especificamente exercícios prolongados, como corrida, ciclismo e esqui, mostrando a participação conjunta da fadiga central e periférica na perda de força após atividades de endurance.
Amann, M. et al. (2008). Locomotor muscle fatigue modifies central motor drive in healthy humans and imposes a limitation to exercise performance. Journal of Physiology, 586(1), 161–173.
Mostra que sinais enviados pelos músculos fatigados ao sistema nervoso influenciam o comando motor central e podem contribuir para a redução da intensidade do exercício.
Bons treinos!
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Etapa da Copa do Mundo de Triathlon no Rio de Janeiro: Informações
25/07/2026 | 21h21
No próximo domingo, 2 de agosto, será realizada em Copacabana a World Triathlon Cup Rio de Janeiro, etapa da copa do mundo de Triathlon, valendo ranking e pontos no ciclo de classificação para Los Angeles 2028.
INFORMAÇÕES SOBRE A PROVA 
A Arena de Triatlo está localizada na Avenida Atlântica, no canteiro central, na altura do número 3806, entre as ruas Francisco Sá e Souza Lima, em Copacabana, Rio de Janeiro. A Praia de Copacabana é uma das praias urbanas mais famosas do mundo e ocupa um lugar especial na história do triatlo, tendo sediado as provas da modalidade durante os Jogos Olímpicos de 2016. O local oferece um cenário excepcional para competições de elite, com os percursos de natação, ciclismo e corrida acessíveis a partir da área central de transição. Área de Convivência dos Atletas Instalações que incluem área de convivência e banheiros são disponibilizadas aos atletas na área de chegada. Garrafas de água lacradas e frutas serão oferecidas aos atletas antes e depois da prova, na área de convivência.
A corrida começa com uma largada na praia. Os atletas entrarão na água e completarão uma única volta no sentido anti-horário volta de 750 metros. O percurso é sinalizado com bóias e a saída é no mesmo ponto da entrada, com atletas correndo para a área de transição. A temperatura média da água em Copacabana durante agosto fica normalmente entre 22 ° C e 24 ° C, tornando a natação confortável para atletas de elite sem roupa de neoprene. A temperatura da água será confirmada e comunicado no briefing da corrida.
O percurso de ciclismo tem uma extensão total de 20 km, realizados em 4 voltas de 5 km cada, no sentido anti-horário. O trajeto é plano e rápido, percorrendo a orla de Copacabana (Avenida Atlântica) e as ruas adjacentes. O percurso foi projetado para provas de alta velocidade e oferece uma excelente experiência para o público.
O percurso de corrida tem uma extensão total de 5 km, a ser completada em duas voltas no sentido anti-horário. O trajeto é plano e rápido, oferecendo condições ideais para um bom desempenho. Postos de hidratação estão distribuídos ao longo do percurso para dar suporte aos atletas durante a prova.
Mais informações por aqui!
Bons treinos!
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As pessoas estão falando cada vez menos (onde entra o esporte nisso?)
23/07/2026 | 16h55
As pessoas estão falando cada vez menos. Em 15 anos (2005-2019), diminuiu 28% a média de palavras faladas por dia.

A queda foi mais acentuada entre jovens menores de 25 anos (452 palavras a menos por dia a cada ano). Também foi observada em pessoas acima de 25 anos, embora em menor grau (314 palavras a menos por ano).

A média caiu de cerca de 16.000 palavras diárias em 2005 para aproximadamente 12.700 palavras em 2019. Diminuiu cerca de 338 palavras a cada ano.

Isso parece ser, principalmente, resultado de mudanças sociais e tecnológicas, como o uso massivo de smartphones, redes sociais, autoatendimentos, pagamentos automáticos e aplicativos que reduzem a necessidade de sair de casa, interagir pessoalmente, ter contato com outras pessoas. Na prática, isso se reflete em menos conversas do dia a dia com vizinhos, estranhos, colegas de trabalho, transeuntes, amigos...
Talvez mais uma vez o esporte esteja conosco para nos ajudar nesta tarefa que não é difícil para ele - gente gosta de estar perto de gente - e no meio esportivo isso é fundamental. 
Bons treinos!
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Quer diminuir o estresse, a ansiedade e a depressão?
13/07/2026 | 17h47
O contato com a natureza reduz significativamente o estresse, a ansiedade e a depressão, como mostra uma nova grande análise que inclui 116 revisões sistemáticas com 3.870 estudos e mais de 10 milhões de pessoas (artigo aqui).

Exercício + Sol + Ambiente natural = O melhor remédio. Ou seja, dar aos seus genes o que eles necessitam e seguir hábitos evolutivamente coerentes.
Dica: procure um local próximo a natureza com pessoas agradáveis ou simplesmente só. Bora viver!
Bons treinos!
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O que é mais relevante para a longevidade:exercício, sono ou nutrição?
06/07/2026 | 17h11
Segundo o artigo Minimum combined sleep, physical activity, and nutrition variations associated with lifeSPAN and healthSPAN improvements: a population cohort study, publicado na respeitada revista The Lancet, o exercício de intensidade moderada a vigorosa é o que mais contribui para o aumento da expectativa de vida e dos anos livres de doenças.
Mas quanto de exercício?

1- Para viver mais +- 50 min/dia.

2- Para viver mais anos livre de doenças +- 75 min/dia.
Bons treinos!
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Importância da Luz Solar Diurna na saúde do seu organismo
24/06/2026 | 16h18
Este artigo versa sobre a importância da luz solar frente a recomendações cada vez mais frequentes que vivencio sobre a "proibição", por parte de profissionais da saúde, no importante ato de "pegar sol" o que pode comprometer vários aspectos do organismo, como bem diz o artigo a seguir. 
O artigo "Circadian-independent light regulation of mammalian metabolism" discorre sobre o tema, onde podemos resumir sobre efeitos da luz fisiológica diurna x luz artificial à noite (LAN) em humanos.

Além de suas funções fisiológicas conhecidas, a luz diurna possui valor terapêutico em doenças como depressão e dor.
Benefícios associados à exposição adequada à luz natural durante o dia:

Melhor Visão
Ritmo circadiano mais equilibrado 
Menos Depressão
Termogênese (produção de calor pelo organismo)
Aumento do Reflexo pupilar
Melhor Cognição
Diminuição da dor
Menor possibilidade de dependência de drogas

A luz artificial à noite interfere amplamente nas atividades metabólicas, em parte por desorganizar os ritmos circadianos. O efeito direto da LAN sobre o metabolismo é um campo emergente de pesquisa. 
Luz artificial à noite e seus efeitos associados à exposição excessiva:

Redução da imunidade
Aumento da obesidade / diabetes
Tumores
Ansiedade / depressão
Desorganização do ritmo circadiano
Hipertensão / doenças cardiovasculares

Aplicações práticas para pessoas que se movimentam onde a principal mensagem é:

Buscar luz solar pela manhã (15–30 min logo após acordar).
Reduzir luz intensa e telas 2–3 horas antes de dormir.
Isso favorece:
melhor produção de melatonina;
maior qualidade do sono;
melhor recuperação;
melhor VFC/HRV (organismo mais apto ao treinamento);
menor percepção de fadiga.
Importante frisar, neste artigo em questão,  onde é dito textualmente que esses fatores costumam impactar mais a recuperação do que muitos suplementos.
Bons Treinos!
 
 
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Quer se proteger do estresse? Dica de ouro!
19/06/2026 | 06h06
Faça 30 minutos de exercício intenso (70% da sua intensidade máxima, usando sua percepção de esforço).

Um estudo (aqui) comprova: o aumento do cortisol em resposta ao estresse foi 50-75% mais lento após um treino intenso.

O pico de cortisol ocorreu mais cedo e em níveis mais baixos. A recuperação para o nível pré-estresse foi 10 minutos mais rápida (81 minutos contra 91 minutos).

Dica prática: se você tiver algo estressante no dia, treine intensamente antes. Se possível, faça seu treino intenso pela manhã, isso te deixa “protegido” do estresse o dia todo.
Bons treinos!
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Cuidado ao correr com seu cão
09/06/2026 | 16h27

Correr com cães tem se tornado uma prática cada vez mais comum. Talvez pelo crescimento da corrida de rua e do estilo de vida ativo, muitos tutores desejam compartilhar com seus animais de estimação um momento que lhes proporciona prazer, saúde e bem-estar.

Mas será que essa prática é realmente adequada para o cachorro? Sob o ponto de vista da saúde animal, a resposta é: depende.

Quando realizada com critérios e respeitando as características individuais do animal, a corrida pode trazer diversos benefícios, como melhora do condicionamento físico, controle do peso corporal, estímulo mental e fortalecimento do vínculo entre tutor e cão. No entanto, nem todos os cães foram feitos para correr longas distâncias ou suportar esforços intensos.

Raças com dificuldades respiratórias, filhotes em fase de crescimento, cães idosos ou portadores de problemas cardíacos e articulares exigem atenção especial. Além disso, os cães costumam acompanhar seus tutores por instinto e prazer de estar juntos, muitas vezes ultrapassando seus próprios limites sem demonstrar claramente o cansaço.

Outro fator importante é a temperatura ambiente. Diferentemente dos humanos, os cães possuem mecanismos limitados para dissipar o calor corporal. Exercícios realizados em horários quentes, especialmente sobre o asfalto, podem aumentar significativamente o risco de hipertermia e até causar lesões nas patas.

Por isso, antes de incluir o seu companheiro nos treinos, é recomendável uma avaliação veterinária, além de uma adaptação gradual ao exercício. Distância, intensidade, horário e hidratação devem ser cuidadosamente observados.

Em resumo, correr com o cachorro não é uma prática inadequada. Pelo contrário, pode ser extremamente benéfica. O ponto fundamental é lembrar que o objetivo principal deve ser o bem-estar do animal, respeitando seus limites físicos e suas necessidades, e não apenas acompanhar o desempenho esportivo do tutor.

Bons treinos! 

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Sou obrigado?
02/06/2026 | 18h38
Pelo andar da carruagem, daqui a pouco, terei que fazer dancinha nas redes sociais para ser simpático e estar na moda com o objetivo principal de conseguir alunos.
Médicos, dentistas e outras profissões de peso parecem que estão aderindo. Não sou obrigado, prefiro fechar a assessoria rs. 
Bons treinos!
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A maratona sub-2 e a tentação de explicar o inexplicável
28/04/2026 | 16h06
A cada grande performance na maratona, surge quase um movimento automático: cada área tenta reivindicar para si a explicação do feito.

Uns apontam para a revolução dos supertênis.

Outros para a nutrição — e, de fato, há uma transformação importante em curso. Se antes protocolos com 60 g de carboidratos por hora já eram considerados agressivos, hoje se discute 100, 120 g por hora, estratégias individualizadas, blends glicose-frutose e até compostos voltados à fadiga central.

Há também os que olham para os métodos de treinamento: zonas mais refinadas, controle de carga, especificidade e microajustes.

A fisioterapia e a ciência da recuperação destacam o papel do recovery — sono, regeneração, capacidade de sustentar qualidade em blocos sucessivos.

A psicologia do esporte chamará atenção para a dimensão cognitiva: tolerância ao sofrimento, foco e regulação do esforço.

E todos têm razão. Mas talvez parcialmente.

Porque existe uma provocação que me parece inevitável: e se o fator primordial ainda for genética?

Em alto nível, quase todos treinam muito parecido. Quase todos têm acesso a boa nutrição, ciência aplicada, materiais avançados e excelentes estruturas.

Mas poucos possuem aquilo que não se fabrica: economia de corrida extraordinária, eficiência metabólica rara e tolerância fisiológica incomum.

Cada área tende a puxar a narrativa para si: foi o tênis, foi o gel, foi o recovery, foi o trabalho mental. Mas talvez pai, avô e bisavô tenham participado mais do que se admite.

Outro ponto pouco comentado é que muitos desses grandes maratonistas são, antes de tudo, homens da pista. Vieram dos 5.000 e 10.000 metros. E talvez isso importe muito.

Porque a maratona continua sendo, em grande medida, uma expansão dessa base. Curiosamente, o dado que talvez mais impressione não é o protocolo nutricional ou o tênis — é o negative split. Correr a segunda metade da maratona mais rápida do que a primeira não é marketing. É fisiologia. É sinal de controle, reserva e domínio do esforço.

No fim, tudo importa: tênis ajudam, nutrição ajuda, recovery ajuda, método ajuda.

Mas talvez o fenômeno extraordinário comece em outro lugar. Na genética.

E talvez a verdadeira sofisticação esteja em reconhecer que performance extrema nunca nasce de um único fator — mas da interação entre todos eles.
Por vezes, na maior parte das vezes, o simples tem um papel bem importante, vide o relógio Garmin 55 usado pela fera, recordista mundial na distância. Bons treinos!
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Marcos Almeida

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