Arthur Soffiati - Thomas Mann, o retorno
- Atualizado em 04/11/2026 08:18
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Entrou em cartaz, na semana passada, o filme “A terra do meu pai”, dirigido pelo polonês Pawel Pawlikowski. Não apenas pela direção, como também pelo tema, o filme merece muito que o bonequinho o aplauda de pé. Nestes tempos em que a cultura europeia é contestada no mundo todo, não é possível negar as qualidades de Thomas Mann como escritor nem as de Pawlikowski como diretor.
Thomas Mann deixou a Alemanha em 1933, andou pela Suíça e exilou-se nos Estados Unidos. De lá, dirigiu fortes críticas ao nazismo. Vivemos agora, no Brasil, situação inversa: um extremista de direita alega ser perseguido, foge para os Estados Unidos e de lá critica o governo legitimamente eleito no Brasil.
Mann retorna com sua filha, em 1949, a uma Alemanha dividida entre União Soviética e Estados Unidos. Os dois revisitam o país, de Frankfurt (no lado americano) a Weimar (no lado soviético). Sua querida Weimar, a cidade onde viveu Goethe, um símbolo da cultura, está agora sob domínio de outra ditadura, algo não bem reconhecido na época. O grande Goethe, intelectual completo que representa o apogeu cultural da Alemanha, entre 1650 e 1870. Ele figurará no magnífico romance “Carlota em Weimar”, do próprio Mann.
O filme é uma coprodução polonesa, alemã, italiana e francesa. É também o terceiro de uma trilogia. Os enquadramentos são precisos. A fotografia em preto-e-branco é deslumbrante. E o filme tem duração de 82 minutos, mostrando que tamanho não é documento diante de filmes longuíssimos e vazios.
Várias obras de Thomas Mann já ganharam versão cinematográfica. Entre elas, “A montanha mágica” (1982), “Doutor Fausto” (1982), “Os Buddenbrook” (1923 e 1959), “As confissões de Felix Krull” (1959 e 2021) e “Tonio Kröger” (1964). Nenhuma, porém, se notabilizou como “Morte em Veneza”, dirigido por Luchino Visconti, em 1971.
Mas qualquer livro pouco conhecido de Thomas Mann resulta num bom filme, desde que o diretor seja competente. O próprio “Carlota em Weimar” e romances pouco conhecidos, como “As cabeças trocadas” e “O cisne negro” oferecem roteiros excelentes. Mesmo seus romances menores são maiores na pena de Thomas Mann.

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