Câmara em monólogo da bancada de sustentação ao governo Frederico Paes
Dora Paula Paes - Atualizado em 20/06/2026 06:59
Rodrigo Silveira
O governo do prefeito Frederico Paes (MDB) ainda está longe de completar os primeiros 100 dias de gestão no Executivo. Porém, nesse mesmo período, quem acompanha a Câmara Municipal de Campos vê, em ritmo de novela, diversas movimentações agitarem os bastidores do Legislativo, inclusive alterando a composição das bancadas governista, de oposição e independente na Casa.
Frederico assumiu a prefeitura em 2 de abril. O primeiro movimento referente ao Legislativo ocorreu com a escolha do vereador Dudu Azevedo (Republicanos) para a liderança do seu governo na Câmara. Com a ida do então vereador Juninho Virgílio para o Executivo, Dudu ganhou protagonismo político, inicialmente com a missão de ampliar o diálogo entre os poderes.
Rompido com o governo do então prefeito Wladimir Garotinho (PL), o vereador Paulo Cothé (MDB) retornou à base de sustentação de Frederico, que atualmente conta com 18 dos 25 vereadores da Câmara.
Na sequência, ao voltar para a base governista, Cothé afirmou que a decisão ocorreu após conversa com Frederico e com o deputado federal Gutemberg Reis, irmão do presidente estadual do MDB, Washington Reis. Gutemberg é pré-candidato à reeleição com o apoio de Cothé em Campos. O vereador iniciou o mandato como integrante da base, mas anunciou sua saída do grupo em outubro do ano passado, durante discurso no plenário da Câmara. Na ocasião, ele alegou que suas reivindicações por obras e serviços em Guarus não estavam sendo atendidas por Wladimir.
Rodrigo Silveira
Em situações distintas, os vereadores Cabo Alonsimar (PDT) e Thamires Rangel (Democrata) retornaram às suas cadeiras no Legislativo campista. Alonsimar deixou cargo no primeiro escalão do Executivo e voltou a integrar a base governista na Câmara. Também assumiu a missão de coordenar a pré-campanha de Wladimir à Câmara dos Deputados.
A jovem vereadora Thamires retomou o mandato após um momento sensível em sua vida familiar. Seu retorno, no início de maio, ocorreu no mesmo dia em que seu pai, o deputado estadual Thiago Rangel, foi preso durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, momento em que ela foi exonerada do cargo de subsecretária estadual de Meio Ambiente. A Folha tentou ouvir a parlamentar sobre seu posicionamento atual na Casa Legislativa, mas não obteve retorno.
Oposição - A antiga bancada de oposição ferrenha ao governo Wladimir sofreu uma baixa após a posse de Frederico. O então líder do grupo, o vereador Marquinho Bacellar (União), reduziu o tom e anunciou sua saída da oposição. Ele agora integra a bancada independente e com disposição para dialogar com o atual prefeito.
Com sua saída, permanecem na oposição Dandinho de Rio Preto (União), Rogério Matoso (Solidariedade) e Maicon Cruz (PV). Este último confirmou nesta sexta-feira (19) que é o novo líder da oposição na Câmara.
Rompimento - Nesse roteiro, o tom subiu quando os vereadores Leon Gomes (PDT) e Marquinho do Transporte (DC), agora em junho, usaram a tribuna para anunciar o rompimento com o grupo político do ex-prefeito Wladimir, por questões relacionadas ao pleito de outubro. Leon é pré-candidato à Câmara dos Deputados e Marquinho à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ambos se recusaram a retirar seus nomes da disputa e teriam sofrido retaliações dentro do grupo político ligado a Wladimir.
“Não me considero oposição. Hoje atuo de forma independente e continuarei exercendo o mesmo papel de sempre: fiscalizar, apontar problemas e defender soluções para a cidade, especialmente nas pautas da inclusão. Não faço oposição por oposição nem crítica por crítica. Minha saída da base foi uma decisão unilateral de Wladimir Garotinho, motivada pelo fato de eu ser pré-candidato ao mesmo cargo que ele pretende disputar”, afirmou Leon.
Sobre a Câmara, Leon acrescentou: “Entendo que não existe hoje uma liderança formal de oposição consolidada. O que existe são vereadores independentes, cada um exercendo seu papel conforme suas convicções. Também acredito que o presidente Fred Rangel tem surpreendido positivamente pelo espírito republicano e pela disposição ao diálogo”.
Até o fechamento a Folha não obteve retorno do vereador Marquinho do Transporte para saber em qual bancada pretende atuar no Legislativo. O jornal igualmente não recebeu resposta do líder do governo Frederico, vereador Dudu Azevedo, para comentar a atual configuração da Câmara.
Composição de bancadas
Bancada governista

*Anderson de Matos (Republicanos)
* Bruno Pezão (PP)
*Ciro Rocha (Solidariedade)
*Doutor Abdu Neme (PL)
*Dudu Azevedo (Republicanos)
*Fernando Machado (Podemos)
*Fred Rangel (PP)
*Juninho Jubiraca (PP)
*Kassiano Tavares (PP)
*Luciano Rio Lu (PDT)
*Marciano da Farmácia (MDB)
*Nea Terra (PP)
*Nildo Cardoso (PL)
*Pastor Marcos Elias (Pode)
*Paulo Cothé (MDB)
*Cabo Alonsimar (PDT)
*Silvinho Martins (MDB)
*Sub Jackson (PP)


Bancada independente
*Leon Gomes (PDT)
*Marquinho Bacellar (União)


Bancada de oposição

*Dandinho de Rio Preto (União)
*Maicon Cruz (PV)
*Rogério Matheus (Solidariedade)


Não revelada (A Folha não conseguiu informação)

*Marquinho do Transporte (DC)
*Thamires Rangel (Democrata)

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