Um Rio de portas fechadas
02/05/2019 | 19h52
O jornalista Tiago Coelho, da Revista Piauí, escreveu aqui uma reportagem sobre a crise econômica que atinge o estado do Rio, mostrando dados terríveis como os que constatam a situação do comércio, dando ao estado o título de campeão no fechamento de lojas em 2018.
Ele também traz dados de fechamento de lojas da capital fluminense, de empregos, bem como dados da ocupação hoteleira depois da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016. Confira abaixo a matéria:
UM RIO DE PORTAS FECHADAS
Sem conseguir sair da crise, estado é o que mais fecha lojas em todo o país
* TIAGO COELHO - Revista Piauí
Ao longo de setenta anos de vida, o hotel Novo Mundo, na orla da praia do Flamengo, viveu dias de glória e outros nem tanto. Símbolo de luxo e elegância da antiga capital, recebia em seus leitos presidenciáveis, artistas e atletas da Seleção Brasileira. Vizinho do Palácio do Catete, residência presidencial, viu seu status decair de cinco para quatro estrelas quando a capital federal foi transferida para Brasília. Sobreviveu à transferência dos melhores hotéis da cidade para Copacabana, Ipanema e Leblon. Superou a hiperinflação dos anos 80, o confisco da poupança nos anos Collor e a estagnação econômica do final dos anos 90. Mas sucumbiu à crise atual, que afeta o setor de comércio e serviços. Entre as unidades da federação, o estado é o que mais fecha lojas comerciais; a situação se repete no município.
O prédio de doze andares e 230 quartos encerrou as atividades no último 25 de março com dívidas acumuladas e baixo movimento. O Novo Mundo foi o 13º hotel fechado na cidade desde o fim das Olimpíadas, em 2016. Os grandes eventos sediados no Rio, e que atraíram investimentos públicos e privados, atrasaram a entrada da capital carioca na crise econômica que assolou o país em 2014. Mas depois dos Jogos Olímpicos, tanto a cidade quanto o estado mergulharam numa crise da qual não conseguem sair.
Segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), enquanto o setor apresentou reação no país em 2018, com mais aberturas do que fechamentos de estabelecimentos comerciais em quinze dos 27 estados brasileiros, o Rio teve o pior resultado da federação, enquanto São Paulo obteve o melhor resultado no ranking de abertura líquida de lojas com vínculos empregatícios. No saldo anual, entre o número de lojas abertas e fechadas, São Paulo aparece na primeira posição, com saldo de 3 883 lojas abertas – seguido por Santa Catarina (1 706) e Minas Gerais (940). Já o estado do Rio aparece na última posição, com saldo negativo de 997 lojas fechadas, atrás de Amapá (-142) e Pará (-374).
A tendência não se verifica só na comparação com os estados. Dados da CNC sobre os municípios de São Paulo e Rio mostram que, entre janeiro e julho de 2018, a cidade de São Paulo fechou o período com 899 lojas abertas, enquanto a capital carioca teve 419 lojas fechadas.
Para Fabio Bentes, economista da CNC, a diferença entre a reação dos dois estados à crise está no nível de dependência de cada um deles do setor público, e na contribuição da indústria para o dinamismo da economia.
“São Paulo é menos dependente do setor público que o Rio. O emprego não está tão atrelado ao estado quanto o Rio, um estado em crise, diga-se. Por isso, é natural que São Paulo tenha capacidade de recuperação maior. O segundo ponto é que a economia do estado e da capital de São Paulo conseguem nesse momento tirar proveito de uma demanda maior do mercado externo do que do interno. Durante a recessão, uma saída para indústria foi voltar a atenção para as exportações. Isso ajudou a aquecer a economia, contribuiu para a criação de postos de trabalho e com isso dinamizou o comércio. Já a cidade do Rio de Janeiro é mais dependente do setor de serviços, justo aquele que encontra maior dificuldade em superar a crise e que depende mais do mercado interno que está estagnado”, disse Bentes.
Curiosamente, diz o economista da CNC, a situação é pior na capital: “Se falássemos do fechamento de lojas no estado do Rio, teríamos um quadro um pouco menos dramático do que na capital. No estado você consegue ver indústria de exportação de veículos que não tem na capital, o setor de petróleo que está fora da capital.”
Rodolpho Tobler, economista da Fundação Getulio Vargas e coordenador da Sondagem do Comércio do FGV IBRE, diz que a economia do Rio está num círculo vicioso: “Temos um estado inchado, que não consegue equilibrar suas contas, gasta mais do que arrecada, com uma inflada folha de pagamento do funcionalismo público. Enquanto o estado não conseguir mostrar capacidade para reduzir gastos e equilibrar as contas, não fica atrativo para novos investimentos de empresas. E a crise fiscal também dificulta o pagamento de salários de trabalhadores do setor público, o que ajuda a afetar o poder de compra da população, impactando o comércio. Enquanto o mercado de trabalho estiver lento e a confiança do consumidor for baixa, tudo influencia para que o comércio siga mais devagar do que outros setores”, disse Tobler. “Já São Paulo tem as contas públicas mais equilibradas nesse momento.”
No setor de comércio, em 2018, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a cidade de São Paulo criou 5 928 postos de trabalho, enquanto a cidade do Rio criou 1 108. No setor de serviços, a diferença é ainda maior. O Rio abriu 2 558 postos de trabalho, e São Paulo, 50 033 postos. No setor de hotelaria e alimentação, o Rio fechou o ano com 96 desempregados. São Paulo, por outro lado, fechou 2018 com a oferta de 7 690 vagas.
Em 2014, segundo a Associação de Hotéis do Rio de Janeiro (Abih-RJ), a taxa de ocupação hoteleira na cidade do Rio chegou a 72%. Nos anos seguintes, os números caíram para 66% em 2015. Em 2016, 58%. Em 2017, 52%. E em 2018, 53%.
A partir de dados do Banco Central, o pesquisador Marcel Balassiano, da FGV, analisou a atividade econômica em treze estados brasileiros. Verificou que o Rio de Janeiro foi o único estado que apresentou recuo na Taxa Real Anual de Crescimento, caindo 0,9%. Em seu estudo, assinalou: “A recessão econômica levou a uma considerável redução da arrecadação do ICMS, principal fonte de receita do Estado; queda do preço do petróleo, já que royalties e participação especial do petróleo e gás natural são a segunda fonte mais importante de receita; forte crescimento das despesas com pessoal e encargos sociais; questão previdenciária, com um déficit próximo de 9 bilhões de reais.”
“A reforma da Previdência se mostra importante, inclusive, para o saneamento das contas dos estados e municípios. E para o Rio, em especial, a previdência é até mais importante. Com essa dependência do setor público, o Rio chegou a ficar com grave problema de pagamentos de salários de categorias como policiais e professores. E isso afeta o desempenho da economia como um todo, e do comércio principalmente”, afirma Balassiano.
Rodolpho Tobler disse ainda que a crise política com ex-governadores e parlamentares presos por corrupção é um agravante para o atoleiro em que o Rio se encontra. “O atual quadro político contribui para um ambiente de incertezas para investimentos financeiros no Rio. E a gente precisa superar esse quadro de incertezas para atrair investimentos, aquecer o mercado de trabalho e fazer o comércio do Rio voltar a reagir.”
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Aqui é bem mais caro
02/05/2019 | 14h06
Enquanto a gasolina em Campos varia entre "beirar" os R$ 5,00 e ultrapassar essa barreira, nos postos próximos ao Rio ela pode ser encontrada por cerca de 30 centavos mais barata. Já fora do estado do Rio, praticamente para qualquer estado que você vá, o combustível é muito mais barato.
Confira abaixo uma foto tirada ontem em um posto da Serra Catarinense:
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De volta
02/05/2019 | 13h45
Viajei a lazer no fim de semana passada, retornando hoje. Esperava encontrar um sinal melhor de Internet para manter o blog minimamente atualizado, o que não foi possível. Hoje retomarei o ritmo das postagens, que infelizmente tem sido menor do que eu gostaria, por absoluta falta de tempo.
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Sem opção
26/04/2019 | 22h31
A aprazível cidade fluminense de Bom Jesus do Itabapoana, que no passado chegou a ter três concessionárias de veículos, hoje, depois da crise econômica do país e do estado, não conta com mais nenhuma. A última a baixar as portas foi a da Volkswagen.
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Expandiu
24/04/2019 | 19h46
A Forte Telecom, operadora de telecomunicações original de Cambuci e hoje sediada em Campos, iniciou neste mês suas operações no Nordeste, ao lançar o produto IX Cloud, no Congresso RTI, em Fortaleza, um dos eventos mais esperados pelas empresas de telecomunicações no país.
Atualmente a Forte Telecom é uma das maiores operadoras de telecomunicações do Brasil, com operações nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e, agora, Ceará.
Com a ampliação para o Nordeste, a Forte Telecom interliga, através de cabos ópticos submarinos, sua rede de Fortaleza até Miami, nos Estados Unidos, onde também iniciará operação este ano.
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100%
24/04/2019 | 13h26
Todas as salas do Cine Araújo exibirão o filme "Vingadores", em versão dublada, na programação que entra amanhã. Em uma das salas será em 3D.
Não há outro filme na programação.
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Vai abrir as portas
23/04/2019 | 14h54
Além da unidade em Guarus, anunciada aqui na semana passada, a Drogarias Pacheco irá abrir outra unidade em Campos, no Boulevard Shopping, o principal da cidade. Leitores do blog apontaram a novidade, que foi confirmada com a gestão do shopping. A obra está em andamento e a previsão de inauguração é de 30 a 45 dias.
A rede, que irá para 8 filiais em Campos, tem outras seis unidades na cidade: Praça São Salvador, Rua Lacerda Sobrinho, Boulevard Francisco de Paula Carneiro, todas no Centro; mais duas em direção à Pelinca, sendo uma na Rua Alvarenga Filho e outra na esquina das ruas Voluntários da Pátria e Dr. Siqueira; e a sexta unidade, localizada na Avenida Pelinca.
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Estreia da semana
22/04/2019 | 23h42
O destaque entre as estreias da semana em Campos é "Vingadores: Ultimato". O super blockbuster está programado para estrear quinta-feira, dia do seu lançamento em todo o país, no Kinoplex Avenida, em versões legendada e dublada, sendo a atração única da sala vip. Ele também estará no Cine Araújo, em versão dublada. Ambos os cinemas exibirão sessões de pré-estreia do filme na quarta-feira.
"Vingadores: Ultimato" é o blockbuster mais esperado do ano, sendo o principal candidato a maior bilheteria de 2019. O filme é a sequência de "Vingadores: Guerra Infinita", dono do maior público de 2018, com 14,57 milhões de espectadores, e da maior bilheteria de estreia de todos os tempos no Brasil, com 3,65 milhões de público.
Nesta sequência, após Thanos dizimar metade dos seres vivos do Universo, os Vingadores precisam reunir forças, se recuperar de suas próprias perdas, liderar a resistência contra o titã louco e restaurar a ordem do universo. É o ponto culminante da jornada de 22 filmes, interconectados, da Marvel Studios.
Confira abaixo o trailer:  
Fontes: Adoro Cinema e Ingresso.Com
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Os filmes mais vistos da semana
22/04/2019 | 22h52
Veja abaixo os filmes mais assistidos na cine semana iniciada na quinta-feira passada, 18 de abril, até ontem, domingo, nas 3.064 salas de cinemas de todo o país:
POS. TÍTULO SALAS SEMANA PÚBLICO PÚBLICO ACUMULADO
1
SHAZAM! 407 3 377.242 2.617.771
2
SUPERAÇÃO - O MILAGRE DA FÉ 567 2 373.127 952.455
3
DE PERNAS PRO AR 3 359 2 305.858 973.858
4
A MALDIÇÃO DA CHORONA 312 1 175.300 175.300
5
DUMBO 207 4 141.537 1.712.602
6
CAPITÃ MARVEL 311 7 91.659 8.922.094
7
AFTER 99 2 44.958 238.609
Fonte: ComScore
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Líder
21/04/2019 | 16h02
Em menos de um mês completo no ar, a Folha FM 98.3 assumiu a liderança na cidade no ranking da Radios.Com, que mede a audiência das rádios do estado e do país. A Folha FM é líder geral em audiência em Campos, seja só entre as FMs ou também incluindo as AMs.
A programação da Folha FM tem por objetivo o conteúdo com qualidade, através da grade musical e das informações e notícias, com apoio da redação da Folha da Manhã.
Entre os destaques está o Folha no Ar 1ª Edição, conduzido pelo âncora Marco Antônio Rodrigues e pelos jornalistas Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto, no ar de segunda-feira à sexta-feira, de 07h00 às 08h30.
Se destaca também o Folha no Ar 2ª Edição, capitaneado por Cláudio Nogueira, gerente da rádio e âncora. Ele vai ao ar de segunda-feira à sexta-feira, de 18h10 às 19h00.
Repete-se em Campos o que ocorreu em Macaé, quando a Rádio Hits 99.7 FM estreou em setembro do ano passado e rapidamente assumiu a liderança no mercado, posição que permanece até hoje. A Hits também é do Grupo Folha e assim como a Folha FM é fruto da migração das rádios AM do grupo para FM.
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Sobre o autor

Christiano Abreu Barbosa

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