Da sobrevivência à literatura: Aline Borges lança livro sobre recomeços
Dora Paula Paes - Atualizado em 31/10/2026 08:23
Aline Borges na ACL
Aline Borges na ACL / Divulgação
É preciso muita coragem para transformar uma experiência de quase morte em literatura. Foi esse o caminho percorrido pela escritora Aline Borges em seu livro "Refém de Mim", no qual revisita a ruptura entre a vida que conhecia e aquela que precisou aprender a habitar, abordando temas como identidade, maternidade, fé, vulnerabilidade e permanência. “Nunca foi sobre vencer. Foi sobre permanecer”, inicia a conversa.

A obra, lançada na Academia Campista de Letras (ACL), no dia 23 de outubro, percorre, como ela mesma define, os caminhos da perda de autonomia, da memória e da reconstrução da própria identidade após uma grave doença neurológica. Essa jornada é contada em seu primeiro livro individual, "Refém de Mim — Quando perder o controle foi o que me salvou", publicado pela Editora Novo Arco.

“A obra nasce de uma experiência que transformou radicalmente minha existência. Em janeiro de 2021, fui acometida pela síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica rara que compromete o sistema nervoso periférico. O quadro evoluiu rapidamente, exigindo internação em Unidade de Terapia Intensiva, ventilação mecânica e um longo processo de recuperação”, conta.

Foram 31 dias de UTI, incluindo um período em coma. Ao retornar para casa, ela ainda enfrentava limitações motoras importantes e a necessidade de reconstruir aspectos fundamentais da própria rotina.

Entretanto, de acordo com a autora, Refém de Mim não se limita ao relato de uma internação ou à descrição de suas consequências físicas.

Ao longo do livro, Aline revisita a ruptura entre a vida que conhecia e aquela que precisou aprender a viver. A perda da autonomia, as mudanças na percepção do próprio corpo e a convivência com sequelas tornam-se matéria literária para reflexões que ultrapassam a experiência individual.

“Eu tenho a dor, mas ela não me tem”, afirma a escritora, em uma das frases que sintetizam sua relação com a condição crônica e com a própria escrita.

Natural de Bom Jesus do Itabapoana e residente em Campos dos Goytacazes, Aline é formada em Publicidade e Enfermagem, com MBA em Marketing. Também escreve crônicas e poesias, abordando temas como cotidiano, maternidade, memória, relações humanas e as contradições da existência.
Apresentação do livro na Bienal de SP
Apresentação do livro na Bienal de SP / Divulgação


Em setembro, também participou da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde apresentou sua obra e estabeleceu contatos no meio literário.

No lançamento oficial de "Refém de Mim", realizado na Academia Campista de Letras, a autora reuniu familiares, amigos, leitores e representantes do meio cultural, marcando uma nova etapa de sua trajetória autoral.

Mais do que contar uma história de sobrevivência, Aline propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece quando as certezas desaparecem.

O livro pode ser adquirido diretamente com a autora, pelo site escritoraalineborges.com.br, e também pela Amazon.
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Sinopse

Enquanto o mundo seguia em frente… você era deixado para trás. Ela perdeu os movimentos do corpo. A voz. A autonomia. Quase perdeu a própria existência.
Entre hospitais, dores invisíveis, doenças raras e uma batalha silenciosa travada dentro da própria mente, Aline Borges descobriu que sobreviver não é o mesmo que retornar para si. Neste livro, a autora narra sua experiência com a síndrome de Guillain-Barré e os desdobramentos físicos e emocionais que transformaram completamente sua trajetória. Mas esta não é apenas uma história sobre doença. É sobre identidade, fé, medo, maternidade, reconstrução e a coragem de continuar mesmo quando tudo parece perdido. Com uma escrita intensa, humana e profundamente sensível, Aline conduz o leitor por uma jornada real de dor, esperança e ressignificação. Porque, às vezes, o maior milagre não é sobreviver. É reaprender a existir dentro da própria pele.

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