Em 20 de maio, Mercedes Baptista completaria 105 anos. Mas quem é essa mulher negra, campista, que ganhou renome no Brasil e no mundo? Na sexta-feira (15), o Museu Histórico de Campos abriu suas portas para contar um pouco da história da bailarina que venceu obstáculos de uma vida nada fácil, em muito pela cor da sua pele, e integrou o corpo de baile do tradicional Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No mundo da dança, Mercedes também é reconhecida pelo estilo de balé influenciado pela cultura afrodescendente que chegou às escolas de samba e promoveu uma verdadeira revolução. Ela levou ao palco um balé de pé no chão, rodopiou identidade e foi aclamada.
A mostra contém roupas, figurinos, fotos e recortes de jornais; objetos cuidadosamente guardados por uma ex-aluna da coreógrafa, Dona Ruth, de 80 anos, e que, agora, pode ser conferida em Campos, terra natal da notável campista. A intenção do programa é permitir que os visitantes conheçam diferentes momentos de sua vida e carreira.
Exposição no Museu de Campos
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Rodrigo Silveira
O acervo, preservado por Dona Ruth, guardiã de sua memória, ficará exposto por um mês no Museu Histórico. A curadoria é da museóloga e diretora do Museu, Graziela Escocard.
Nascida em 1921 e falecida em 2014, ao deixar sua cidade natal, sua vida no Rio de Janeiro, ainda muito nova, nem sempre foi fácil. Para sobreviver foi doméstica e operária, mas sua luz brilhou no palco com a força do movimento do seu corpo, ao se dedicar à arte.
A curadoria da exposição, no Museu de Campos, está sendo construída a partir de um trabalho cuidadoso de pesquisa, catalogação e seleção do acervo de Mercedes Baptista. A intenção é apresentar ao público não apenas sua trajetória artística, mas também sua importância como mulher negra, campista e pioneira da dança no Brasil.
“O Museu Histórico de Campos dos Goytacazes reafirma seu papel de preservar e divulgar a memória de uma das maiores personalidades nascidas em nossa cidade. Para Campos dos Goytacazes, este projeto é uma oportunidade de reconhecer e celebrar uma mulher negra pioneira, cuja trajetória transformou a dança brasileira e projetou o nome de Campos para todo o país”, destaca a diretora do Museu, Graziela Escocard.
Livro - Na sexta-feira, também ocorreu no espaço do Museu, o lançamento do audiobook e do livro infantojuvenil "Mercedes, a bailarina negra". A obra apresenta às novas gerações a trajetória da campista que é uma das maiores referências da dança afro-brasileira.
Segundo a autora Diane Lizst, o livro nasce do desejo de reconectar Campos e o Norte Fluminense à trajetória de Mercedes Baptista e ampliar referências de protagonismo negro feminino para as novas gerações. “Ela enfrentou o racismo de uma época que a rejeitava e ainda assim ocupou o Theatro Municipal, viajou o mundo e construiu um legado", destaca.