Garotinho fora do PR?
16/01/2018 | 17h11
A comemoração do ex-governador Anthony Garotinho ao se garantir, através de liminar do ministro plantonista do TSE, à frente do PR no Rio pode não durar muito. Corre nos bastidores da política a informação de que ele estaria próximo de ser retirado da presidência regional. 
Caciques do Partido da República já teriam perdido a paciência diante dos inúmeros escândalos, o mais recente que envolveu diretamente a legenda e o presidente nacional, Antônio Carlos Rodrigues. Não é a primeira vez. Há cerca de um ano, parlamentares teriam chegado a pedir a saído do presidente, mas a turma do "deixa disso" conseguiu acalmar os ânimos.
O martelo já teria sido batido.
A conferir.
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Pezão sanciona lei de Pudim para criação de museu afro-brasileiro
16/01/2018 | 16h38
A Lei 7.851/18, que estabelece diretrizes para a criação de um museu afro-brasileiro na capital fluminense, foi sancionada pelo governador Luiz Fernando Pezão. A medida, publicada no Diário Oficial desta terça-feira (16/1), é de autoria do deputado Geraldo Pudim (PMDB) e determina critérios para a formação do acervo, capacitação da equipe e captação de recursos.
De acordo com o texto, os objetivos do museu são: auxiliar as escolas no ensino da história e da cultura afro-brasileira, conforme determina a Lei Federal 9.394/96, divulgando a contribuição dos afrodescendentes para o desenvolvimento do estado e do Brasil. Uma maneira de garantir que o local seja uma referência de expressão e manifestação cultural do povo negro e de sua história.
“Por que não temos um museu afro-brasileiro capaz de provocar nos visitantes as mesmas reflexões humanistas e antirracistas que o museu dedicado ao Holocausto provoca? A escravidão é o fato histórico mais relevante da história do Brasil. Seus efeitos sociais, culturais e econômicos estão em toda parte. A violência da escravidão durou mais de 300 anos, consumiu a vida de 3 milhões de africanos e de incontáveis descendentes”, argumentou o autor da lei.
O acervo do museu será composto de todos os objetos que possam reconstituir a contribuição cultural e histórica dos afrodescendentes. Para garantir a captação de verba para a criação do museu, o Executivo poderá destinar recursos próprios e celebrar convênios com órgãos públicos federais e estaduais e com entidades sem fins lucrativos da sociedade civil.
A lei é fruto de um substitutivo que incorporou doze emendas realizadas pelos deputados. Entre as mudanças propostas pelos parlamentares, está a que determina que o museu capacite professores e intelectuais para implantarem estudos sobre a escravidão nas instituições de ensino do Rio.
(Fonte: Ascom/Alerj)
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"Que tiro foi esse" na versão Lula
16/01/2018 | 13h41
O novo hit do verão "Que tiro foi esse", de Jojo Todynho, já tomou conta da internet. Ok que é de um gosto duvidoso e tem recebido muitas críticas, até pela violência presente no cotidiano dos brasileiros. Mas viralizou e já ganhou interpretações de famosos, como os filhos dos apresentadores Luciano Huck e Angelica, Giovanna Ewbank pulando na piscina com a filha Titi e o marido Bruno Gagliasso (ela, aliás, saiu em defesa do funk)
Sem perder o (bom) humor, saiu uma versão política, com o ex-presidente Lula estrelando. Polêmicas à parte, está hilário - ou, como diz o funk "um arraso"
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Morre ex-ministro do Exército, o campista Carlos Tinoco Ribeiro Gomes
16/01/2018 | 13h18
Morreu nessa segunda-feira (15), no Hospital do Exército, no Rio, o general do Exército Carlos Tinoco Ribeiro Gomes, aos 90 anos. 
 General Tinoco foi ministro do Exército entre março de 1990 e outubro de 1992, durante o governo do ex-presidente Fernando Collor. Antes, havia sido comandante do Comando Militar do Sudeste (São Paulo).
Homenagem no Palácio Duque de Caxias
Homenagem no Palácio Duque de Caxias / Divulgação
Nascido em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Tinoco ingressou na Escola Militar do Realengo (RJ) em 1946. Ao longo da carreira, recebeu diversas condecorações civis e militares, em várias funções de destaque.
O corpo do general está recebendo as homenagens no Palácio Duque de Caxias e virá para Campos ainda nesta terça-feira. A previsão, segundo familiares, é que ele chegue para o velório no Campo da Paz, por volta das 22h, escoltado por combatentes do exército. Já o sepultamento está previsto para as 10h desta quarta-feira (17), no cemitério do Caju.
(Com informações do G1)
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Rafael troca comando da Guarda Municipal: Sai Bolckau e entra Mariano
16/01/2018 | 11h43
O Diário Oficial de hoje traz a exoneração de Wylliam Carvalho Pacheco Bolckau do comando da Guarda Municipal. Em seu lugar assume Fabiano de Araújo Mariano, superintendente de Postura. 
Já para a Postura ainda não há um novo superintendente designado.
Atualização:
Em nota, a superintendência de Comunicação falou sobre a mudança:
"A Guarda Civil Municipal (GCM) de Campos tem a partir desta terça-feira (16), como publicado em Diário Oficial, o comando do servidor de carreira Fabiano de Araújo Mariano. Com 18 anos de atuação na Guarda, Mariano tem amplo exercício na área. Já comandou a Guarda na Baixada Campista por mais de cinco anos, de 2008 a 2013.
O servidor também esteve na coordenação do verão da praia do Farol de São Thomé de 2014 a 2017. Há quatro anos, atua como superintendente de Postura na cidade.
— Nenhuma mudança deve ser vista como conquista ou derrota e sim como transformação. A busca é por serenidade para ultrapassar os desafios. Até porque, não estou aqui para ser considerado “bom”, estou aqui para ser ético, justo e coerente na busca de uma boa gestão, que some ao governo Rafael Diniz — disse Mariano.
Fabiano Mariano assume a Guarda Civil Municipal no lugar Wylliam Carvalho Pacheco Bolckau, que esteve à frente do comando da Guarda de Campos no ano de 2017".
E acrescentou: "Conforme anunciado na imprensa, recentemente, a Prefeitura de Campos vem passando por readequações em seu quadro administrativo. Estas alterações já estavam previstas".
Fabiano Mariano
Fabiano Mariano / Supcom
 
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Nildo Cardoso desiste da pré-candidatura à Alerj
16/01/2018 | 10h53
Nome tido como certo para disputa à Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), o ex-vereador Nildo Cardoso, hoje superintendente municipal de Agricultura e Pecuária, desistiu da pré-candidatura. 
De acordo com Nildo, ele pretende dedicar-se à Pasta e, em especial, ao projeto do Polo Agroalimentar, que, aliás, começa a ser debatido nesta terça-feira (lembre aqui)
O superintendente vai apoiar um nome em 2018, mas não revelou qual.
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Ministro do TSE mantém Garotinho na presidência do PR
16/01/2018 | 10h38
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Admar Gonzaga, concedeu liminar em Habeas corpus (HC) para manter o ex-governador Anthony Garotinho na presidência do Partido da República (PR). 
Na última quarta-feira (11) o juiz da 129ª Zona Eleitoral de Campos, Ralph Manhães, reafirmou o afastamento de Garotinho da presidência do partido, o que havia sido determinado na mesma decisão que determinou sua prisão, em 22 de novembro do ano passado, dentro da operação Caixa d'água.
O ministro Admar, que em substituição ao ministro de plantão Luiz Fux – que se declarou impedido, reafirmou a decisão concedida em habeas corpus anteriormente e determinou que qualquer medida cautelar imposta ao ex-governador seja revogada.
(A informação é do blog de Ralfe Reis)
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"Bancadas" misturadas na missa de Sto Amaro
15/01/2018 | 16h50
Como todos os anos, os políticos compareceram em massa à Festa de Santo Amaro, na Baixada campista.
No mais tradicional espírito de confraternização, teve o vereador Thiago Ferrugem (PR) no mesmo lado do prefeito Rafael Diniz e parte da bancada de situação.
No lado contrário, tinha a oposição junto com Wladimir Garotinho (PR). Ali também estavam o vereador Igor Pereira (PSB), governista, e o deputado estadual João Peixoto (PSDC). Desafeto de Peixoto, o vereador José Carlos (PSDC) estava ao lado de Rafael.
Vídeo do face do vereador Abu 
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Gilmar Mendes hostilizado por brasileiras em Portugal
15/01/2018 | 00h08
Ainda presidente do TSE, o ministro Gilmar Mendes - que também é membro do Supremo Tribunal Federal - foi hostilizado por brasileiras em Lisboa, Portugal.
O ministro aparece passeando em frente à Livraria Sá da Costa, no bairro de Chiado, quando é abordado pelas mulheres brasileiras. Uma delas afirma: "O senhor é de uma injustiça imensurável. Inclusive, deve estar querendo se disfarçar aqui, andando como um comum dos mortais, coisa que não é". Outra brasileira indaga: "O senhor não tem vergonha do que faz pelo País?" Em outro momento do vídeo, a brasileira diz que "viu o senhor de longe". E acrescenta: "A gente pede pra Deus levar o senhor para o inferno.
Mendes não responde os comentários feitos pelas brasileiras, mas solta um "Ai, meu Deus do céu" e segue caminhando com um sorriso no rosto.
Gilmar Mendes vem enfrentando forte oposição, inclusive dentro do próprio STF, por causa de seu posicionamento com relação a acusados, principalmente no âmbito da Lava Jato. No fim de 2017, o ministro concedeu habeas corpus a vários presos, entre eles a ex-primeira dama do Rio Adriana Ancelmo, o empresário do ramo de ônibus Jacob Barata (por três vezes) e o ex-governador Anthony Garotinho, este último na operação Caixa d'água.
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Eron Simas: investigar quem compra e quem vende voto
14/01/2018 | 11h10
Em entrevista exclusiva - a primeira desde que assumiu a esfera cível-eleitoral oriunda da operação Chequinho - o juiz Eron Simas fala sobre condução das Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), que levaram à condenação de 42 réus, entre eles, a ex-prefeita Rosinha Garotinho. Como efeito das sentenças de Eron Simas, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já cassou o mandato de oito vereadores de Campos, sendo que dois deles - Jorge Magal e Vinícius Madureira - estão recorrendo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas fora dos cargos. O magistrado diz que em todas as sentenças estão demonstradas, de maneira muito clara, as provas que levaram à condenação ou à absolvição. Afirma, ainda, que não parece crível que a ex-prefeita Rosinha ignorasse o que estava acontecendo e diz que a Lava Jato é importante, mas, por si só não é a solução para a corrupção no Brasil.
Folha da Manhã – O senhor assumiu o caso Chequinho no dia 21 de setembro de 2016, no auge da operação e às vésperas da tensa eleição municipal. Assumiu, por determinação do então presidente do TRE, desembargador Jayme Boente, depois que vários magistrados se declararam impedidos. Como recebeu esta “missão”?
Juiz Eron Simas – Para o juiz eleição municipal é sempre um desafio, principalmente em cidades de interior, onde há essa proximidade dos candidatos com os eleitores. Em Campos, pelo histórico de acirramento político, é ainda mais desafiador. Fui pego de surpresa com a nomeação, que ocorreu devido a licença-médica de uma colega, mas logo que comunicado procurei tomar par do que estava ocorrendo, resolver o que havia pendente e manter a tranquilidade para cumprir a tarefa da melhor maneira possível.
Folha – No dia seguinte, o senhor proferiu sua primeira decisão no caso: Suspendeu, até as eleições, o Cheque Cidadão para cadastrados a partir de junho daquele ano. Na decisão, destaca a importância do programa social, prova documental indicava que passou a haver componente político, “tornando-o ferramenta de campanha eleitoral”. Já naquele momento identificava-se isso?
Juiz Eron Simas – É. Naquele momento as investigações ainda estavam no início, mas já era possível verificar que havia algo de errado. Além do número de beneficiários do Cheque Cidadão ter aumento consideravelmente num curto período, as listas encontradas na em-presa responsável pela confecção dos cartões indicavam um número ainda maior de pessoas inscritas. Foi essa diferença alarmante e até então inexplicada que chamou a atenção e que gerou suspeita. No entanto, mesmo diante deste cenário, busquei preservar as pessoas que já recebiam o Cheque Cidadão há mais tempo, porque elas nada tinham a ver com essa situação. E nós sabemos que no final são essas pessoas mais humildes, que realmente dependem do benefício para viver, que acabam sofren-do. Quis preservá-los disso e focar apenas nos beneficiários inscritos de última hora, isto é, nos meses próximos às eleições.
Folha – Por incontáveis vezes na esfera criminal-eleitoral da Chequinho, o ex-governador Garotinho, a então prefeita Rosinha e os demais réus contestaram a presença do juiz Ralph Manhães no processo. De certa forma o senhor foi mais “poupado”. Os ataques não eram tão diretos, embora houvessem. Como vê este posicionamento dos políticos envolvidos no caso?
Juiz Eron Simas – Infelizmente, esse é um comportamento que tem se tornado frequente. Isso faz me lembrar uma de frase de Millôr Fernandes. Em uma de suas tiradas sarcásticas, Millôr se questionava: “Como posso confiar numa justiça que não me dá razão?” No entanto, descontentamento com decisão judicial resolve-se pela via do recurso, jamais por ataques pessoais ao juiz, com o intuito de pôr em xeque a sua integridade e a sua imparcialidade de forma infundada.
Folha – No decorrer do processo, o senhor recebeu algum tipo de pressão? Alguma ameaça, mesmo que velada?
Juiz Eron Simas – Nunca recebi qualquer tipo de pressão, nem de ameaça.
Folha – Foram 38 Aijes e apenas um dos réus não condenado – Wellington Levino. A teoria da “perseguição” alegada pelo casal Garotinho é derrubada por este número de ações e 42 réus?
Juiz Eron Simas – Na verdade, a tese de perseguição que eles sustentam é porque todos os condenados seriam do seu grupo político. Mas posso afiançar, ao menos que diz respeito à minha atuação – e só posso falar por mim –, que sempre conduzi e julguei os processos com absoluta imparcialidade. Não julguei nenhum dos réus a partir da aproximação política que tem com A ou B. Em todas as sentenças estão demonstradas, de maneira muito clara, as provas que levaram à condenação ou à absolvição. As partes e o público em geral têm o direito de discordarem da sentença, mas nunca poderão dizer que decidi de tal ou qual forma para prejudicar ou favorecer quem quer que seja.
Folha – Além das provas testemunhais, havia os documentos apreendidos e que demonstraram o au-mento de beneficiários: Oficialmente, entre março e agosto, passou de 11.542 para 12.954. Extraoficialmente, em uma lista da Trivale/Valecard, para 30.469. Mais de R$ 6 milhões repassados pela Prefeitura à empresa em um único mês, enquanto se fosse pelo oficial seria cerca de R$ 2,6 milhões. Essa sangria nos cofres públicos era muito aparente, difícil não enxergar, correto?
Juiz Eron Simas – Eu acho difícil não enxergar, sobretudo pelo considerável aumento de repasse num momento em que se dizia de crise financeira. De qualquer forma, essa questão ainda será levada à apreciação do TRE e, possivelmente, ao TSE, de sorte que não me sinto à vontade tecendo considerações específicas e alongadas sobre o mérito de recurso ainda pendente de julgamento. Também não sou de fazer ode às minhas decisões.
Folha – Como o senhor mesmo diz na sentença “o conjunto probatório também não deixa qualquer dúvida de que a inscrição indiscriminada e clandestina de novos beneficiários no programa social Cheque Cidadão tinha por objetivo servir como moeda de troca por voto em benefício dos candidatos aliados do grupo político que estava à frente da administração municipal”. Acha que essa quantidade de provas era uma demonstração de crença na impunidade?
Juiz Eron Simas – Tenho para mim que sim. Até bem pouco tempo o pensamento reinante era o de que em eleição podia-se fazer tudo. Aliás, há a célebre frase de uma ex-presidente da República de que em hora de eleição pode-se (podia-se) fazer o “diabo”. Contava-se muito – e que devemos fazer uma mea-culpa – que eventuais abusos, se descobertos, dariam em processos que se arrastariam por anos na Justiça Eleitoral. Hoje o cenário está bem diferente e devemos lutar para permaneça assim. Digo mais: devemos avançar para começar a investigar e punir também os que vendem o seu voto. Atualmente, há uma caçada contra os políticos por corrupção eleitoral – o que é salutar, mas um aparente esquecimento de um sem número de pessoas que fomentam esse comportamento. Não podemos tratar o eleitor que troca o seu voto por “carrada de areia”, por “milheiro de tijolos” e por cargos comissionados para parentes como vítimas. Essas pessoas são tão responsáveis quanto os candidatos. Não podemos esperar uma reforma política sem a correspondente e necessária mudança daqueles que são os responsáveis por prover esses cargos.
Folha – Na sentença da Aije principal, o senhor cita sobre a participação da então prefeita Rosinha: “...ingênuo supor que a investigada ignorava a compra de votos com o Cheque Cidadão. A magnitude do esquema, por si só, rechaça qualquer raciocínio que tente trilhar por esse caminho”. E, em outro trecho: “Quanto a ela também são duas as hipóteses possíveis, ambas conducentes à sua responsabilidade. Ou a então Prefeita avalizou a realização da fraude eleitoral por meio da distribuição irregular de Cheque Cidadão ou, ao menos, permitiu que essa ilegalidade fosse cometida, por me-ses, fazendo vista grossa”. Em uma terceira vez: “Em conclusão, reitera-se, quanto à investigada Rosângela Rosinha Garotinho Barros Assed Matheus de Oliveira, não é crível, nem lógico, que tenha sido alijada do processo decisório que resultou no esquema fraudulento com o programa Cheque Cidadão. De outro lado, mesmo que se admita, por suposição, essa possibilidade, não há como escapar do juízo de responsabilidade que advém de sua flagrante omissão, ao permitir tamanha violação aos cofres públicos do Município que comandava”. Era pontuar exatamente a participação da ex-prefeita no esquema?
Juiz Eron Simas – Exato. Não me pareceu crível que ela desconhecesse tudo o que estava ocorrendo. De toda forma, repito aqui, essa questão será analisada pelo TRE e talvez pelo TSE. Assim, não me sinto à vontade para comentar sobre detalhes.
Folha – O TRE tem confirmado todas as sentenças da Chequinho, o que resulta na cassação dos mandatos e o consequente afastamento dos condenados. O TSE já confirmou a sentença de um deles. Os demais ficarão para 2018, o TSE já sob a pre-sidência do ministro Luiz Fux. Na primeira prisão do ex-governador Garotinho, ele chegou a dizer que o TSE concedeu Habeas corpus pela “fragilidade” da prova que levou à prisão preventiva. Como avalia que o TSE deverá se comportar nos casos da Chequinho no próximo ano?
Juiz Eron Simas – Não há como fazer qualquer prognóstico. Como se diz, cada cabeça é uma sentença. Para agravar, o julgamento é colegiado. Há que se considerar, ainda, que os processos envolvem a valoração de provas, o que permite interpretações diversas. O mais importante é mantermos a confiança na lisura e imparcialidade dos julgamentos. Não podemos apenas aplaudir quem concorda conosco e pôr em dúvida a integridade de quem decide de forma diferente. Infelizmente, isso tem ocorrido.
Folha – A eleição do ano passado foi a primeira depois da operação Lava Jato já devidamente consolidada, com os efeitos já percebidos e confirmados através de prisões e condenações. A operação também já estava em andamento no Rio. A Lava Jato, sem dúvidas, é um divisor de águas na Justiça brasileira. Acha que os políticos têm consciência disso? De que o Brasil que existia antes dela acabou?
Juiz Eron Simas – Veja bem: sou um pouco pessimista em relação a isso. Acho que ainda é muito cedo para asseverarmos que o Brasil que existia antes da Lava Jato acabou. Não po-demos esquecer que os esquemas de corrupção continuaram mesmo com a operação todos os dias nas primeiras páginas dos jornais. Além disso, são mais de 500 anos de uma cultura política carregada de vícios. É ilusão acreditar que em três anos esse problema estará resolvido. A mudança dependerá, em muito, das nossas escolhas nas próximas eleições. Mas com cuidado redobrado. Se fizermos um paralelo com a Itália, vamos observar que foram os resultados positivos da Operação Mãos Limpas que criaram o cenário para a ascensão de Silvio Berlusconi e o resultado dessa história nós conhecemos. Então, em resumo, acredito que a Operação Lava Jato foi importantíssima, mas, por si só, não é a solução. O Judiciário, apesar dos ataques que vem sofrendo da classe política, deve continuar firme na sua missão de combate à corrupção. E, para finalizar, embora digam que elogio em boca própria é vitupério, deve-se reconhecer que nesse quesito a Justiça de Campos dos Goytacazes tem se destacado.
Folha – No final do ano, o vazamento de um áudio atribuído ao juiz Glaucenir Oliveira acabou repercutindo na imprensa e no meio político e jurídico. Até o momento, ele responde em três frentes: Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Corregedoria Geral da Justiça Eleitoral movidas pelo ministro Gilmar Mendes e inquérito da Polícia Federal. Como o senhor viu o episódio?
Juiz Eron Simas – Prefiro não comentar sobre esse assunto.
Folha – Em um julgamento no TSE, em abril do ano passado, o então ministro Hermann Benjamin falou, de maneira irônica, que deveria ser muito difícil atual em Campos porque: “juiz não presta, promotor não presta, polícia não presta”. Quinta-feira, durante visita do presidente do TRE, desembargador Fonseca Passos, à cidade, os juízes eleitorais relataram a dificuldade de conduzir processos aqui na cidade. É realmente difícil atuar aqui?
Juiz Eron Simas – A observação feita por Sua Excelência, o ministro Hermann Benjamin, referia-se – de fato em tom irônico – a algumas queixas e acusações feitas por determinados réus a autoridades que participaram da Operação Chequinho. Mas, no geral, ser juiz em Campos é como ser Juiz em qualquer outro lugar. A peculiaridade daqui é esse intenso e constante embate de forças políticas, do qual o magistrado deve estar ciente e cuidar para que não influencie na sua atuação. Isso exige equilíbrio e sangue frio.
Folha – Qual sua impressão da reunião com desembargador Fonseca Passos (presidente do TRE, que esteve em Campos quinta-feira, dia 11)? O que se pode esperar da próxima eleição?
Juiz Eron Simas – A reunião destinava-se apenas a Juízes que estão em exercício da Justiça Eleitoral, o que não é mais o meu caso. Por isso, não participei. Passei apenas ao final para cumprimentar o presidente, Des. Fonseca Passos, e o corregedor, Des. Carlos San-tos. Quanto à próxima eleição, são eleições gerais, de modo geral, mais tranquilas do que as eleições municipais. Mas seja como for, a população pode esperar uma Justiça Eleitoral atuante, presente, e muito atenta a toda e qualquer ação que busque influenciar indevidamente na disputa entre os candidatos.
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Suzy Monteiro

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