Moradores encontram dificuldade ao pedir resgate de gambás em Campos
Gabriel Torres - Atualizado em 14/10/2026 08:59
A presença de gambás em áreas residenciais tem sido constante
A presença de gambás em áreas residenciais tem sido constante / Divulgação/ GCM
A presença de gambás em áreas residenciais tem gerado demanda pelo serviço de resgate em Campos. Mas os moradores têm encontrado dificuldade ao solicitar a remoção do animal. Segundo a Prefeitura de Campos, a orientação é procurar o Corpo de Bombeiros, já que o resgate não é mais realizado pelo Grupamento Ambiental. A situação foi questionada pela ativista de Direito Animal, Thaís Tostes.
Embora não representem riscos aos humanos, os gambás causam incômodo à população ao invadir os quintais das casas durante a noite para procurar abrigo e comida. A situação acontece com o cirurgião-dentista aposentado Marco Antonio Barcelos, morador do Parque Leopoldina, que não conseguiu o serviço de resgate dos animais ao procurar órgãos municipais e o Corpo de Bombeiros.
“Três casas após a minha tem uma casa abandonada com gambás. Uma gambá teve filhotes dentro do saco de carvão e, quando fomos limpar, saíram a mãe e cinco filhotes. Durante a noite, na hora que dormimos, o quintal fica cheio deles. Na câmera já flagramos cinco gambás adultos e cinco filhotes. Neste dia, do saco de carvão, a mãe gambá quis atacar minha esposa. Além disso, eles reviram tudo e vão comer fruta de carambola”, contou Marco Antonio.
Thaís Tostes, jornalista e pós-graduanda em Direito Animal, comentou a falta de resgate aos animais silvestres, entre eles o gambá, e cobrou medidas da administração municipal para a regularização do serviço. Para ela, um município com a dimensão populacional de Campos deveria ter maior atenção às políticas de proteção ambiental.
“Campos é uma cidade com mais de meio milhão de habitantes, cortada por duas rodovias federais, com uma quantidade absurda de atropelamento de animais silvestres. Além disso, temos perda de habitat, jacarés e capivaras nos valões e córregos, e gambás entrando em residências e precisando de resgate. É preciso que se faça um termo de cooperação técnica para conseguir a autorização para o resgate. O setor ambiental de Campos vive um desmonte sem os resgates”, afirmou Thaís, que coordena um projeto de resgate e amparo a animais vítimas de violência e abandono.
A Prefeitura de Campos informou que o Grupamento Ambiental (GAM) não realiza mais resgates e orientou que, havendo necessidade, a população deve entrar em contato com o Corpo de Bombeiros. A corporação foi procurada pela equipe de reportagem para saber se realiza o serviço em Campos, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
No início do ano, a Guarda Civil Municipal informou que estava estudando a regularização da situação junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com o intuito de conseguir a habilitação para o manejo de animais silvestres. O processo envolve trâmites burocráticos e a indicação de estabelecimento veterinário responsável pelos cuidados com as espécies resgatadas.
Segundo o Ibama, a autorização é necessária para procedimentos de captura e manejo decorrentes de ações planejadas que envolvam uso autorizado, controle populacional ou conservação da fauna. Já em ações emergenciais, nas quais exista risco para a integridade dos animais ou de seres humanos, a autorização prévia não é solicitada, sendo necessária a capacitação dos profissionais e a entrega dos animais à instituição apta e autorizada a recebê-los.

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