A menos de 15 dias para as urnas, as ruas seguem frias, mas as redes sociais estão quentes
Hevertton Luna - Atualizado em 19/09/2026 08:18
Campanha de Ruas no cruzamento entre a Av. 28 de Março e Av. José Alves de Azevedo
Campanha de Ruas no cruzamento entre a Av. 28 de Março e Av. José Alves de Azevedo / Rodrigo Silveira
A menos de 15 dias das eleições, a movimentação dos candidatos nas ruas de Campos chama atenção pela baixa intensidade. Caminhadas, carreatas, bandeiras e o tradicional corpo a corpo parecem dividir cada vez mais espaço com uma campanha que migra para as telas. Para Adriano Parreira, advogado e assessor eleitoral, e Jônatas Manhães, especialista em marketing político, por diferentes motivos, a presença digital dos candidatos vem se tornando cada dia mais relevante eleitoralmente.
No imaginário popular, a eleição é momento que os candidatos colocam o “bloco na rua”, mas esta memória tem ficado em um passado distante. De acordo com Adriano, a pandemia foi um momento de ruptura das estratégias eleitorais.
“A partir de 2018, com a eleição de Bolsonaro, tivemos uma ruptura no modo tradicional de fazer campanha no Brasil: as redes sociais entraram em cena. A pandemia (de Covid-19) foi fundamental para potencializar ainda mais a importância dessa “campanha digital” em detrimento da presencial” avaliou o advogado.
Considerando os dados levantados pela Folha da Manhã, nesta quinta-feira (17), sobre a presença dos candidatos ao governo do Estado do Rio no Instagram, atualmente a rede social mais utilizada pelos eleitores: Eduardo Paes (PSD) tem cerca de 1 milhão de seguidores, André Marinho (Novo), 381 mil; Anthony Garotinho (Republicanos), 346 mil; Douglas Ruas (PL), 213 mil; William Siri (Psol), 69.700; Coronel Busnello (Missão), 58.800; Juliete Pantoja (UP), 12.000; Cyro Garcia (PSTU), 4058; e Luan Monteiro (PCO), 630.
Jônatas acredita que as estratégias dos candidatos para o pleito estão se diversificando.
“Tenho acompanhado uma mudança muito clara na forma como candidatos e equipes distribuem energia, recursos e comunicação. O digital deixou de ser apenas um complemento da campanha de rua. Em muitas estratégias, ele passou a ocupar uma posição central”, explicou o especialista em marketing político.
Também chama atenção a quantidade de publicações dos candidatos no período eleitoral: Garotinho fez 479 posts, Siri, 202; Ruas, 158; Paes, 147; Pantoja, 138; Busnello, 69; Marinho, 61; Garcia, 45; e Luan, 2.
Para Adriano, a rua e o digital devem andar de braços dados.
“Um acontecimento em uma caminhada pode virar vídeo, corte, story, card e circular em grupos de WhatsApp ainda no mesmo dia. O candidato consegue conversar diretamente com o eleitor sem depender exclusivamente de grandes estruturas físicas para fazer sua mensagem chegar”, frisou o assessor.
Jônatas apontou que ainda existem obstáculos em fazer o digital chegar às urnas.
“O desafio do marketing político moderno é justamente transformar o alcance digital em reconhecimento, reconhecimento em preferência, preferência em mobilização e, finalmente, em voto”, concluiu o especialista.

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