Atraso de obra na RJ 238 reflete no desgaste de ruas em Campos
Matheus Mesquita 24/01/2026 08:14 - Atualizado em 24/01/2026 08:18
Buracos na Arthur Bernadaes e Beira valão
Buracos na Arthur Bernadaes e Beira valão / Foto: Rodrigo Silveira
A Prefeitura de Campos tem acompanhado o aumento da circulação de veículos pesados, como carretas e bitrens, em vias urbanas do município e alerta para os impactos diretos sobre a mobilidade e a conservação do pavimento. O impacto do tráfego pesado em corredores urbanos foi registrado em relatório fotográfico da Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo e Mobilidade, elaborado a partir de inspeções na Avenida Arthur Bernardes e Estrada do Carvão.
O documento aponta que, durante períodos em que a RJ 238, conhecida como Estrada dos Ceramistas, esteve em obras, parte do fluxo de caminhões pesados com destino ao Porto do Açu passou para a avenida, contribuindo para o desgaste precoce do pavimento em diferentes trechos.
A presença constante de veículos pesados em corredores com semáforos, conversões e grande fluxo de carros e pedestres tende a provocar retenções, ampliar congestionamentos e elevar o risco de ocorrências, especialmente em trechos comerciais e residenciais.
Para o subsecretário de Mobilidade, Sérgio Mansur, o problema se agrava porque grande parte das ruas e avenidas da malha urbana não foi dimensionada para suportar tráfego contínuo de carga de grande porte. “O esforço feito pelas rodas no pavimento é muito alto e fica ainda mais intenso nos momentos de frenagem e arrancada na abertura do semáforo, além das curvas e manobras. Isso acelera o desgaste do asfalto, provoca trincas, deformações e buracos e reduz a vida útil da via, principalmente em períodos de chuva, quando a infiltração de água agrava ainda mais a situação”, explica.
A Prefeitura reforça que o Município buscou ordenar essa circulação por meio da Portaria do IMTT nº 21 de 2025, publicada no Diário Oficial, que estabeleceu regras para o tráfego de veículos de carga rígidos ou articulados com mais de quatro eixos em vias sob circunscrição municipal e previu exceções para atendimento a estabelecimentos comerciais dentro do município, além de orientações de trajeto mais compatíveis com o porte dos veículos. No entanto, a Prefeitura destaca que os caminhões voltaram a circular pelas vias urbanas.
A gestão municipal aponta que a situação é agravada por atrasos sucessivos nas obras da RJ 238, cuja execução é de responsabilidade do Governo do Estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem. Segundo informação do próprio DER, a entrega da obra, que antes estava prevista para o final do segundo semestre de 2025, teve novo adiamento e passou a ser estimada para o primeiro semestre de 2026.
A Secretaria Municipal de Obras informa que esse padrão de circulação acelera a fadiga do pavimento e eleva a necessidade de serviços corretivos, com impacto direto na rotina de moradores, comerciantes e motoristas, além de aumentar o volume de intervenções de manutenção em corredores com grande circulação diária.
Segundo a Procuradoria Geral do Município, a avaliação é de que já há condições operacionais para o desvio do tráfego pesado para a RJ 238, o que reforça a necessidade de reorganização local da circulação.
Motoristas que passam pela Avenida Arthur Bernardes e Beira Valão, em Campos, também reclamam. Segundo eles, têm enfrentado dificuldades devido a diversos buracos ao longo da via. De acordo com relatos, os buracos teriam sido provocados principalmente pelo intenso fluxo de caminhões que circulam pela avenida. "É preciso uma solução, o trânsito na Arthur Bernardes está sufocado e a via se enchendo de buracos", disse o motorista João Victor Vicente.
A falta de manutenção tem gerado reclamações constantes de moradores e trabalhadores da região. “A prefeitura está fazendo pouco caso. Tem buraco aqui que já está há mais de 15 dias e nada foi feito. Os carros passam, caem nos buracos e só piora com a chuva”, afirma Júlia Santos, que trabalha na área de Beira Valão.
Com informações de assessoria

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