Construído na primeira metade do século XIX, a pedido do comendador Cláudio do Couto e Souza, o Solar dos Airizes serviu de residência para o historiador Alberto Frederico de Morais Lamego. O imóvel, patrimônio histórico de Campos, às margens da BR-356 (Campos-São João da Barra), chama atenção pela imponência e pelo temor de que sua estrutura não resista à ação do tempo e à espera por obras de recuperação.
Responsável pela recuperação do imóvel, por força de uma decisão da Justiça, a Prefeitura de Campos informa que os trabalhos já foram iniciados.
“A intervenção é acompanhada pela Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo e Mobilidade e realizada 100% com recursos municipais. Nesta primeira etapa, estão sendo executados a limpeza e os serviços de preparação para o escoramento da estrutura do imóvel, que será feito por meio de uma estrutura mista, com elementos metálicos e de madeira”, informa a Prefeitura, em nota.
Rodrigo Silveira
Segundo o município, o escoramento é necessário para garantir maior estabilidade à edificação e permitir que as próximas etapas do processo de recuperação sejam realizadas com segurança.
No ano passado, o imóvel recebeu uma cobertura metálica como forma de proteção diante do avançado estado de deterioração. Com sua arquitetura rural do século XIX, o Solar é um testemunho da história e do acervo relacionado à produção de Alberto Lamego, pai e filho.
Em texto do historiador Edmundo Siqueira, publicado na Folha da Manhã, ele explica que o imóvel é protegido por tombamento federal desde 1940 — três anos após a criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O Solar também é objeto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), com trânsito em julgado, que determina a realização de seu restauro completo no menor prazo possível, com os custos arcados pelo município de Campos. A decisão final da Justiça, de 2020, retirou do Iphan e da família Lamego a responsabilidade pela recuperação do imóvel.
Antes de a Justiça bater definitivamente o martelo, o Iphan havia realizado uma intervenção de grande porte no Solar. Iniciadas em 2003, as obras incluíram a substituição de grande parte do telhado, com a retirada das telhas originais e a colocação de outras de padrão contemporâneo. Também foram substituídos elementos do madeiramento e da alvenaria de sustentação, além da realização de tratamento contra cupins.
A intervenção do Iphan permitiu, apesar das descaracterizações, que o Solar permanecesse de pé. A medida, no entanto, acabou se mostrando apenas um intervalo no longo período de abandono, novamente interrompido em maio de 2024 pela Prefeitura de Campos.
Por meio de um contrato com a empresa Bruta Empreendimentos Ltda., no valor de R$ 2,2 milhões, foram iniciados os serviços de “escoramento, reconstrução do telhado e demais obras de restauração, preservação e conservação do prédio histórico”.
Na primeira fase da intervenção, a Prefeitura construiu a estrutura para a cobertura de proteção. As ações de escoramento das paredes, porém, ainda estão incipientes. A sobrecobertura é essencial para proteger o prédio das chuvas e de outras intempéries, mas o escoramento das estruturas internas é urgente e precisa ser realizado para que o Solar consiga resistir até o início das obras de restauro completo.
Inicialmente, a Prefeitura também informou que buscaria uma Parceria Público-Privada (PPP) para viabilizar a restauração do prédio, mas a iniciativa ainda não foi anunciada.