O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), líder nas pesquisas pela disputa do governo do estado nas eleições deste ano, cometeu um ato falho no carnaval que pode lhe tirar muitos votos.
É que as imagens de Paes usando, em um camarote no sambódromo, durante os desfiles, óculos escuros, e segurando um objeto semelhante a uma bengala, repercutiram mal.
Paes reconheceu o equívoco, admitindo que a sua atitude foi infeliz. Mas o estrago ocorreu, com muitas críticas ao gesto através das redes sociais.
Em Campos, por exemplo, ex-vereador Jorginho Virgílio, que presidiu a Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência na Câmara Municipal, criticou Eduardo Paes. "Embora o carnaval seja marcado pela irreverência, há limites", diz.
Jorginho alinha que carnaval é tempo de alegria, "mas nunca pode servir de justificativa para transformar a deficiência em motivo de encenação".
Para Jorginho Virgílio, mais do que um pedido de desculpas, o caso exige reflexão sobre os limites entre humor e desrespeito.
A série documental “Doutor Castor”, envolvendo Castor de Andrade — o “capo" do jogo do bicho no Rio de Janeiro —, ora reexibida pela Globoplay, mostra que a TV Globo organizou mesa-redonda nos anos 90 com os presidentes das escolas de samba, quase todos banqueiros do jogo do bicho.
Ex-diretor-geral da Globo, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, sempre lúcido nas entrevistas, dá um interessante depoimento: “Hoje seria impossível fazer essa mesa-redonda por causa da baboseira do politicamente correto”.
A Mocidade Alegre, campeã do Carnaval 2026 em São Paulo, chegando ao 13º título de sua história, foi criada por campistas que foram morar na capital paulista nos anos 50.
O nome Mocidade Alegre foi inspirado na Mocidade Louca, a agremiação carnavalesca de Campos pela qual os irmãos Juarez, Salvador e Carlos Cruz, fundadores da escola paulista, torciam.
Os irmãos criaram um bloco, que, anos depois, se tornou a Escola de Samba Mocidade Alegre.
A agremiação terminou em 4º lugar em 2025 e voltou ao topo este ano exibindo um desfile marcado por forte impacto visual.
No amanhecer de uma noite escura, voltando de uma carreata pelo interior, um dos ônibus, com muitos políticos, sai da pista, capota duas vezes e cai em uma vala numa fazenda. O fazendeiro acorda assustado e vai ver o que aconteceu. Ao se deparar com aquela terrível visão, rapidamente começa a cavar um buraco, aonde enterra os corpos. Alguns dias depois, um investigador bate a sua porta e faz várias perguntas sobre o acidente. — E onde estão os políticos? — Eu enterrei eles naquela cova ali! — Mas estavam todos mortos? - questiona o policial. — Bem... alguns diziam que não... mas o senhor sabe como os políticos são mentirosos!
O ano é de eleições. E já começam a pipocar pesquisas de intenção de votos na corrida à Presidência da República e mesmo ao governo do estado do Rio de Janeiro.
Sim, porque pesquisas, com os resultados inseridos na propaganda eleitoral, viraram um instrumento importante para influenciar o eleitor a optar por esta ou aquela candidatura.
É verdade que nem sempre as pesquisas pesam no balanço final, ou seja, no resultado das eleições. Vale lembrar da disputa em Campos para a Prefeitura em 2004, vencida por Carlos Alberto Campista.
Naquelas eleições, surgiu na cidade o Instituto Precisão. Contratado pelo grupo liderado por Anthony Garotinho, o órgão, em todos os trabalhos, sinalizava para uma vitória de Geraldo Pudim.
O resultado todo mundo sabe. Carlos Alberto Campista venceu a disputa, com Pudim, o candidato de Garotinho, ficando em segundo lugar. O mandato de Campista acabou cassado pela Justiça Eleitoral.
Uma nova eleição para a Prefeitura foi realizada em 2006. E mais uma vez o Instituto Precisão entrou em ação. Sinalizava para uma vitória de Pudim. Mas quem venceu foi o médico Alexandre Mocaiber.
Daí que, seja em Campos, ou em qualquer outra cidade, o eleitor precisará novamente não acreditar em qualquer pesquisa. Sobretudo nas que são feitas por órgãos sem histórico na realização de tal trabalho.
O primeiro passo, para atestar uma pesquisa, e dar-lhe credibilidade, é saber quem a realiza. E dependendo de quem encomenda é possível avaliar que não merece crédito.
Pesquisas eleitorais manipuladas à parte,um ponto a ser considerado na eleições deste ano é o uso disseminado da inteligência artificial (IA), quando caberá ao eleitor distinguir o falso do verdadeiro.
A Justiça eleitoral terá que estar atenta. A partir da manipulação com o uso da IA, o perfil de candidatos poderá ser desconstruído de forma anônima, com mentiras sendo espalhadas nas redes sociais.
Conta-se um caso ocorrido com Rui Barbosa que, se não for verdade, é muito bem inventado.
Um dia, ele passava diante de um açougue próximo à sua casa, em Botafogo, no Rio de Janeiro, quando foi interpelado pelo proprietário.
O sujeito virou para Rui Barbosa e falou:
— Doutor Rui, por favor, posso lhe fazer uma consulta?
E Rui, prontamente:
— Pois não
E o açougueiro:
— Se um cachorro entra no meu açougue e come minha carne, quem é que deve pagar meu prejuízo?
— O dono do cachorro — responde prontamente o jurista baiano.
O açougueiro pondera:
— Pois então o senhor me deve o valor de um quilo de filé que os seu cachorro devorou esta manhã.
Rui Barbosa reage prontamente:
— E você me deve o correspondente a dez quilos de filé, que é o preço que cobro pela consulta. O que significa que eu tenho um crédito com você de nove quilos.