'Hamlet não. Horácio!' leva releitura de Shakespeare ao Teatro de Bolso
Dora Paula Paes - Atualizado em 20/06/2026 07:08
Divulgação/foto: Laiza Dias
A Ruptura Cia de Arte se prepara para levar aos palcos o espetáculo “Hamlet não. Horácio!”. Com direção de Fernando Rossi e dramaturgia de Lucas Machado, a montagem propõe uma desconstrução da clássica obra de William Shakespeare. A temporada no Teatro de Bolso Procópio Ferreira, em Campos, contará com seis apresentações, nos dias 26, 27 e 28 de junho, além de 3, 4 e 5 de julho.
O grupo já adianta: “não é comédia, mas o público vai rir”. A peça apresenta uma narrativa ousada e desconstruída de Hamlet, colocando Horácio no centro da história. Único personagem de relevância a sobreviver ao desfecho da tragédia, ele passa a ocupar os holofotes. Como seria a trajetória do príncipe da Dinamarca contada a partir do olhar de seu fiel amigo? É essa a pergunta que a Ruptura Cia de Arte pretende responder em cena.
Para movimentar a trama, a construção das cenas acontece em tempo real, explica o diretor Fernando Rossi.
“A proposta é abusar da metalinguagem, com a plateia sendo testemunha dos erros e acertos dos atores/personagens, em um pacto direto com as ideias e os anseios do doce príncipe, louco, ferido, magoado e astuto, na busca pela verdade”, destaca Rossi.
A sinopse apresenta um grupo de atores que se reúne para tentar montar Hamlet, liderado por um ator-diretor cujo sonho é interpretar Horácio, o melhor amigo do príncipe da Dinamarca. No entanto, como em todo processo de criação teatral, as coisas começam a sair do controle. Entre improvisos, egos inflados, paixões mal resolvidas e disputas por protagonismo, nasce um espetáculo que mistura o peso da tragédia ao humor dos bastidores do teatro.
Dramaturgo e ator do espetáculo, Lucas Machado explica que a ideia da montagem nasceu de anos de estudo e investigação sobre a obra de Shakespeare.
“Eu já fiz Hamlet, mas não a peça inteira. Sempre tive vontade de montá-la na íntegra, mas sabia de toda a complexidade que isso envolve. Em uma releitura da obra, percebi que apenas um personagem sobrevive ao final da tragédia: Horácio. E é justamente a ele que Hamlet pede para contar sua história. Foi daí que surgiu a ideia de narrar os acontecimentos sob o olhar de Horácio”, conta.
Embora a proposta não seja uma comédia, o espetáculo promete arrancar risadas da plateia. Segundo Lucas, o humor surge justamente da tentativa de tornar mais acessível uma obra tão complexa.
“A gente mistura os bastidores da montagem com as cenas da própria peça. O processo vai se transformando em um caos e as situações cômicas aparecem naturalmente nesses momentos de tentativa e erro”, explica.
No elenco, dividindo o palco do Teatro de Bolso, estarão Lucas Machado, Daniel Azeredo, Laíza Dias, Vitor Belém, Clara Abreu e João Velasco.

O papel de Horácio em Hamlet

Ao retornar à obra original de Shakespeare para compreender a importância de Horácio, percebe-se que ele ocupa um papel fundamental na trama. Melhor amigo e confidente de Hamlet, o personagem se destaca por sua lealdade, equilíbrio e racionalidade, servindo de contraponto à inquietação e à instabilidade emocional do príncipe da Dinamarca.
Entre suas principais funções na história estão testemunhar a aparição do fantasma do pai de Hamlet, aconselhar o amigo em momentos decisivos e observar os acontecimentos com um olhar mais objetivo, ajudando o público a compreender os fatos.
Sua importância se torna ainda maior no desfecho da tragédia. Quando Hamlet está morrendo, pede a Horácio que conte sua verdadeira história ao mundo. Por sobreviver aos acontecimentos e assumir a missão de preservar a memória do príncipe, Horácio é frequentemente apontado por estudiosos como o narrador indireto da peça e o guardião do legado de Hamlet.

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