Caso Letycia completa 3 anos nesta segunda e segue sem nova data de julgamento
Rafael Khenaifes 02/03/2026 11:47 - Atualizado em 02/03/2026 15:15
Caso Letycia
Caso Letycia / Reprodução
Nesta segunda-feira (2), o assassinato de Letycia Peixoto e do bebê Hugo completa 3 anos. O caso que chocou a população campista próximo do Dia Internacional da Mulher segue sem solução e aguardando julgamento dos acusados de envolvimento no crime, que precisou ser remarcado no ano passado devido a diversos pedidos de recursos.
O advogado assistente de acusação, Márcio Marques, deu mais detalhes de como está a situação do processo neste momento, que se encontra em períodos de recursos em andamento. 
"Atualmente o processo do caso Letícia Peixoto e Hugo Peixoto encontra-se com recursos em andamento. Em razão de um ter recorrido para o Tribunal de Justiça e a outra parte ter recorrido para o STJ, o processo foi desmembrado. O recurso para o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro trata-se de um incidente de desaforamento. A finalidade do desaforamento é tentar tirar o julgamento de Campos e jogar para uma outra comarca porque eles acham que a imprensa está massificando demais o caso e que isso poderia prejudicar e influenciar os jurados. Mas nós sabemos que é muito difícil de ocorrer o desaforamento", explicou.
Ele contou a situação dos envolvidos no crime que chocou Campos e região perante a Justiça e também afirmou que houve mais um recurso negado, aberto pela defesa de Diogo, acusado de ser o mandante do crime. Desde que foi preso, ele segue tentando maneiras de tentar recorrer à decisão. 
"Esse desaforamento são os dois executores, o condutor da moto e o atirador, e o intermediário são os três que fazem parte desse desaforamento, já o Diogo entrou com recurso para Brasília, dois recursos, e semana passada teve uma decisão da ministra relatora não conhecendo o recurso. Então, por hora, o recurso do Diogo em Brasília não logrou êxito. Eu vou ter que analisar novamente, consultar novamente o recurso no STJ para saber se a defesa do Diogo entrou com um novo recurso, que a gente chama de recurso do recurso. Se entrou com um novo recurso para forçar o julgamento perante o colegiado, perante todos os ministros, já que essa decisão de não conhecimento foi apenas da ministra relatora", enfatizou.
Marques ainda desmembrou o que pode acontecer com os envolvidos daqui para frente, falando sobre suas expectativas para o processo. 
"Nós esperamos que esses recursos acabem ao mesmo tempo para que os processos retornem juntos para Campos, para que eles sejam remembrados e para que nós possamos fazer um único plenário do tribunal do júri. Se cada um vier de uma vez, provavelmente o juiz de Campos vai dar uma segurada, vai jogar para uma data mais futura, daqui a uns três meses, quatro meses para realizar o julgamento, para dar tempo do outro recurso que ainda não deu tempo de acabar para poder tentar fazer o remembramento", ressaltou.
A única informação passada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) é que está sendo aguardado o julgamento do pedido de desaforamento do processo, feito pela defesa de um dos réus, para que nova data do julgamento, que aconteceria no ano passado, seja remarcada. 
O caso aconteceu em 2023
No dia, Letycia estava no carro da empresa em que trabalhava conversando com sua mãe, que estava do lado de fora do veículo, na rua Simeão Scheremeth, próximo à Arthur Bernardes, quando, por volta das 21h, as duas foram surpreendidas por dois homens em uma moto.
O carona disparou diversos tiros na direção da gestante, que foi atingida na face, no ombro, na mão esquerda e no tórax. A mãe de Letycia, por instinto, chegou a correr em direção aos criminosos, momento em que foi atingida na perna esquerda. Câmeras de segurança flagraram o momento do assassinato.
Também no momento do crime, Letycia deixava a tia-avó Simone Peixoto, de 50 anos, em casa, após um passeio de carro que fazia sempre com ela para acalmá-la. No banco do carona, Simone, que tem Síndrome de Down, ficou coberta de sangue e a família diz que ela chora o tempo inteiro. Segundo o tio de Letycia, eles chegaram a pensar que a Simone havia sido baleada, mas se tratava de grande quantidade de sangue de Letycia após ser atingida.
As duas foram socorridas pelo tio da gestante e levadas para o Hospital Ferreira Machado (HFM), onde Letycia morreu logo após dar entrada. Uma cesariana de emergência foi realizada e o bebê transferido para a UTI neonatal da Beneficência Portuguesa, mas ele não resistiu e morreu horas depois. Já a mãe da gestante foi atendida, fez exames e recebeu alta.

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