Júlia Alves, Rafael Khenaifes e Eder Souza
10/12/2025 07:45 - Atualizado em 10/12/2025 08:58
Foto: Rafael Khenaifes | Reprodução - Montagem Folha da Manhã
Um feminicídio registrado na segunda-feira (8) chocou a população de Campos pela brutalidade e pela recorrência dos casos. Amanda dos Santos Souza, de 26 anos, foi assassinada a pedradas dentro de casa, no Parque do Prado, na área da Penha. O principal suspeito é o ex-companheiro dela, que foi preso na tarde de terça-feira (9), em Grussaí, em São João da Barra. Em apenas cinco dias, outros dois crimes contra mulheres foram registrados na cidade: uma tentativa de feminicídio e uma execução na rua em plena luz do dia.
No caso do feminicídio no Parque Prado, a delegada titular da 134ª DP, do Centro de Campos, Carla Tavares disse que as diligiências para encontrar suspeito do crime do feminicídio de Amanda foram ininterruptas. Há a informação de que ele havia deixado a prisão 15 dias antes do crime. Amanda foi encontrada já sem vida dentro da residência, com sinais de agressão por pedradas e marcas de queimadura. Ela deixa quatro filhos.
No sepultamento, na manhã de terça-feira (9), no cemitério Campo da Paz, parentes e amigos estavam sob muita comoção com ma morte de Amanda. Em depoimento ao Folha 1, a irmã de Amanda contou que a família tentou alertá-la sobre o comportamento do ex-companheiro.
"Lamento muito porque é a minha irmã mais nova e bate a revolta [...] falei que não era a primeira vez que ele fazia isso. Mas sabe como que é, a mulher acha que o homem nunca vai ter coragem de fazer. E ele teve coragem, infelizmente. A minha irmã pagou pra ver e foi isso que aconteceu. A gente avisou e tudo. Tivemos vários meios de impedir. Já nos metemos, mas infelizmente o pior aconteceu", relatou Letícia dos Santos.
Outros casos - No dia anterior, um homem foi preso em flagrante após agredir violentamente a esposa e tentar afogá-la no Rio Paraíba do Sul, na altura da Usina São João, em Guarus. A Polícia Militar agiu rapidamente e localizou o casal dentro do rio. O homem estava apenas com a cabeça fora da água e segurava a vítima, que estava desacordada. A jovem de 24 anos teve traumatismo craniano e escoriações pelo corpo. Ela permanece em estado grave, em observação no Centro de Terapia Intensivo (CTI) do Hospital Ferreira Machado (HFM).
Mulher é assassinada a tiros em Campos
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Já no último dia 4, Rosileide Melo Lima foi assassinada a tiros nas proximidades do Parque Santa Rosa. Segundo a PM, a vítima possuía antecedentes criminais por furto de cabos/fios, receptação, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Além disso, ela já havia sido alvo de tentativa de homicídio em junho de 2023 no Parque Guarus.
Casos de violência - O Dossiê da Mulher, divulgado no último dia 5, apresenta os números dos casos de violência contra a mulher em 2024. O relatório contabilizou 111.249 ocorrências envolvendo violências cometidas contra meninas e mulheres no Estado do Rio de Janeiro, com uma média de um caso a cada cinco minutos.
Ao comparar os dados de Campos em 2024 com o ano de 2023, o número de feminicídio registrado nos dois anos é o mesmo: cinco casos. O mesmo acontece com o número de tentativa de homicídio: 10 registros. Já as ocorrências de descumprimento de medida protetiva de urgência aumentaram em 26,7%.
Outros crimes que tiveram aumento significativo foram: dano (102,4%); injúria (50,9%); violação de domicílio (30,7%); perseguição (29,4%) e ameaça (23,1%). As notificações de lesão corporal dolosa aumentaram em 11,2% e o número de tentativa de estupro teve aumento de 7 casos.
Segundo a subsecretária de Políticas para Mulheres, Josiane Morumbi, o município realiza ações de prevenção e de acolhimento com as vítimas de violência. Ela conta que as mulheres são acolhidas através do Centro Especializado de Atendimento à Mulher Mercedes Baptista (Ceam) e da pasta responsável, além de contar também com um abrigo sigiloso de longa permanência, onde são oferecidos atendimento psicológico (com terapia semanal), orientação jurídica e atendimento com assistente social.
“Nós realizamos ações tanto na prevenção como também no acolhimento para que essas mulheres saibam que não estão sozinhas. O município juntamente com o Ceam Mercedes Baptista e a subsecretaria, realiza ações como “Maria da Penha Vai à Escola”; eventos mensais com programação voltada para a mulher vítima de violência; ações em bares, restaurantes e comércios local; escolas; e órgãos públicos [...] a demanda tem sido muito grande, pois atendemos todos os casos de violência, entre eles: psicológica, física, sexual e patrimonial”, explicou.
Em breve, será adquirida uma van para o Ceam Itinerante, onde o equipamento vai até as mulheres. Também será integrada uma viatura para a realização da Ronda Maria da Penha, segundo informou a subsecretaria.
Rede de atendimento à Mulher
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O Ceam fica na Rua dos Goytacazes, nº 257, no Parque Turfe Clube, local adequado para acolhimento de mulheres vítimas de violência e equipe capacitada.
O dossiê ainda indica que, para a redução da letalidade feminina, é preciso fortalecer as políticas de enfrentamento à violência, formação qualificada de profissionais da área e adoção de tecnologia para monitorar os agressores reincidentes. Em caso de denúncia, a população pode entrar em contato através do 190 e 180.