Niterói proibiu a publicidade de apostas esportivas em espaços públicos. Segundo a Prefeitura, a decisão busca reduzir especialmente a exposição de crianças e adolescentes à publicidade e considera os riscos associados ao jogo compulsivo. De Campos, a psicóloga e psicopedagoga Tatiana Maciel alertou que a exposição precoce é preocupante, pois eles estão em processo de desenvolvimento emocional, cognitivo e de capacidade de avaliar riscos e consequências.
A medida foi oficializada pelo prefeito Rodrigo Neves por meio de decreto e o prazo máximo estabelecido para a retirada de anúncios que estejam em desacordo com as novas regras acaba neste sábado (19). A proibição alcança diferentes formas de divulgação das empresas de apostas, incluindo marcas, nomes empresariais, plataformas digitais, sites, aplicativos, promoções, campanhas, bônus e premiações.
“A expansão das apostas on-line é uma realidade que exige responsabilidade do poder público. Não podemos naturalizar uma publicidade que chega diariamente às nossas crianças e aos nossos jovens e que pode estimular comportamentos capazes de gerar dependência, endividamento e sofrimento para muitas famílias”, afirma o prefeito Rodrigo Neves.
A psicóloga e psicopedagoga Tatiana Maciel, que trabalha com crianças e adolescentes, alerta que a exposição precoce às apostas é preocupante. “Do ponto de vista psicológico, essa exposição pode favorecer a busca por recompensa imediata, impulsividade e uma percepção distorcida sobre dinheiro, risco e probabilidade de ganho. Também precisamos considerar possíveis impactos sobre ansiedade, relações familiares, desempenho escolar e comportamento”, explicou.
Segundo Tatiana, é importante que medidas como a proibição estejam acompanhadas de fiscalização e ações educativas. Ela destaca que as medidas estejam alinhadas à legislação vigente, como o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece diretrizes rigorosas para redes sociais, jogos eletrônicos, aplicativos e serviços de tecnologia. Ela acredita em uma estratégia que envolva proteção, educação e prevenção.
“Precisamos fortalecer a educação financeira e digital, ensinando a compreender conceitos como dinheiro, risco, probabilidade, consumo e recompensa. Trabalhar com as famílias. Muitas vezes, a prevenção começa com diálogo e acompanhando o que eles estão consumindo no ambiente digital. As escolas também têm um papel fundamental. Não apenas para falar sobre apostas, mas para desenvolver pensamento crítico, autocontrole, tomada de decisão e tolerância à frustração”, disse.
Para a psicóloga, é fundamental ampliar a fiscalização das plataformas e da publicidade digital, visto que neste ano novas regras federais reforçaram a proteção de crianças e adolescentes, incluindo restrições à publicidade direcionada a esse público e medidas relacionadas ao acesso digital.
A Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Infância e da Juventude de Campos foi procurada pela reportagem e informou que analisa o tema.