Primeiro repasse de royalties do ano com queda para os municípios da região
Mário Sérgio Junior - Atualizado em 24/01/2026 08:05
Plataforma de petróleo
Plataforma de petróleo / Divulgação
O primeiro repasse de royalties do ano pelo regime de concessão foi efetivado nessa quinta-feira (22) com queda para os municípios produtores de petróleo e gás do Norte Fluminense. Nos cofres da Prefeitura de Campos, foram depositados R$ 32.629.748,88, valor 8,7% inferior aos R$ 35.735.362,34 de dezembro de 2025. Em comparação com janeiro de 2025, quando foram depositados R$ 42.221.609,75, o repasse deste ano foi 22% menor.
Para o município de São João da Barra, foram pagos neste mês R$ 10.641.349,36, enquanto em dezembro o repasse foi de R$ 12.218.804,28 mostrando uma queda de 12,9% neste mês. Em janeiro de 2025, o repasse foi de R$ 17.626.968,41.
Já para Quissamã, o repasse apresentou baixa de 12,3%, recebendo o valor de R$ 7.574.793,72. Em janeiro de 2025, o repasse foi de R$ 12.330.274,80.
Detentor da maior parcela de royalties entre os municípios da região, Macaé registrou queda de 11,4% no depósito deste mês (R$ 57.701.561,94) sobre o pagamento de dezembro (R$ 65.154.412,83). Em comparação com janeiro de 2025, quando o município recebeu R$ 75.085.493,28, o repasse deste mês teve uma queda de 23%.
Ainda no Norte Fluminense, Carapebus recebeu R$ 4.879.698,34, uma queda de 19,5% em relação a dezembro (R$ 6.059.507,45). Já São Francisco de Itabapoana teve queda de 16,6% neste mês (R$ 2.625.555,08), em comparação com dezembro (R$ 3.149.196.32).
O superintendente de Petróleo, Gás e Tecnologia de São João da Barra, Wellington Abreu, destacou que a queda nos royalties se deve ao preço mais baixo do petróleo e a menos produção nos principais campos. entre outros fatores.
— A queda nos royalties creditados nessa quinta e a perspectiva de nova redução em fevereiro não são fruto do acaso. Elas resultam de uma combinação clara e objetiva de fatores que se manifestaram no fim de 2025: preço mais baixo do petróleo e menor produção nos principais campos do país, paradas de plataformas e greve. Em novembro, o Brent recuou em relação a outubro, reduzindo a base de cálculo dos repasses. Ao mesmo tempo, houve queda significativa de produção em campos estratégicos, como Roncador, Tupi e Búzios. No Norte Fluminense, esse impacto foi agravado por um fator decisivo: a paralisação da plataforma P-52, no campo de Roncador, após um vazamento de gás. A P-52 é a unidade de maior peso produtivo do campo. Sua paralisação, sem retomada plena até agora, compromete o volume produzido e atinge diretamente municípios que dependem da Bacia de Campos, como São João da Barra e Campos dos Goytacazes. Atingiu este repasse de janeiro e também impactará o mês de fevereiro e março. Sem contar com a greve ocorrida em dezembro. Todo primeiro trimestre está comprometido com queda — afirmou Abreu.
Ele destacou que o cenário vai além dos números. “A turbulência geopolítica global, intensificada pelas decisões do governo americano desde eleição em 2024, vem gerando instabilidade nos mercados. O episódio envolvendo a Venezuela é apenas a ponta do iceberg. Há uma pressão clara por preços mais baixos do petróleo, com discursos que apontam para um Brent na casa dos US$ 50. Somado a isso, ainda pairam incertezas jurídicas no Supremo Tribunal Federal, que podem impactar receitas futuras. Diante desse quadro, 2026 exige responsabilidade, cautela e planejamento. Royalties não podem ser tratados como receita garantida em um mundo cada vez mais instável”, concluiu. (M.S.)

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